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Vagalhão neoliberal

28 Nov 2015 - 07h00



Mais que uma onda, estamos (re)vivendo um vagalhão neoliberal avançando pela América Latina. Normalmente essas iniciativas nascem nos Estados Unidos e vão se espalhando. Antes do Golpe de 1964, que culminou com a ditadura militar, foi preparado o que se chamou “Doutrina da Segurança Nacional”, envolvendo Brasil, Uruguai, Argentina, Paraguai, Chile, Equador, Venezuela, Colômbia, enfim, com a ajuda brasileira os Estados Unidos conseguiram implantar regimes militares de direita em todo o Sul da América, tendo como pano de fundo a consagração da doutrina capitalista liberal nesses países, um capítulo da Guerra Fria pós Segunda Guerra.

Outro vagalhão foi o chamado “Consenso de Washington”, que gerou um novo tipo de liberalismo econômico, ainda mais cruel que o liberalismo clássico surgido com a Revolução Industrial. Tratava-se do Neoliberalismo, nascido após a queda do muro de Berlim em 1989. Foi uma fase de implantação de um capitalismo verdadeiramente selvagem, pregando um Estado Mínimo e a “entrega” dos destinos da economia nas mãos da classe dominante. Era um tal de quem pode mais chora menos. Quem fosse pobre era o próprio culpado de sua pobreza, ao Estado isso não tinha importância. Lembro-me de várias citações que enalteciam a competição.

Uma delas dizia que “na África toda a manhã uma gazela acorda e sabe que tem que correr para não ser devorada e um leão acorda sabendo também que tem que correr para poder almoçar. E a conclusão: “leão ou gazela corra”.

Os estados capitalistas estavam convencidos de que o socialismo estava sepultado. Fukuyama escreveu um livro decretando “O fim da História”. Felizmente houve uma reação e as nações em desenvolvimento, ao término das ditaduras militares, escolheram governantes mais à esquerda que, embora não tenham implantado o socialismo em país nenhum ao menos tentaram restabelecer o Estado de bem-estar social.

Mujica no Uruguai, Kirchner na Argentina, Lugo no Paraguai, Evo Morales na Bolívia, Lula no Brasil e o mais radical dentre eles Chaves na Venezuela. Esses presidentes conseguiram no máximo um pacto tácito ou explicito (como a Carta de Lula) com a classe dominante e conseguiram um avanço surpreendente no combate à pobreza.

Vendo que a massa salarial crescia na América Latina, percebendo que países como o Brasil, de devedor do FMI, passou a ser credor e por via de consequência cortou o seu cordão umbilical com o Fundo e com o Banco Mundial, estabelecendo uma nova ordem mundial com a formação dos BRICS e a criação do Banco dos BRICS, a direita sublevou-se.

Ainda não existem provas concretas de que o vagalhão neoliberal para derrubar os governos de esquerda da América Latina tenha partido e esteja sendo comandado pelos Estados Unidos, no entanto há fortes indícios. Kirchner perdeu na Argentina para o direitista Macri que já fala em retaliações à Venezuela no âmbito do Mercosul. No Paraguai um golpe inédito e vergonhoso do Congresso derrubou Lugo. No Brasil o golpe está sendo mais difícil de ser concretizado, mas ao que tudo indica as forças conservadoras continuarão insistindo em derrubar a presidente Dilma ou, pelo menos destroçar o PT para garantir a retomada ao poder em 2018.

A desconstrução do PT está sendo feita via combate a corrupção, mas de maneira seletiva, sendo presas pessoas filiadas ou ligadas ao PT. A corrupção do PSDB não vem ao caso. Me entristece constatar o envolvimento de alguns políticos petistas em ilicitudes, abrindo espaço para a direita avançar. Particularmente lamento estarmos perdendo a oportunidade de ver o Brasil mais justo e mais igual.

Enquanto isso em Dourados, a disputa pela prefeitura já se iniciou. Grandes reuniões estão sendo feitas como se fora prestação de contas. O ambiente para a sucessão do atual prefeito é cinzento. O descontentamento é tamanho que até o impossível aconteceu. Refiro-me à formação do bloco aliando Zé Elias, Braz Melo e Humberto Teixeira, três ex-prefeitos que não podiam, em seus tempos, serem convidados para a mesma mesa. Ninguém sabe no que isso vai dar, acredito que nem mesmo eles, mas consta que já conseguiram reunir sessenta líderes para participar de um projeto pró Dourados.

A mim, particularmente, cabe torcer para acertarmos na escolha de um(a) prefeito(a) que faça de Dourados uma cidade cada vez melhor.

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