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Indígenas

Cresce invasão de áreas na região de Caarapó

16 Jun 2016 - 19h00
Indígenas montaram barreiras para impedir entrada e saída de propriedades rurais em Caarapó. - Crédito: Foto: Hédio FazanIndígenas montaram barreiras para impedir entrada e saída de propriedades rurais em Caarapó. - Crédito: Foto: Hédio Fazan
O Sindicato Rural de Caarapó resolveu ontem se posicionar depois do conflito de terça-feira que resultou na morte de um indígena e seis feridos, a tiros. Cerca de 10 propriedades rurais estão ocupadas desde domingo. A primeira foi a fazenda Ivu. "Estamos todos acuados e queremos uma posição firme do governo. Precisamos trabalhar e tudo está parado. Sítios e fazendas foram saqueados e produtores tiveram que abandonar suas residências", diz o presidente interino do Sindicato, Carlos Eduardo Macedo Marquez.


Ele nega ter ocorrido confronto e que os proprietários tenham efetuado tiros contra os indígenas. "Não houve conflito. Teve, sim, a presença de vários produtores rurais na fazenda Ivu. Fomos para o local pedir para os índios deixarem a fazenda de Nelson Buanin. Estivemos lá para inibir que mais indígenas chegassem. Eles foram embora e depois tivemos a informação de feridos, mas os tiros não partiram dos produtores e não houve conflito na fazenda Ivu", alega o presidente interino.


Um vídeo gravado pelos próprios indígenas mostra o clima tenso ocorrido no local. Pelas imagens é possível ouvir fogos de artifício e aparentemente tiros. Mas Carlos Eduardo nega que os disparos partiram dos produtores. Os indígenas, por sua vez, acusam os ruralistas pelos tiros. No mesmo dia, três policiais militares e um caminhoneiro que estavam nas imediações da aldeiaTey Kuê, vizinha a fazenda Ivu, foram feito reféns, levaram pauladas e tiveram os veículos incendiados.


A sitiante Claudete dos Reis diz que seus familiares estão reféns dentro da propriedade, vizinha a aldeia. "Estão meus pais, meu cunhado, meus irmãos. O sinal de celular é ruim no local e estou sem comunicação com eles. Os indígenas ocuparam a nossa propriedade e temo que algo pior ocorra", relatou a mulher, que na manhã de ontem implorou por ajuda no batalhão da Polícia Militar de Caarapó.


A Força Nacional chegou ontem na área de conflito com 53 policiais e pelo menos outros 20 militares também atuam na região. O procurador Marco Antonio Delfino, do Ministério Público Federal (MPF) tenta manter os ânimos entre ruralistas e indígenas. No final da manhã de ontem, acompanhado de equipe da Funai, ele levou alguns sitiantes até suas propriedades para retirar do local máquinas agrícolas e gado.


José Wilson de Souza, funcionário da Fazenda Novilho, foi um dos autorizados a entrar para pegar gados e maquinários. "Sempre tivemos uma relação pacífica com os indígenas e desta vez eles chegaram invadindo tudo. Tivemos que abandonar o local", afirmou.


Indígenas fecharam estradas vicinais que dão acesso à aldeia, a sítios e a fazendas. Ninguém sai e entra nas propriedades. Armados com foices, arcos e flechas, somente veículos oficiais que já atuam dentro da aldeia conseguem passar.


Está prevista a visita do governador Reinaldo Azambuja ainda hoje na área de conflito. Ontem, uma comitiva da Comissão de Direitos Humanos (CDH) da Câmara dos Deputados esteve no local, dentre eles os deputados Paulo Pimenta (PT-RS) Padre João (PT-MG), Zeca do PT (PT-MS) e Wander Loubet (PT-MS).

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