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Morte de abelhas prejudica produção agrícola e biodiversidade

A redução tem gerado preocupações ecológicas e econômicas, devido às perdas ao meio ambiente

29 Set 2020 - 12h55Por Gracindo Ramos
Morte de abelhas prejudica produção agrícola e biodiversidade - Crédito: Felipe Varussa de Oliveira Lima Crédito: Felipe Varussa de Oliveira Lima

Cientistas, apicultores e agricultores têm relatado impactos negativos para as abelhas e, consequentemente, na polinização de plantas cultivadas. “Pesquisas têm apontado que as populações de abelhas têm diminuído significativamente em vários países. Tal redução tem gerado preocupações ecológicas e econômicas, devido às perdas, tanto na produtividade agrícola como na conservação da biodiversidade”, alerta o biólogo pesquisador Felipe Varussa de Oliveira Lima. Vários fatores podem estar relacionados com diminuição de populações desses insetos e hipóteses têm surgido, como a falta de recursos para a sobrevivência das colônias devido à fragmentação do habitat, parasitas e patógenos, intensificação na utilização do solo, plantas geneticamente modificadas e uso indiscriminado de agrotóxicos.

Felipe explica que as abelhas são polinizadoras de plantas cultivadas e as não cultivadas pelo ser humano, gerando frutos e sementes, produção de alimentos e outros recursos para diversas espécies. Elas são um elo de ligação entre os produtores (plantas) e os herbívoros e carnívoros, sendo base de diversas cadeias alimentares. Conforme o ecossistema, esse trabalho das abelhas pode atingir de 40 a 90% das espécies de plantas.

Varussa pesquisa abelhas há 17 anos e tem trabalhado na identificação de espécies. As coletas são realizadas em diversas cidades que englobam alguns dos principais ecossistemas do Estado: Cerrado, Mata Atlântica, Pantanal e Chaco. Grande parte dos espécimes coletados estão depositados na coleção científica do Museu da Biodiversidade da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD). De acordo com ele, nessa região “foram contabilizadas 392 espécies de abelhas, sendo que esta lista já precisa ser atualizada [...] Muitas dessas espécies de abelhas ainda não foram observadas pela população. Temos nos esforçado em divulgar esse conhecimento, através de projetos de extensão e ensino”. Na cidade de Dourados, Felipe já encontrou abelhas que ocupam árvores, como Sibipirunas, Flamboyant e Ipês, e também muros, postes de energia e caixas de correio. 

Sobre a atividade agropecuária, o biólogo reconhece que “tem um papel importante na economia do estado, mas, por outro lado, se desenvolveu e, em muitos casos, se desenvolve sem responsabilidade social e ambiental, num modelo de produção adotando práticas como queimadas, desmatamento ou conversão da vegetação em pastagens e utilização de agrotóxicos”. Isso tem efeito negativo sobre as abelhas, fauna, folha e saúde humana. As medidas a serem adotadas, conforme Felipe, “passa por gestores, pesquisadores e diálogo com a população, incluindo produtores rurais, agricultores familiares, povos tradicionais e diversos segmentos da sociedade. Permitindo, a partir de investimentos em educação, ciência e tecnologia, assegurar ações que colaborem para melhores práticas agrícolas, desenvolvendo a apicultura, meliponicultura e manejo de abelhas nativas em prol da conservação das espécies e assegurando segurança alimentar. E, com certeza, com reflexos para a economia e para as condições sociais e ambientais nos ecossistemas brasileiros”.

O pesquisador destaca também a importância da “arborização, o cuidado e a preocupação com a diversidade e escolha de espécies vegetais presentes na arborização urbana dos municípios, pois essas podem favorecer a adaptação das abelhas na área urbana, disponibilizando locais de nidificação, fontes de recursos e alimento fornecido por estas espécies de árvores. A espécie exótica Apis melífera [abelha-europeia], também se adaptou muito bem nas áreas urbanas”. Ele ainda esclarece que a universidade coopera com a apicultura, em pesquisas de “melhoria genética e ações de extensão em assentamentos rurais e outros espaços, implementando estruturas e dando apoio técnico”.  


Apicultura

“A gente tem projetos em diversas áreas, desde genética até software. Então a universidade tem sido muito benéfica para o crescimento da empresa”, afirma Raoni Loureiro de Oliveira, apicultor e empresário do setor em Dourados. Os apiários têm um plantel de 500 colmeias no campo e em áreas de reserva. O entreposto é de produtos apícolas, derivados da abelha como mel, cera, pólen e própolis, que são comercializados em todo o Brasil e também exportados. As abelhas são do tipo africanizada (Apis mellifera). “A apicultura vem tendo um grande avanço tecnológico. E isso vem possibilitando que os apicultores possam ter uma maior produtividade por colmeia, hoje, dentro de suas áreas. Tudo isso por manejos mais específicos”, complementa.

“O mel teve uma boa valorização de mercado. Isso proporcionou também que tenha uma grande entrada de novos produtores de mel. Um balanço sobre a produção, nos últimos anos, eu creio que a gente tem crescido em termos de produtividade, por causa de um bom manejo e tecnologia no campo. Só que tem algumas intempéries, que não vem da produção de mel, e sim de problemas no campo com agrotóxicos. O excesso de agrotóxico nas áreas de aplicação, ela mata muitos agentes polinizadores. E esses são responsáveis por toda a flora da região. A polinização é essencial para a preservação da espécie e de toda a flora. Tanto as abelhas como vespas e outros agentes polinizadores, são responsáveis por toda aquela fertilidade. Então, quando a gente utiliza o excesso de agrotóxico, você vai perdendo isso em grandes proporções, porque as regiões que são aplicadas são muito grandes. Hoje, um grande dilema é de o produtor conseguir trabalhar em harmonia com o agricultor, afim de que ele se sensibilize nas aplicações e as áreas que ele realmente necessita. Porque, muitas vezes, o próprio agricultor sabendo que tem abelha na propriedade ele também evita de prejudicar área onde a abelha está inserida”. 

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