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Brô MC’s participa de novo trabalho do DJ Alok

Imerso nas raízes sonoras de povos originários brasileiros, artista produz o primeiro álbum autoral

19 Jul 2021 - 14h00Por Da Redação
Primeiro grupo de rap indígena no Brasil, Bro MC´s grava música com Alok - Crédito: DivulgaçãoPrimeiro grupo de rap indígena no Brasil, Bro MC´s grava música com Alok - Crédito: Divulgação

O grupo douradense Brô MC’s, primeiro de rap indígena do Brasil, participa de novo projeto do DJ Alok. Imerso nas raízes sonoras de povos originários brasileiros, o artista produz o primeiro álbum autoral de sua carreira. O grupo douradense embarcou no dia 08 e chegou em Dourados no último dia 14. Nas redes sociais o grupo revelou a emoção. “Segundou aqui do jeito que a gente ama, imersão musical com o Alok. Valeu irmão pelo convite. Obrigado a todos que estão chegando e somando no nosso perfil, tem muitas novidades vindo por aí”, anunciou o grupo formado por Bruno Veron, Clemerson Batista, Kelvin Peixoto e Charlie Peixoto. Alok também utilizou as mídias sociais para falar do trabalho. “É com muita alegria que compartilho esse momento com vocês: Comecei a produzir o primeiro álbum da minha carreira. E como fonte de inspiração estou imerso nas raízes indígenas. Ficarei trabalhando aqui pelos próximos 30 dias. Obrigado pela energia positiva, galera. Sem dúvidas, o projeto mais especial da minha carreira”, publicou o artista.

Projeto anterior

O interesse de Alok pelos povos indígenas não é de hoje. Antes desse projeto, o DJ lançou em 2015 uma música composta por sons de rituais indígenas. Na época, ele chegou a ficar três dias na Aldeia Mutum, em Tarauacá, com os povos da etnia Yawanawá. Foram seis pessoas da equipe do DJ para capturar a experiência em meio a floresta amazônica.

De acordo com o artista na época, a ideia de visitar a aldeia surgiu de uma empresa que já havia feito um trabalho na tribo. E foi nesse encontro que tive a oportunidade de escutar algumas das músicas da tribo Yawanawá. Me encantei na hora e decidi conhecer a cultura da tribo sem imaginar que aquilo viria a se tornar a experiência mais incrível da minha vida”, contou na época. Ainda dessa experiência, o artista lançou, em 2016, o minidocumentário “Yawanawá - A força”, publicado em plataformas digitais. A produção, de 21 minutos, mostra o encontro do artista com a etnia Yawanawá.

Bro MC História

Em 2007 os jovens começaram a construir outros caminhos para suas vidas por meio da música. Em específico pelo Rap, os jovens foram aderindo à cultura Hip Hop, influenciados pelo estilo e pelas letras das músicas. 

O sentimento de pertencimento foi além de simples ouvinte, e em 2007 o fundador do Brô MC’s Bruno Veron começa a escrever suas primeiras canções relatando a realidade da aldeia sob seu ponto de vista. Em 2008 o irmão dele Clemerson Batista Veron se junta a Bruno para dar continuidade ao projeto, assim como os também irmãos Kelvin Peixoto e Charles Peixoto, nesse ano eles fazem uma participação nos extras do Filme Terra Vermelha do diretor italiano Marco Bechis.

Ainda em 2008, Higor Lobo convida o grupo para participarem da música “No Yankee” do seu segundo álbum intitulado Outra Fase, onde o grupo mescla o português com o guarani. Com essa música o Brô se consagra vencedor do Festival Rap Popular Brasileiro e ganha o direito de representar o estado na final nacional do Festival no Rio de Janeiro em 2009.

Com o passar do tempo foram realizadas diversas oficinas de Hip Hop na aldeia indígena Jaguapiru pela CUFA no sentido de potencializar as práticas dos jovens indígenas, sempre valorizando a cultura indígena, tendo o Hip Hop apenas como um instrumento dessas manifestações. Durante as oficinas surgiu à idéia de gravar o CD demo do Brô MC`s, o processo de produção e composição das músicas, de produção e gravação vai de outubro a dezembro, sendo o lançamento no Festival Conexão Hip Hop em dezembro de 2009 em Dourados – MS.Após o lançamento do CD o primeiro grupo de rap indígena do Brasil já se apresentaram no Brasil e no exterior, sendo um sucesso de crítica não apenas por suas letras e temas abordados, como também pelo valor simbólico cultural de uma junção inusitada do rap com a cultura indígena, do português com o guarani como nas letras “Terra Vermelha” e “Tupã”, e “Eju Orendive”. O disco traz músicas que envolvem os mais diversos temas, um trabalho que mescla culturas evidenciando todas as potencialidades desses jovens guaranis.

 

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