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FASP 2022

Quebra-Torto com Letras terá escritores que revelam a natureza humana latino-americana

É o mais típico café da manhã pantaneiro, servido nas fazendas de MS antes da lida no campo

14 Mai 2022 - 15h00Por antes da lida no campo
O Quebra-Torto acontece na sexta-feira (27 de maio) e no sábado (28), sempre às 8 horas, no Moinho Cultural Sul-Americano - Crédito: DivulgaçãoO Quebra-Torto acontece na sexta-feira (27 de maio) e no sábado (28), sempre às 8 horas, no Moinho Cultural Sul-Americano - Crédito: Divulgação

No campo da literatura latino-americana, nesta 16º edição do Festival América do Sul Pantanal (FASP), que acontece de 26 a 29 de maio de 2022 em Corumbá, o “Quebra-Torto com Letras” tem o prazer de contar com a presença de grandes escritores que em seus textos revelam a natureza humana latino-americana: Ana Maria Shua (Argentina), Carla Maliandi (Argentina), Maria Valéria Rezende (Brasil/Paraíba), Santiago Nazarian (Brasil/São Paulo), Márcia Medeiros (Brasil/Mato Grosso do Sul) e Tânia Souza (Brasil/Mato Grosso do Sul). 

O Quebra-Torto é o mais típico café da manhã pantaneiro, servido nas fazendas de Mato Grosso do Sul antes da lida no campo. É composto por ingredientes que seriam mais comuns em um almoço bem-servido. Conhecido em todo o território sul-mato-grossense, a composição é sempre rica e saborosa.

No Festival o Quebra-Torto ganha nuances literárias ao trazer, para este momento de compartilhamento, a presença de escritores das diversas regiões latino-americanas para apresentarem suas obras e protagonizar debates e reflexões acerca de temas da atualidade. A mediação do Quebra-Torto com Letras nesta 16ª Edição do Festival América do Sul Pantanal ficará a cargo da professora doutora Rosana Cristina Zanelatto Santos e do professor doutor Wellington Furtado Ramos.

A curadoria é do professor doutor Andre Rezende Benatti: “A curadoria do Quebra-Torto foi um pouco complicada por conta da quantidade de escritores de qualidade que nós temos na América Latina. Isso dificultou uma escolha desses escritores. Nós tentamos delimitar um perfil: que tipo de textos estes sujeitos trabalham e nós precisávamos de um perfil mais múltiplo possível. Então a escolha dos autores, para também em alguma medida satisfazer ao nosso desejo de uma América Latina que seja múltipla dentro da sua literatura, nós buscamos escritores que fossem os mais diversos possíveis, mas que mantivessem dentro do seu texto uma raiz humana, um texto literário que falasse, que se expressasse a partir da realidade humana”.

O Quebra-Torto acontece na sexta-feira (27 de maio) e no sábado (28), sempre às 8 horas, no Moinho Cultural Sul-Americano. Para participar, tem que chegar bem cedinho, pois serão disponibilizados somente 200 ingressos para entrada por ordem de chegada.

No dia 27 discutem seus processos de escrita Ana Maria Shua, Maria Valéria Rezende e Tânia Souza, com mediação da professora Rosana Zanelatto. Haverá uma apresentação com Tati de Conto. No dia 28, falam sobre a estética da palavra latino-americana os escritores Carla Maliandi, Santiago Nazarian e Marcia Medeiros, com mediação de Wellington Furtado. Haverá uma apresentação cultural com Salim Haqzan.

O professor André Rezende Benatti salienta também a importância do Quebra-Torto dentro da programação do FASP como uma forma de criar um espaço de discussão do texto literário em si e do fazer literário. “Eu acho que esse espaço ele congrega, em alguma medida, diversas perspectivas, a partir, claro, da escolha da curadoria, que a gente pode ter do próprio ser humano sendo debatidas no festival, dentro do Quebra-Torto. Não que a gente não perceba a presença da literatura em outros momentos do Festival, porque se a gente pegar numa perspectiva da narratividade, você vai ter literatura no teatro, você vai ter narratividades na música, na performance, diversos tipos de narratividades. Mas o espaço do Quebra-Torto é diferenciado, porque ele vai privilegiar esse texto em si e as diferenciações dos seres humanos ali representados dentro do texto literário, que é narrativo, mas é poético também, e diverso”.

Sobre os autores convidados:

Ana María Shua publicou seu primeiro livro, El sol y yo, poetas, em 1967. Em 1980, seu romance I am a Patient ganhou o prêmio Losada. Seus outros romances são Los amores de Laurita, (transformado em filme), O Livro das Memórias (Guggenheim Grant), A Morte como Efeito Secundário (Prêmio Cidade de Buenos Aires para um romance e Prêmio Club de los Trece), O Peso de tentação e a última, Filha (2016). Em 2009, seus quatro livros de histórias foram publicados juntos sob o título “Que você tenha uma vida interessante”. Em 2014 ganhou o Platinum Konex Awards e o National Short Story Prize. Em 2015 recebeu o Lifetime Achievement Award da Association of Awarded Artists. E em 2016 o Prêmio Democracia. Recebeu também diversos prêmios nacionais e internacionais por sua produção infanto-juvenil, amplamente distribuída na América Latina e Espanha. Parte de sua obra foi traduzida para quinze idiomas. Em 2016, recebeu o 1º Prêmio Internacional Juan José Arreola de Minifiction no México. Seus primeiros livros no gênero são La sueñera, Casa de Geishas, Botany of Chaos, Season of Ghosts e Circus Phenomena. Com uma parte de Phenomena foram publicados juntos em Cazadores de Letras, em Madrid. E os cinco completos foram publicados em Todos los Universos Posible, em Buenos Aires. Seu último livro também é sobre micro-histórias, chama-se La Guerra e foi publicado em 2019 em Buenos Aires e Madri.

Carla Maliandi é dramaturga, escritora, pesquisadora, diretora teatral e professora. Ela completou seus estudos de graduação e pós-graduação na Universidade Nacional de Artes. Como diretora e dramaturga, estreou sete peças e participou de diversos festivais nacionais e internacionais. Publicou artigos e contos em vários suplementos culturais e antologias. Seu primeiro romance The German Room (Mardulce, 2017) foi traduzido para o inglês, alemão, francês e português e seus direitos adquiridos para sua produção cinematográfica. Seu segundo romance La estirpe (Penguin Random House, 2021) teve excelente recepção crítica, foi contratado para tradução em inglês e português e será publicado na Espanha e países de língua espanhola em junho deste ano. Atualmente leciona aulas no Bacharelado em Artes da Escrita na Universidade Nacional de Artes.

María Valéria Rezende escreve ficção, poesia e é também tradutora. Além disso é ainda ativista e participa do Movimento Mulherio das Letras, pelo qual deu a cara em sua primeira edição, em 2017, em João Pessoa (PB). Ganhou um Jabuti em 2009, Categoria Infantil, com a obra No risco do caracol (Ed. Autêntica, 2008) e, em 2013, na Categoria Juvenil, outro Jabuti com o romance Ouro dentro da cabeça (Ed. Autêntica, 2012). Os Jabutis para Melhor Romance e Livro do Ano de Ficção chegaram em 2015, pelo seu romance Quarenta Dias (Ed. Alfaguara, 2014). O seu último romance Outros Cantos (Ed. Alfaguara, 2016) valeram-lhe o Prêmio Casa de las Américas (Cuba, 2017), o Prêmio São Paulo de Literatura e o terceiro lugar no Prêmio Jabuti 2017. Entre suas obras constam O Voo da Guará Vermelha (2005); Quarenta Dias (2014); Vasto Mundo (2001); Outros cantos (2016); Carta à Rainha Louca (2019).

Santiago Nazarian escreve romances, é tradutor, roteirista e colabora com diversos periódicos. Descreve seu projeto literário como "existencialismo bizarro", no qual mescla questões atemporais da literatura existencialista com cultura pop, sarcasmo e horror. Tem obras publicadas em vários países da América Latina e Europa e direitos vendidos para cinema e teatro. Em 2003 ganhou o Prêmio Fundação Conrado Wessel de Literatura com seu romance de estreia. Em 2007, foi eleito um dos escritores jovens mais importantes da América Latina pelo júri do Hay Festival em Bogotá, Capital Mundial do Livro.  Em 2021 foi finalista dos prêmios Jabuti e Oceanos e recebeu segundo lugar no Machado de Assis, da Biblioteca Nacional. Entre suas obras constam A Morte Sem Nome (2004); Feriado de Mim Mesmo (2005); Mastigando Humanos (2006); O Prédio, o Tédio e o Menino Cego (2009); Pornofantasma (2011); Garotos Malditos (2012); Biofobia (2014); Neve Negra (2017); Fé no Inferno (2020).

Márcia Medeiros escreve contos e romances. É doutora em Letras e professora na Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul. Coordena o Laboratório de Estudos Tanatopedagógicos da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul. Entre suas obras contam A Idade Média Narrada por um Vampiro 1 (2017); A idade média Narrada por um Vampiro 2 (2018);  O Bugre e Outro Escritos (2020); A História de Tarim (2021).

Tânia Souza escreve poesias, contos, crônicas e é professora. São de sua autoria as coletâneas De(s)amores e outras ternurinhas (2016); Estranhas delicadezas (2017).  Um gato no jardim (2018); Bichinhos da horta (2018). Participou por três anos do sítio Quotidianos e, atualmente, publica suas criações literárias na página Tânia Souza, no Facebook. Outros dos seus textos podem ser encontrados em espaços virtuais diversos, como no sítio Contos de Terror. 

Mediação

Rosana Cristina Zanelatto Santos é professora e crítica literária. Doutora em Letras pela Universidade de São Paulo, é professora Titular da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, sendo esta a categoria mais elevada da carreira docente no Brasil. Durante quase trinta ano de atuação como professora do Ensino Superior ocupou cargos de grande relevância tanto em nível estadual quanto nacional, foi Vice-Presidente da Associação Brasileira de Professores de Literatura Portuguesa - ABRAPLIP (2010-2011); Presidente da Associação Brasileira de Professores de Literatura Portuguesa - ABRAPLIP (2012-2013); foi Vice-Presidente do Conselho Curador da Fundação de Apoio à Pesquisa, ao Ensino e à Cultura (FAPEC) (2017-2018); e Presidente do Conselho Curador da Fundação de Apoio à Pesquisa, ao Ensino e à Cultura (FAPEC) (2018-2021). É Membro e Vice Coordenadora do GT de Literatura e Ensino da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Letras e Linguística - ANPOLL. Atual Vice-Presidente do Conselho Curador da Fundação de Apoio à Pesquisa, ao Ensino e à Cultura (FAPEC). Desde 2007 é Bolsista Produtividade em Pesquisa – Nível 2 – do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – CNPq.

Wellington Furtado Ramos é professor e crítico literário. Doutor em Letras pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul. Atua como Professor Adjunto, da Carreira do Magistério Superior, da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul na área de Letras/Teoria Literária. Docente Permanente do Programa de Pós-Graduação em Estudos de Linguagens (PPGEL/UFMS), no Campus do Pantanal. É Membro Associado do GEL (Grupo de Estudos Linguísticos), da ABH (Associação Brasileira de Hispanistas), da ABRALIC (Associação Brasileira de Literatura Comparada) e da ABRAPLIP (Associação Brasileira de Professores de Literatura Portuguesa). Membro do GT Literatura e Ensino da ANPOLL (Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Letras e Linguística). Foi Coordenador Adjunto de avaliação de obras literárias do Programa Nacional do Livro e do Material Didático (PNLD LITERÁRIO 2018) e Avaliador de recursos do Edital PNLD Literário 2020, ambos a convite do Ministério da Educação (MEC). É membro representante da área de Literatura no Comitê Assessor de Área Formação Geral (CAA) do Banco Nacional de Itens (BNI) para a realização do ENADE 2020/2021 e 2022, a convite do INEP. Editor de Literatura, Estudos Comparados e Interartes da Revista Papéis.

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