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Variedades

Sempre sobra algo do passado

22 Fev 2016 - 11h41
Benê Cantelli

Otempo passa tão ligeiro que, às vezes, não dá tempo de memorizar ou, pior, esquecemos o que foi memorizado, porque as boas lembranças se desgastam no antro espectro de nossa memória.


O amor, ou sentimento que se pareça com ele, algumas vezes tem início dessa forma, ainda que possa se transformar em profundos desejos que, em nada se parecem com a antologia do verdadeiro ágape, porque divino.


Lembro-me carinhosamente, da primeira franguinha, que ganhei de minha irmã. Pedi fervorosamente a minha mãe que nem pensasse em colocar a indefesa penosa na panela. Ao sair para ir à Escola, dava lhe os primeiros alimentos. Nascia ali uma relação típica de amor singelo entre uma criança e um animalzinho.


Não posso dizer, até porque isso não está afeito aos redemoinhos de minha memória, mas acredito que tenha me feito muito bem essa primeira relação com o mundo exterior, isto é, sem a minha família, começando pela mãezinha amada e o pai extremamente apaixonado por mim.


Quando voltava da Escola, depois do almoço, lá ia eu atrás da minhaimberbe amiguinha. Ficava horas a fio ali. Conversava e parece que me entendia. Isso durou um bom tempo, até que um dia, chegando da Escola, ao notar sua ausência, fui direto nas panelas do grande fogão de lenha. Lá estava minha amiguinha. Sem poder questionar, fui para o quarto e não quis participar do almoço. Seria o maior absurdo do mundo, comer aquela que dividiu comigo muitos sentimentos, risos e afeição.


Hoje, não saberia dizer, também, se aquela atitude de minha mãezinha, foi oportuna. Tenho comigo, que azarou um pouco a minha forma de me prender a alguém.


Longos anos se passaram e mais um amor, e este pra valer, pois, não existe maior, entre um filho ou filha e um pai ou uma mãe. Demasiadamente ligado, um ao outro, minha Dayane e eu, fazíamos um pouco da festejada faena entre eu a minha inesquecível franguinha. Horas a fio, querendo entender a vida e, às vezes, por ela, sendo animado diante de tantos obstáculos que a as ocasiões ou, eu mesmo, me proporcionava. Éramos, diferentes, podes crer. Mas, um dia, ela também se foi. Para onde, Deus sabe, pois, foi Ele quem a levou. Por sorte, sorte não, privilégio, Deus me concedeu outras cinco meninas e mais um garoto, o único.


Se a fragilidade de meus sentimentos não era pequena, aprendi com ela, a minha Dayane, que a vida nos dá e, também leva de nós, sem perguntar se queremosdeixar ou não.


A volatilidade de meus sentimentos quando estou com alguém, pode ser relacionada com esse tal medo de perder. Amo demais e, de repente, lá se vão meus sentimentos água abaixo, com certeza, não pela minha vontade.


Há uma coisa que jamais poderemos esquecer, principalmente quando se trata da educação e formação das crianças. Nada que foi deixará de ser. As coisas acontecem e se repetem com outra vestidura, mas com a mesma origem.


Em mim mesmo, abomino minha forma de ser e de me comportar diante do amor ou simples afeto. Será que sou eu ou é algo que em mim se torna mais forte do que eu?


Coração indomável, até quando? Mas nunca me esqueço de que amar é muito melhor do que não amar.
Bom dia e melhores tempos...

Professor e Campista. e-mail: [email protected]

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