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Bombeiros superam cansaço, calor e dificuldades de acesso para controlar incêndios no Amolar

01 Out 2020 - 11h00
Bombeiros superam cansaço, calor e dificuldades de acesso para controlar incêndios no Amolar - Crédito: André Zumak/IHP Crédito: André Zumak/IHP

A superação ao enfrentar altas temperaturas e dificuldades de acesso que levam à exaustão, poucas horas de sono e a concentração para manter o equilíbrio emocional, foram situações desafiadoras para os bombeiros de Mato Grosso do Sul e do Paraná durante dez dias de combate aos focos de calor na região da Serra do Amolar, 220 km ao Norte de Corumbá.

“Foi uma experiência nunca vivida, nos proporcionou enriquecimento profissional e pessoal”, traduziu a tenente paranaense Luisiana Guimarães, 36, que esteve, por diversas situações, à frente do fogo. Na segunda-feira, 28, ela passou 12 horas de grande tensão no vale da serra, onde o fogo avançava rapidamente para uma área de 70 mil hectares de reservas.

Navegação no limite

A força-tarefa estruturada pelo Estado, que em alguns momentos chegou a contar com mais de 70 combatentes, entre bombeiros, brigadistas e voluntários das organizações não-governamentais, desempenhou a contento duas missões: proteger as populações ribeirinhas e a Serra do Amolar, lugar de relevância para a conservação da biodiversidade do bioma.

O efetivo dos bombeiros subiu o Rio Paraguai no dia 23 de setembro, no navio Paraguassu, da Marinha de Ladário, que navegou no limite devido ao baixo nível de água com a seca: 150 km. Os 90 km à frente, até o Parque Nacional do Pantanal, na divisa de Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, foram feitos de lancha, navegando à noite entre bancos de areia e pedra no fundo do rio.

O êxito da operação desencadeada pelo Governo do Estado, por meio da Semagro (secretaria Estadual de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar), elevou o grau de satisfação da guarnição e todos os bombeiros se sentiram gratificados pelo sucesso alcançado e a oportunidade de defender um bioma patrimônio da humanidade.

“O Pantanal é um terreno que dificulta o combate às chamas”, relata o tenente bombeiro Jonatas Lucena, de Corumbá. “A temperatura excessiva, acima de 40 graus, causa muito desgaste, assim como os deslocamentos pelo curso do rio, em até 2h, ou pelo solo, carregando equipamentos pesados por 10 a 15km. E encontramos ainda muito brejo, atolando até os joelhos. ”

A “guerra” no Amolar

Divididos em dois barcos, os bombeiros priorizaram as ações na área ribeirinha da Barra do São Lourenço, onde vivem mais de 200 pessoas. A comunidade vive da venda de iscas, peixes e artesanato e foi ameaçada com fogo. Algumas famílias foram retiradas de suas casas, abrigando-se na escola municipal, e toda a área foi protegida com aceiro.

O maior desafio foi combater o fogo que se alastrou pelo entorno da serra, na sexta-feira, 25. Os bombeiros, que se encontravam no Rio Cuiabá, distante 45 km da sede da reserva Eliezer Batista, atenderam a emergência vinda pelo rádio transmissor e se uniram aos brigadistas e aos funcionários para debelar as chamas, que ameaçavam chegar às edificações.

“Enfrentamos outra realidade em relação ao nosso Estado”, conta o tenente paranaense Pedro de Faria, 27. “Dificuldades de acesso, muito cansaço e carga de estresse que não vivenciamos, além da potencialidade dos incêndios, situação que mexe com o seu psicológico. Mas ficamos extremamente satisfeitos e gratificados por participar dessa ação, fazendo o diferencial. ”

Para conter o fogo e não deixá-lo atingir a Serra do Amolar, o que ocorrendo tornaria incontrolável a situação, os bombeiros se revezaram em uma longa e exaustiva viagem por 8 km, usando barcos, trator e quadriciclo, além da caminhada com equipamentos nos ombros. O trabalho diurno e noturno foi compensado com o controle das chamas, ao quinto dia.

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