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Paralisação

Greve na rede municipal de educação chega a 41 dias

02 Ago 2016 - 15h28
Na Escola Municipal Elza Farias o cenário foi de salas de aulas praticamente vazias na manhã de ontem; a greve iniciou no dia 23 de junho e continua por tempo indeterminado em Dourados. - Crédito: Foto: Hédio FazanNa Escola Municipal Elza Farias o cenário foi de salas de aulas praticamente vazias na manhã de ontem; a greve iniciou no dia 23 de junho e continua por tempo indeterminado em Dourados. - Crédito: Foto: Hédio Fazan
Dourados enfrenta uma das mais longas greve da rede municipal de ensino dos últimos anos. A maioria dos professores e técnicos administrativos concursados aderiu à paralisação, diferentemente dos contratados, que para não perder o emprego se mantêm em sala de aula. A fim de atender aos alunos que vão à escola, algumas instituições fizeram adaptações de horário.


A greve iniciou no dia 23 de junho e continua por tempo indeterminado. Ontem pela manhã a categoria realizou panfletagem na área central de Dourados e, no final de semana, na feira livre da rua Cuiabá. "Não sabemos por quanto tempo irá durar a paralisação porque a administração municipal não se posicionou sobre nossas reivindicações", diz Gleice Barbosa, presidente do Sindicato Municipal dos Trabalhadores em Educação (Simted).


Os educadores reivindicam o pagamento da Lei do Piso de 20 horas para o Magistério e reposição salarial do grupo administrativo e da inflação no período de dois anos que, segundo o Simted, não vem sendo pago.


No final da tarde de ontem ocorreu uma reunião entre comissão do Simted e o prefeito Murilo. Como não houve avanço, a paralisação continua. No entanto, o Simted avalia como positivo o encontro, já que é a primeira vez que o prefeito recebe os educadores no período de greve. Hoje pela manhã haverá assembleia para discutir se a greve continua.

Adaptações


A greve não atinge todas as unidades de ensino da rede municipal. Os Centros de Educação Infantil (Ceims) não aderiram à paralisação. Já nas escolas, a situação varia de acordo com o quadro de profissionais. Quanto mais educadores concursados, maior é a paralisação. Na escola Elza Farias (Cohab), apenas cinco professores contratados lecionam normalmente. Ontem pela manhã poucos alunos foram à aula e o cenário era de salas de aulas praticamente vazias. Com isso, os estudantes são dispensados mais cedo.


A adequação do horário tem sido a alternativa para melhor atender os estudantes. Com o retorno das férias de julho, na quinta-feira, a maioria das instituições realizou assembleia com convocação dos pais. Na escola Aurora Pedroso Camargo, no Parque Alvorada, foram criados horários diferenciados para os turnos matutino e vespertino.


Pela manhã, há presença de muitos professores concursados e que aderiram à greve. Com isso, os alunos são dispensados mais cedo. Já no turno da tarde a situação é o inversa. Como há bastante docentes contratados, as aulas funcionam quase que normalmente. Situação semelhante foi presenciada ontem na escola Januário Pereira Araújo, no Jardim Itália, onde as aulas foram realizadas parcialmente.

Impasse


O Simted faz campanha para os pais não mandarem os filhos às escolas. Muitos deles acabam não enviando, principalmente crianças pequenas, já que as aulas funcionam parcialmente em algumas instituições. A secretária de educação municipal, Ilda Kudo Sequia, orienta os pais procurarem a escola para obter informações.


"Todas as unidades estão funcionando e pedimos para os pais mandarem os filhos às aulas", disse a secretária ao O PROGRESSO. No entanto, a medida não vem sendo muito aceita, principalmente pelos pais acostumados de buscar os filhos no colégio e, sem alternativa para retirá-los quando saem mais cedo, preferem deixar a criança em casa ou aos cuidados de amigos ou familiares.


Questionada sobre o aluno que não vai à escola no período de greve, Ilda Kudo informou que este ficará com falta e naquelas instituições onde a procura é pequena e aula funciona parcialmente, o professor terá repor a aula novamente, após o término da greve.


A secretária argumentou ainda que não há contraproposta a ser feita ao Simted, pois a prefeitura não tem condições, por falta de dinheiro em caixa, de atender os pedidos dos educadores, mas que irá cumprir as medidas.

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