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Ciclo de retaliação no Oriente Médio deve acabar, diz chefe da ONU após ataques ao Irã

Com supostos bombardeios israelenses perto de usina nuclear no Irã, António Guterres pede fim de retaliações no Oriente Médio

19 Abr 2024 - 19h45Por ONU News
Crianças escalam as ruínas de uma propriedade em Deir Al-Balah, no centro de Gaza - Crédito: Crianças escalam as ruínas de uma propriedade em Deir Al-Balah, no centro de GazaCrianças escalam as ruínas de uma propriedade em Deir Al-Balah, no centro de Gaza - Crédito: Crianças escalam as ruínas de uma propriedade em Deir Al-Balah, no centro de Gaza

Após relatos de ataques israelenses no Irã, perto de uma usina nuclear, nesta sexta-feira, o secretário-geral da ONU, António Guterres, fez um novo apelo a todas as partes para “interromper o perigoso ciclo de retaliação no Oriente Médio”.

Em comunicado divulgado por seu escritório, o chefe das Nações Unidas condenou qualquer ato de retaliação e apelou à comunidade internacional para que trabalhe em conjunto a fim de evitar qualquer novo desenvolvimento que possa levar a consequências arrasadoras para toda a região e além.

Perigo nuclear

Fazendo eco a essas preocupações, o chefe da Agência Internacional de Energia Atómica, Aiea, Rafael Grossi, pediu “extrema moderação” às partes, após mais de seis meses e meio de guerra em Gaza, que alimentaram os temores de um conflito regional mais amplo. 

Em sua rede social, a agência confirmou que não houve danos às instalações nucleares do Irã. Além de moderação, Grossi reiterou que as instalações nucleares nunca devem ser um alvo em conflitos militares.

A publicação foi feita após relatos não confirmados da mídia de que possíveis ataques de drones tinham como alvo a província iraniana de Isfahan, que abriga instalações nucleares e guarnições militares. 

Em Genebra, o Escritório de Direitos Humanos da ONU pediu a todas as partes que "tomem medidas para diminuir a escalada da situação" rapidamente. O porta-voz Jeremy Laurence pediu às nações com influência que façam tudo o que estiver ao seu alcance para garantir que “não haja mais deterioração em uma situação já extremamente precária”.

Um menino é tratado por uma equipe móvel de emergência no norte de GazaUm menino é tratado por uma equipe móvel de emergência no norte de Gaza - Foto: OMS

 

Fome e medo

Em Gaza, as equipes de ajuda humanitária ofereceram uma nova visão dos perigos enfrentados pelos civis palestinos, especialmente mulheres grávidas e mães que amamentam, como resultado da "destruição arbitrária" de equipamentos médicos vitais e da "desidratação, desnutrição e medo" generalizados entre os palestinos.

Falando a jornalistas em Genebra, o representante do Fundo de População da ONU para o Estado da Palestina, Unfpa, disse que há indícios de que o número de partos complicados é quase o dobro do que era antes do início da guerra.

Segundo Dominic Allen, antes do conflito, cerca de 15% dos partos exigiam alguma forma de atendimento obstétrico de emergência. Agora, alguns médicos relataram que o volume dobrou em relação ao que era observado anteriormente. 

Para os profissionais humanitários, isso se deve à desnutrição, à desidratação e ao medo, que afetam a capacidade da gestante de dar à luz com segurança e carregar o bebê até o fim da gestação.

Destruição arbitrária

Allen descreveu sua mais recente missão em Gaza para avaliar o impacto dos ataques israelenses ao sistema de saúde nos hospitais afetados por conflitos nas províncias do norte, centro e sul.

De Jerusalém, ele avaliou que ficou claro que os hospitais remanescentes no enclave, incluindo o segundo maior, o Nasser, estão “se agarrando à própria vida, enquanto são uma tábua de salvação para as mulheres grávidas de Gaza”.

Ele afirmou que os equipamentos médicos foram propositalmente quebrados, como aparelhos de ultrassom com cabos cortados e telas quebradas. “Portanto, destruição proposital e arbitrária na maternidade”, afirmou.

Antes do início dos intensos bombardeios israelenses em resposta aos ataques terroristas liderados pelo Hamas no sul de Israel, em 7 de outubro, o Hospital Nasser, na cidade de Khan Younis, no sul do enclave, abrigava uma maternidade que as equipes do Unfpa apoiavam há anos.

Para voltar a funcionar plenamente, o hospital precisará, no mínimo, de serviços de água e saneamento recondicionados e reparos nos geradores de eletricidade danificados. O representante da agência afirmou que ficou ao lado do armazém de entrega de suprimentos e disse que o local estava “literalmente queimando”. Segundo ele, há muito trabalho a ser feito em termos de tentar restabelecer essa linha vital.

Medo 'palpável'

A missão do Unfpa, que começou na segunda-feira, 8 de abril, e terminou nesta quarta-feira, foi realizada em parceria com a Organização Mundial da Saúde, OMS, o escritório de coordenação de ajuda da ONU, OCHA, e a agência da ONU para refugiados palestinos, Unrwa.

O objetivo era visitar cerca de 10 hospitais em Gaza, entre eles o Al Aqsa Hospital, na região central do enclave, que estava "sobrecarregado com pacientes com traumas" e não oferecia suporte ao atendimento de maternidade. 

No Emirati Hospital, no sul do enclave, Allen contou que se encontrou com o diretor médico da instituição, que disse que "ele não vê mais bebês de tamanho normal".

Voltando a Rafah e aos contínuos temores de uma incursão israelense, o representante do Unfpa ressaltou a "grande sensação de medo" que paira sobre os mais de 1,2 milhão de pessoas que se abrigam ali.

Ele disse que “há um medo palpável” por parte dos habitantes de Gaza com quem conversou, incluindo parteiras, médicos, mulheres grávidas, e colegas da ONU em Gaza.

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