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Mercado

Feijão é novo vilão da cesta básica e some do cardápio

16 Jun 2016 - 06h00
Preço do feijão nos supermercados assusta  consumidores que resistem em comprar o produto. - Crédito: Foto: Marcos RibeiroPreço do feijão nos supermercados assusta consumidores que resistem em comprar o produto. - Crédito: Foto: Marcos Ribeiro
O feijão é o novo vilão da cesta básica dos brasileiros. O preço do ‘carioca’ pode ser encontrado em Dourados a R$ 12,49 e, dependendo da marca, chega a R$ 19,90, o quilo. Pegando carona, o preço do feijão preto também subiu por causa da grande demanda. A explicação para isso é que, com a alta do preço do carioca, o consumidor passou a comprar o feijão preto, que acabou escasseado no mercado e, com isso, aumentou o preço. O quilo, em alguns casos, chega a R$ 9,90 em Dourados.


O produto subiu 41,62% nos últimos 12 meses, de acordo com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), enquanto a inflação foi de 9,32% no mesmo período. O gerente de compra de uma rede de supermercados de Dourados informou que a escassez do produto por parte dos fornecedores nesta safra fez o preço disparar. Ele informou que há 15 dias comprava o quilo do produto por R$ 6,50 e hoje paga R$ 13,00; um aumento de 100%. Para não perder clientes, um dos principais pratos da mesa do brasileiro, a empresa deixou até de repassar as margens de lucro. "O consumidor não compra e o produto fica nas prateleiras se ainda repassar a margem de lucro", disse.


Clima


A proprietária de uma empacotadora de feijão de Dourados informou que os problemas climáticos foram as principais causas desta disparada nos preços. No inicio do ano foi por causa da seca, em seguida por causa da chuva e agora por causa do frio. Tudo isso fez com que a produção do produto diminuisse nesta safra. Outro problema que os produtores vêm enfrentando há bastante tempo é a falta de incentivo do governo com relação ao setor. "Somando o fator climático com a falta de incentivo do governo, o problema tinha que parar na mesa de cada brasileiro", concluiu Silvia Yamanari.


A escassez do produto fez os preços subirem em disparada. Ela lembra que comprava uma saca de 60 quilo, em média, por R$ 100,00 a 130,00, agora está comprando por R$ 400,00, fora as despesas de impostos, frete e outras de lojistica. "O pior, é que não vemos perspectiva de redução boa de preços a curto prazo. Há uma projeção de que em julho aumente a oferta no mercado e que, talvez, possa reduzir um pouco o preço", comenta.

Safra


O preço do feijão no mercado interno tem sofrido forte alta. Desde janeiro, a saca de 60 quilos aumentou 260% e chegou a R$ 550 em São Paulo. Os dados são do Instituto Brasileiro do Feijão e Pulses (Ibrafe), entidade que representa a cadeia produtiva do grão. Em algumas regiões do Brasil, o quilo do feijão chega a R$ 20 no varejo, situação que virou até assunto para os populares ‘memes’ que circulam na internet.


Segundo Marcelo Lüders, presidente do Ibrafe, o que está sendo repassado ao consumidor final é a soma de vários fatores que deixaram a situação "caótica". Tudo começou com a menor área plantada na primeira safra de 2016, quando o produtor escolheu plantar soja e milho, que remuneram melhor. A diminuição do preço mínimo por parte do governo federal também influenciou negativamente a cultura.

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