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“Pipoca”

08 Jul 2011 - 10h10
  					      “Pipoca” -
Isaac Duarte de Barros Junior *


Conversando demoradamente com o radialista aposentado Ermelindo Azevedo, nesses encontros ocasionais de velhos amigos fazendo compras em supermercado, ambos resolvemos jogar prosa fora. Simpático, ele continua o mesmo homem simples no fino trato social. Eu conheci o “Pipoca”, este é seu apelido, nos anos sessenta.

Nessa época, ainda jovem, ele trabalhava como encarregado da manutenção dos enormes retransmissores cheios de válvulas, da pioneira Rádio Clube. Dessa forma, fiquei amigo desse trabalhador, num tempo mais inocente. Foi uma época menos violenta, quando juntos vivemos a era do rádio AM. Por causa disso, rememoramos naquela oportunidade, diversos acontecimentos marcantes na região. Principalmente, daqueles acontecidos durante os períodos de campanhas eleitorais, cheios dos comícios sem grandes recursos, que outrora eram feitos na inóspita zona rural douradense.


Naquele encontro, falamos demoradamente a respeito das características e das manias dos locutores, de discotecários como Matheus Gnutzman, sem nos esquecermos dos meninos sonoplastas rodando discos gravados em vinil, tocados nas rústicas mesas de som. E nesse diálogo saudosista, a nostalgia envolveu-nos por instantes, notadamente quando recordamos do falecido radialista Jorge Antonio Salomão, o antigo proprietário da Z Y X -23, emissora que operava em ondas médias na sua freqüência antiga.

Local, onde disciplinadamente todos os dias, o “velho” dava a sua “bronca” matinal, num programa de muita audiência. Também, lembramos do Orlando Mazzarelli, um engenheiro de som sempre presente ao surgirem problemas mais complicados na aparelhagem retransmissora.


De locutores da pioneira rádio clube, falei da atuação dos veteranos Sultan Rasslan, Germano Dancinguer, Gilberto Orlando, Massao Tadano, Jarbas Pereira e Albino Mendes, pessoas companheiras do meu período. Quanto aos demais, surgidos depois que deixei essa profissão, nós incluímos todos num pacote geral, porque como os mencionados, foram comunicadores notáveis. Na oportunidade, demos gostosas gargalhadas relembrando do Marco Antônio regulando pedidos de vales, gesticulando nervoso no setor financeiro do escritório.

Preocupado, ele matutava como pagaria os fornecedores, recebendo dos anunciantes. Afinal, as dificuldades financeiras dessa fase, ocorriam porque os patrocínios eram muito baratos, ocupando grandes espaços horários com anúncios lidos constantemente, saturando a paciência dos ouvintes, que naturalmente queriam ouvir músicas ligando o rádio.


Então, repentinamente o “Pipoca” com um olhar triste, emocionado revelou sentir muitas saudades do velho Jorge Salomão, a quem qualificou como profissional de visão no futuro. Sendo o microfone, a seu ver, parte dos hábitos daquele radialista. Pois, mesmo após ser eleito prefeito dos douradenses, nunca o abandonou.

Terminando o mandato municipal, Jorge Antonio voltou para os estúdios da Rádio Clube e trabalhou nessa profissão arte, até falecer. Todavia, para afastar a tristeza, resolvemos mornar o assunto, e aí o “Pipoca” voltou a falar de comunicações. Pressagiando uma nova fase, ele previu o fim da era do rádio AM, dizendo que depois será a vez da FM e provavelmente da TV na forma como estamos acostumados.


Interessante, foi ouvir esse homem, nascido no tempo dos valores diferentes, sem mercados de trabalho saturados e violências urbanas, argumentar que a ética profissional, definitivamente acabou. Para o “Pipoca”, vivemos numa sociedade, onde qualquer idiota, atualmente se julga um grande comunicador de massa, usando a internet.

Piorando o afirmado pelo Ermelindo, acrescento que temos mais igrejas no ar que fiéis nos templos e todos os dias com a fé mercantilizada, surgem novos profetas exorcistas fazendo prenúncios no rádio ou na televisão. Quanto ao “Pipoca”, se ele foi apocalíptico, eu não sei.

Entretanto, noto na radiodifusão, esta haver deixado de ser arte na programação, vez que a voz padrão, virou qualidade passada. Na verdade, estou propenso como aquele radialista, a acreditar no desaparecimento gradativo das conhecidas ondas hertzianas neste novo século...

advogado criminalista, jornalista.

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