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Educação

Sem internet, evasão escolar nas aldeias de Dourados pode passar de 40%

29 Mai 2020 - 15h43Por Valéria Araújo
Sem internet, evasão escolar nas aldeias de Dourados pode passar de 40% - Crédito: Eliel Oliveira/arquivo Crédito: Eliel Oliveira/arquivo

O ensino a distância é um desafio na Reserva Indígena de Dourados. Sem internet e acesso a computadores, os alunos recebem atividades em uma espécie de cartilha impressa, que eles precisam buscar na escola, levar para a casa, desenvolver os exercícios e devolver para a correção.

 
Nas turmas da pedagoga Micheli Alves Machado, uma minoria conseguiu terminar o ciclo. “Em alguns casos eles não buscaram a atividade, em outro não devolveram e em outra situação, não conseguiram fazer os exercícios sozinhos.  Em uma das minhas turmas que tem  35 alunos, apenas seis entregaram”, destacou, observando que a comunidade estima que se nada for feito haverá evasão escolar em mais de 40% pós pandemia. 

Professora Micheli Alves Machado


Segundo a pedagoga, as crianças estão em casa, mas sem acesso à escola o que, para ela, é uma situação grave. “É necessário que de alguma forma a gente encontre uma solução para que se chegue a essas crianças. É urgente tomar medidas para evitar a interrupção da educação e garantir acesso a modalidade de ensino à distância continuada e flexíveis para todas as crianças em casa incluindo aquela sem acesso à internet e aquelas que têm deficiência. Esta é uma crise educacional sem precedente na história do Brasil e principalmente nas comunidades mais vulneráveis, como as indígena. Mesmo porque nunca houve tanta escola fechada ao mesmo tempo devido a expansão de casos de Covid-19”, destaca.


Ela continua: “Se o fechamento da escola for prolongado, há um grande risco das crianças e adolescentes ficarem atrasadas em seu aprendizado e é possível que os estudantes, principalmente adolescentes nunca mais voltem a escola. Então é vital que eles não parem de aprender em casa e precisamos encontrar uma maneira que deve ser discutida com os professores indígenas, coordenadores, lideranças, equipe da gestão da Educação do município e do Estado com o objetivo deles continuarem aprendendo de forma mais prática e de qualidade”, orienta.

Segundo a pedagoga, uma alternativa que poderia ser avaliada é a aula via rádio, mas isso deve ser discutido com toda a comunidade. “O fechamento das escolas implica não só no aprendizado, mas também em serviços básicos e importantes como a merenda escolar, programas recreativos e atividades extracurriculares,  além do apoio ao serviço que as escolas também desenvolveram com as crianças através de projetos e de outras formas de serão afetadas como em projetos de saúde, água, saneamento básico e higiene. A discussão para educação de qualidade em casa é necessária e urgente”, alerta.

Para a professora Ana Cristina de Souza a educação também está sendo uma tarefa difícil. “Se antes da pandemia já havia muitas dificuldades no ensino, imagina agora? O ensino à distância dificultou muito o aprendizado dos alunos e isso fez com que eles pensem duas vezes antes de querer estudar. Um deles me procurou e disse que não vai mais voltar para a escola porque ele acredita que não vai conseguir. O aluno contou que se na sala de aula já é difícil porque ele precisa conciliar os estudos e o trabalho, imagina agora com os vários trabalhos sem acesso a explicação que antes tinha em sala de aula”, conta, observando que a dificuldade é ainda maior para quem fala a língua materna. “Na escola eles conseguem se comunicar com os professores. Em casa a realização dos trabalhos se torna um desafio grande porque o professor não está ali para orientar e tirar dúvidas”, explica, lamentando que esse ano eles estão recebendo o mínimo do ensino previsto.

Foto: Eliel Oliveira

Luiz de Souza Freire Júnior é diretor de escola. Apesar dos desafios, ele tem boas perspectivas em relação ao ensino a distância. "Na reserva tudo é mais difícil. A grande maioria não tem acesso a internet, os que possuem muitas vezes não tem a qualidade necessária para acesso às aulas. Mas aos poucos a tecnologia vai chegando, cerca de 30% já tem acesso, como não houve um tempo de adaptação está sendo difícil mais aos poucos estamos conseguindo, os alunos sem acesso estão recebendo atividades impressas e entregando aos professores", relata.

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