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Doenças Contagiosas

Funcionários do HV temem surtos

16 Abr 2016 - 06h00Por Do Progresso
Hospital da Vida não tem área apropriada para receber pacientes com doenças infectocontagiosas. - Crédito: Foto: Hedio FazanHospital da Vida não tem área apropriada para receber pacientes com doenças infectocontagiosas. - Crédito: Foto: Hedio Fazan
Funcionários do Hospital da Vida em Dourados temem surto de doenças infectocontagiosas no local. Um paciente com suspeita de H1N1, popular gripe suína, e dois com suspeita de tuberculose estão internados no HV, além de outro com caso confirmado de meningite. A unidade não tem área de isolamento para receber e tratar pessoas vítimas de doenças infecciosas e que podem ser transmitidas pelo ar ou por contado.


Na noite de anteontem, funcionários do HV entraram em pânico ao saber da presença de pacientes com quadros suspeitos de H1N1 e tuberculose. Muitos deles passaram a usar máscaras, outros questionaram a falta do instrumento de proteção, embora a direção do hospital refuta e informa que há máscaras suficientes.


Sem preferir revelar os nomes, funcionários do HV disseram ao O PROGRESSO que muita gente andava pelos corredores com a mão no nariz. Pacientes na enfermaria também ficaram com medo de serem contaminados. O gerente administrativo do HV, Cássio Humberto Rocha, confirma a presença dos pacientes com suspeita e do caso confirmado de doença infecto-contagiosa no hospital.


Segundo ele, o caso suspeita de H1N1 é de uma pessoa internada na área vermelha - espécie de semi UTI - e que está entubado. Nesse mesmo setor está outro paciente com caso confirmado de meningite e também respira por aparelhos. Quanto aos dois casos suspeitos de tuberculose, as pessoas estão em quadro estável e passam por atendimento no pronto socorro.


O Hospital da Vida é uma unidade de portas abertas para receber pacientes de toda a região, porém sua referência é em atendimentos de emergência e trauma (acidentados). Casos relacionados a doenças infecto-contagiosas, que dependem de atendimento especializado e em setor de isolamento, para evitar da doença ser transmitida a demais pacientes e até para funcionários do hospital, são tratados em Dourados pela rede pública apenas no Hospital Universitário (HU).


"Todos os pacientes que chegam no Hospital da Vida atendemos, independentemente da patologia. Porém, casos de doenças infectocontagiosas é o HU a unidade responsável e com equipe preparada", diz Cassio Humberto. "Solicitamos a transferência dos pacientes suspeitos e do paciente com caso confirmado de meningite ao HU, porém tivemos vagas negadas", diz, Por conta do risco de uma epidemia de H1N1 em Mato Grosso do Sul, funcionários do Hospital da Vida começaram a ser vacinados ontem contra a doença. A campanha nacional começa apenas no dia 30. "Estamos fazendo um trabalho de prevenção dentro da unidade", reforçou o gerente administrativo, assegurando haver máscara a todos os funcionários e que a unidade também irá disponibilizar para pacientes, se necessário.


O Hospital da Vida conta com dois leitos de isolamento, porém as vagas são reservadas a pacientes que passaram por alguns tipos de cirurgia ortopédica e que no pós-cirúrgico precisam ficar separadas dos demais pacientes. Procedimento ortopédico é um dos mais realizados no hospital. "Se precisarmos abrir uma área de isolamento, até faremos, mas isso seria em último caso, de extrema urgência", disse Cássio, ao ser indagado da possibilidade do hospital receber número grande de pacientes suspeitos de H1N1. "Mas se isso ocorrer será um problema de saúde pública, sendo necessário uma intervenção de todos órgãos de saúde", finalizou.

Lotação


O Hospital Universitário de Dourados possui 10 leitos de isolamento para tratar pacientes com doenças infectocontagiosas, porém todos estão ocupados. Segundo a assessoria do hospital, apenas um paciente internato no setor passa por tratamento de H1N1. Ele está na UTI desde o início deste mês e encontra-se em processo de recuperação. Não há outros pacientes com casos suspeitos ou confirmados.


Embora o HU seja referência para o tratamento de doenças infectocontagiosas dentro da rede pública de saúde de Dourados, em caso de uma possível epidemia, o trabalho de contenção deve ser realizado, segundo a assessoria, de forma conjunta, envolvendo todas as esferas da saúde pública, como foi feito nos anos de 2009 e 2010, quando alto número de casos de H1N1 foi registrado na região.

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