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São 500 anos de “história no chão” de dois Estados

05 Mar 2016 - 06h00
Com 194 páginas da primeira edição em 1991, e agora ampliado neste 2016 para 403, o livro abrange cinco séculos de história. - Crédito: Foto: DivulgaçãoCom 194 páginas da primeira edição em 1991, e agora ampliado neste 2016 para 403, o livro abrange cinco séculos de história. - Crédito: Foto: Divulgação
O que se buscou, nesta narrativa que abrange quinhentos anos, foi mostrar a presença e a participação, heroica ou não, anônima ou ostensiva, dos homens e das mulheres que construíram nosso estado, dando-lhe alma e identidade. Na exposição, seguiu-se, sempre que possível, a linha do tempo, descrevendo-se a sucessão das ações humanas nas terras meridionais de Mato Grosso uno – hoje Mato Grosso do Sul -, com base em documentação confiável, frequentemente primária. Privilegiou-se, o ator da história, o homem deste território. É óbvio que a memória de nosso estado não começa com sua criação, esta, fato fundamental, sem dúvida, de nossa trajetória.


O leitor notará a presença de muitas notas (403 ao todo), empregadas, quase sempre, para apresentar detalhes da narrativa; e notará, ainda, a preocupação em colocar a história no chão, na terra que pisamos; por isso a inserção de muitos mapas (meramente ilustrativo) e informações geográficas. Inseriu-se, ainda, o índice onomástico, com mil e poucos nomes, para facilitar a consulta.


Anote-se que na transcrição da maioria dos documentos, houve a atualização ortográfica e, para manter a fidelidade ao original, as fotografias não foram tratadas. A tradução dos textos em língua espanhola é do autor e, a bibliografia básica, foi indicada ao longo do texto.


O que me levou a escrever este livro foi o interesse que sempre tive pela terra que me acolheu em meus verdes anos e, em consequência, contribuir, modestamente embora, com os estudos regionais e tornar mais acessível ao nosso estudante a história dos homens e das mulheres sul-mato-grossenses, incentivando-o a conhece-los e a participar da construção do nosso estado.

Guaicurus e seus aliados Paiaguás faziam pilhagem em fazendas do lado paraguaio.
Entre as tribos de "fala guaicuru" em território brasileiro, Lécio Gomes de Souza aponta, ao lado dos guaxis, os "mbaya-guaycurú", localizados ao leste do rio Paraguai, na faixa compreendida entre os rios Branco e Miranda. E acrescenta: a este subtronco se filiavam "os Cadiueus, habitantes das fraldas da serra da Bodoquena e dos sítios vizinhos". Nômades, tinham extenso território de perambulação, que figura nos mapas deste livro como certão dos Aycurús e ou Cavalleiros.


Embora apareça em mapas da época que seu território ficava entre os rios Taquari e Miranda, em verdade suas andanças não tinham limites; para o sul, atravessavam o Iguatemi – no Passo do Cavaleiro, pouco acima da povoação homônima – para entrar em terras hoje paraguaias; ao leste, chegaram esporadicamente até a fazenda Camapuã; para o norte, até as salinas do Jauru. Atravessavam o Taquari basicamente em dois pontos: o primeiro, na passagem dos cavaleiros – três dias de navegação antes da barra, segundo Cabral Camelo -, em frente " ao sangradoiro Prensa"; o segundo, nos morros dos Cavaleiros, duas léguas abaixo do Beliago, pelo rio Taquari.


Quando iniciaram a conquista das terras da bacia do Prata, os espanhóis encontraram os guaicurus estabelecidos no Chaco paraguaio, de onde faziam incursões pelo rio Paraguai, aliados sempre aos índios paiaguás. Registra Raul Silveira de Mello (A História do Forte Coimbra): "Os guaicurus cometeram pilhagens nas fazendas paraguaias em 1796 e 97. Para puni-los e escorraçá-los para bem longo do Apa, saiu-lhes ao encalço o coronel José Espínola, que entrou com numerosa tropa em território sul-mato-grossense e destroçou, por duas vezes, aqueles selvícolas.

De Maracaju, até MS


Em 1932, com a Revolução Constitucionalista, foi criado o estado chamado, mais tarde, de Maracaju, abrangendo quase todo o sul de Mato Grosso, cujo governador, Vespasiano Martins, nomeado pelas forças revolucionárias, se apressou em esclarecer que o movimento armado não era contra os do norte do estado e sim "pela volta do país ao regime da lei". No dia 24 de agosto de 1977, o então presidente da República Ernesto Geisel enviava a mensagem no.91, de 1977-CN, com o projeto de lei complementar de criação do novo estado. No dia 11 de outubro de 1977, o mesmo presidente assinava a Lei Complementar No.31, criando o Estado de Mato Grosso do Sul, com a capital em Campo Grande. (HC).


*Textos compilados do livro História de Mato Grosso do Sul, que teve a sua oitava edição revista e ampliada lançada no início deste ano. O autor é associado efetivo titular da cadeira N°17 e presidente do IHGMS.

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