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Vai dar volta ao mundo

Douradense cria projeto de barco movido a água

02 Fev 2016 - 09h50
Luiz Sais durante apresentação do projeto aos vereadores de Balneário Camboriú
Foto: Adriano Maba/CÃmara de Camboriú - Luiz Sais durante apresentação do projeto aos vereadores de Balneário Camboriú Foto: Adriano Maba/CÃmara de Camboriú -
Flávio Verão


Ele só tem 17 anos e provou que para ter grandes ideias e ser empreendedor basta querer. Luiz Porto Sais é douradense, cursa o terceiro ano do ensino médio e não é só mais um daqueles estudantes que se prepara para prestar vestibular. Quer ir mais longe. Nos cinco anos dedicados aos estudos e a pesquisa, especificamente na área de química, pela qual tem fascínio, acumula inúmeros projetos científicos, participações em eventos nas mais diferentes universidades do país e, semana passada, apresentou em Balneário Camboriú (SC) o seu mais inovador projeto: Hobbty Mfane, nome dado a um barco movido a água e também a outros cinco subprojetos voltados à melhoria da educação no ensino básico.

Quem é leigo no assunto e até aqueles que se dizem entendidos podem dizer que não é novidade a utilização de água como combustível. De fato, existe projetos espalhados pelo mundo, não como o de Luiz Sais. O dele é aprimorado, tanto que tem uma legião de apoiadores entre professores mestres e doutores, de várias universidades e institutos, e de grandes empresários. O Barco tem inclusive data para começar a ser projetado: março deste ano; e com previsão de ser concluído: agosto de 2017. Depois disso o Hobbty Mfane, que do latim para o português pode ser traduzido como “Divertido e Inovador”, será colocado no mar para dar volta ao mundo.

Em entrevista por skype, Luiz Sais falou sobre o projeto e pontuou o quanto foi árdua a batalha para colocar as ideias em prática. Por ser menor de idade e sem formação acadêmica ouviu muitos “não” e dicas de “primeiro se forma para depois conversarmos”. Mas como a dedicação dele à pesquisa é grande e sabendo que diploma e idade não são sinônimos de empreendedorismo, permaneceu na luta e seguiu em frente até a apresentação do projeto na Câmara Municipal de Balneário Camboriú, aos vereadores.

De lá para cá não lhe faltam convites de apoio e até de patrocínio, mas como Luiz Sais é fundador de um grupo, o Empreendedor Invent, quer que alunos de Balneário Camboriú e região, de diferentes idades e sem necessidade de formação, coloquem a “mão na massa” e construam o barco sob a sua supervisão de engenheiros e demais profissionais também engajados na missão de dar forma ao Hobbty Mfane.

Tecnologia

Um barco sustentável, barato, rápido, com custo beneficio alto e eficiente, não futurístico, para se adaptar em atividades do dia a dia, são as características que Luiz Sais propôs em seu projeto. “É uma chave para abrir outro patamar à ciência e tecnologia”, define. Para chegar até a fórmula exata do combustível, o douradense aprimorou de projetos já existentes. “Transformei a água em combustível através de quatro passos simples”, disse na entrevista.



Sais explica que, primeiramente, quebrou a molécula da água e separou o hidrogênio do oxigênio. Mas teve que criar um método 34 vezes melhor para efetuar essa quebra. Criou também uma forma melhor de eletrólise (processo químico não espontâneo formado por uma corrente elétrica). Junto à quebra da molécula da água, Luiz Sais vai misturar uma nova fórmula, o trunfo do projeto, que no momento não pode revelar. O processo de mistura também mantém em segredo.

O terceiro passo, segundo ele, trata-se da resfriação deste composto, para torná-lo menos volátil ao ambiente. O quarto e último é a injeção do composto, já em forma de combustível gasoso no motor Wankel, motor antigo de três tempos, criado para baixas rotações. Só que Sais teve que aprimorá-lo para funcionar com gás. “Tive que projetar o motor, mas como não sou engenheiro, otimizei o Wankel já existente. Escolhi este motor por ser mais básico, simples, forte e também por ser pequeno (uns 40 centímetros)”, explica o jovem prodígio.

Porém, para dar mais performance ao motor, utilizou um turbo RX-7, capaz de gerar pelo menos 237 cavalos de potência. “Como melhorei o motor duas vezes e o combustível 34 vezes, não se sabe quantos cavalos vai se chegar, mas 237 é o mínimo. Só vamos saber depois de concluir o motor e fazer o teste”, esclarece.
Durante toda a etapa de construção do barco Luiz Sais vai morar em Balneário Camboriú, mas não deixará de cumprir agendas, como palestrante motivacional. Inclusive em março estará palestrando em Dourados. Concluindo o barco, ele diz que pretende ampliar a tecnologia de combustível com água para carros de passeio, ônibus, mas será preciso aprimorar ainda mais o projeto.

Ainda em Balneário Camboriú Luiz Sais vai pôr em prática os subprojetos Hobbty Mfane voltados à educação. A proposta é fortalecer o ensino básico, numa parceria de escolas com universidades, e sem custos para o município, no desenvolvimento de projetos de ciências e tecnologias nas escolas, de inclusão social e educacional, da realização de congressos, de interação forense e entomológica e, o projeto RedD’Vírus – Rede Dengue e Vírus. Sua meta é transformar Balneário Camboriú na cidade da inovação, um “Vale do Silício camboriuense”, como a região situada na Califórnia em que se encontra um grande conjunto de empresas científicas e tecnológicas.



O início

Desenho sempre foi algo que chamou a atenção de Luiz Sais, principalmente de projetos de arquitetura e de barco. Para aprimorar os trabalhos ele assistia documentários, lia artigos, com o objetivo de fazer um desenho o mais profissional possível. Mas a vontade de entrar num laboratório para saber o que se fazia lá dentro, como funcionava, foi que levou o douradense a dar o primeiro passo para a pesquisa. Este início de carreira contou com o apoio de quatro grandes incentivadores, aos quais dedica muito o que é hoje. Um deles é o engenheiro e professor doutor José Eduardo de Arruda, da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), seu primeiro orientador; o engenheiro e professor mestre Rubens Di Dio, da Unigran, quem considera um mentor; a professora doutora Sônia Maria Borges de Oliveira, na época coordenadora da escola em que fazia o ensino fundamental, também responsável por mediar a visita de Luiz Sais em laboratório na UFGD e grande incentivadora; e a bióloga doutora Magda Freitas Fernandes, a quem chama carinhosamente de “mãe-jacaré”.




Em 2010, quando tinha 12 anos, Sais teve o seu primeiro contato com laboratório. Após se dedicar num período de estágio foi contemplado com bolsa de pesquisa para atuar como bolsista voluntário no ano seguinte. Sempre desenvolvendo projetos, Luiz Sais continuou na UFGD e, simultaneamente, participou de cursos no Instituto de Química e também no Instituto de Ciências Biomédicas na Universidade de São Paulo (USP), em busca de novos conhecimentos e contatos com profissionais. Muitos e-mails eram enviados para pesquisadores de diferentes universidades, mas poucos eram correspondidos. Alguns o pediam para cursar, primeiramente, uma faculdade. “Sempre enfrentei barreira, mas nunca desisti, pois eu sempre tive objetivos e minha proposta sempre foi lutar por eles”, disse em entrevista por skype.

Em 2015 foi seu último ano como bolsista na UFGD, ano em que passou a aprofundar as pesquisas com o Hobbty Mfane, para apresentá-lo em Balneário Camboriú. Com o projeto inovador em mãos, conquistou muitos contatos e parceiros de diferentes universidades. Com pouco mais de três semanas em Santa Catarina, os contatos com empresários também aumentaram e muita gente, hoje, quer acompanhar de perto o desenvolvimento do projeto Hobbty Mfane.

Contato

Informações para Contato com Luiz Sais: ( 67 ) 9671-6885 |

E-mail: [email protected]

| Facebook: [Luiz Sais](https://www.facebook.com/PalestranteLuizSais?fref=ts)

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