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Procurador e produtores rurais serão ouvidos hoje na CPI do Cimi

03 Nov 2015 - 09h21
Mara Caseiro durante reunião da CPI, ao lado de Pedro Kemp, Paulo Correa e Onevan de Matos - Crédito: Foto:  Roberto HigaMara Caseiro durante reunião da CPI, ao lado de Pedro Kemp, Paulo Correa e Onevan de Matos - Crédito: Foto: Roberto Higa
O procurador Emerson Kalif e os produtores rurais Vanth Vanni Filho e Mirian Alves Corrêa serão os próximos a serem ouvidos pela CPI do Cimi (Comissão Parlamentar de Inquérito) que investiga se o Conselho Indigenista Missionário (Cimi) é culpado por incitar e financiar invasões de terras particulares em Mato Grosso do Sul.

De acordo com a presidente da comissão, deputada Mara Caseiro (PTdoB), as oitivas acontecem nesta terça-feira, a partir das 14h, no plenário da Assembleia Legislativa.
Vanth é produtor rural em Sidrolândia. Já a propriedade de Mirian fica em Aquidauana. Ambos tiveram suas fazendas invadidas em 2013.

Até agora, nove pessoas foram ouvidas pela CPI do Cimi. Os primeiros foram os jornalistas Lorenzo Carrasco e Nelson Barretto, estudiosos da questão fundiária e indígena.

Na semana seguinte, prestaram depoimento os produtores rurais Jucimara e Ricardo Bacha, que descreveram com detalhes a invasão e reintegração de posse ocorrida em 2013 na fazenda Buriti.
Na terceira rodada de depoimentos, foram ouvidos quatro lideranças indígenas e o delegado Alcídio de Souza Araújo, da Polícia Federal.

Além de Mara Caseiro, integram a CPI do Cimi os deputados Paulo Corrêa (PR), que é relator, Pedro Kemp (PT), Onevan de Matos (PSDB) e Marquinhos Trad (PMDB), que é vice-presidente da comissão.

Divergências

Na terça-feira, dia 27 de outubro, o delegado da Polícia Federal, Alcídio de Souza Araújo, e o índio Terena Dionédison Cândido, da Aldeia Bananal (Aquidauana), divergiram sobre a atuação do Conselho Indigenista Missionário nas invasões de terras particulares em Mato Grosso do Sul.

Enquanto o delegado afirmou categoricamente que o órgão não apenas incita, mas coordena e financia as invasões, o indígena alegou que membros do Cimi apenas participam das Grandes Assembleias do Povo Terena, mas que não colaboram com o processo de invasão de terras.

O indígena declarou que o Cimi, assim como outros órgãos, são convidados a participar dos processos de reintegração para evitar truculência por parte da Polícia Federal. Entretanto, negou que o Conselho Indigenista Missionário participe das decisões tomadas pelos indígenas de invadir propriedades ou financie essas invasões.

O delegado Alcídio Araújo, que liderou o processo de reintegração de posse, foi categórico ao garantir a interferência do Cimi no processo de invasão de terras tituladas em Mato Grosso do Sul. “Digo que sim. Há uma logística muito pesada para a ocupação, e para conseguir essas invasões precisa-se de dinheiro, ônibus. Tudo isso vem do Cimi”, declarou.

Vídeos e documentos

Proprietários da fazenda Buriti, no município de Sidrolândia, Ricardo e Jucimara Bacha comprovaram, por meio de vídeos e documentos, a presença do Cimi em invasões na região. Os dois foram ouvidos no dias 20 de outubro pela CPI que investiga se o órgão é culpado por incitar e financiar invasões de propriedades particulares em Mato Grosso do Sul.

O vídeo exibido durante a sessão mostra imagens de um fotógrafo e do coordenador regional do Cimi em Mato Grosso do Sul, Flávio Vicente Machado, durante invasão da fazenda Buriti, em 2003. Em outro vídeo, gravado em 2012, Flávio admite que o papel principal do órgão é a “recuperação territorial e luta pela terra”.
Ricardo Bacha também entregou aos membros da CPI um documento, encontrado em 2009 na propriedade de seu tio, Munir Bacha, que também foi invadida por indígenas. Trata-se de uma ata, onde consta o nome de dois membros do Cimi: Rogério Batalha Egon Heck.

Desse documento, constam o registro de armas, elencadas por numeração, o nome de lideranças indígenas destinadas a portar essas armas, e detalhes sobre o processo de organização para a invasão. “Esse livro ata apresenta o revezamento de pessoas, o número de balas usadas, de armas, os livros de presença nas reuniões, enfim, reflete o nível de organização que eles tinham”, relatou Bacha.

Característica perdida

O sociólogo e jornalista Lorenzo Carrasco e o jornalista Nelson Barretto, convidados para palestrar na CPI do Cimi, foram unânimes em dizer no dia 13 de outubro, que o Cimi perdeu sua característica principal, que é de evangelizar e dar assistência aos povos indígenas.

De acordo com Carrasco, enquanto o Cimi toma como vitória o fato de trabalhar há décadas para que os indígenas possam preservar sua organização social, língua, costumes, crenças e tradições, o sectarismo imposto se traduz em prejuízo não só a eles, mas a toda a nação.

Ele defendeu a tese de que tanto o Cimi quanto a Funai (Fundação Nacional do Índio) não se interessam em integrar os indígenas com o restante da sociedade.

Para o jornalista Nelson Barretto, o Cimi se diz católico, mas não age como tal. Para ele, é impossível cristianizar sem civilizar, ou seja, tornar os indígenas tão capazes, estudados e competitivos quanto qualquer outro cidadão não índio.

“A doutrina dos novos missionários é contrária ao ensinamento católico. Eles acham que a vida tribal é mais interessante. Ao invés de segregar, temos de integrar o índio à sociedade. Não adianta impor aos índios uma política assistencial, é preciso trabalhar para que os indígenas se tornem empreendedores”, disse.

O jornalista insinuou que esse tipo de doutrina, imposta pelo Cimi e outras organizações da mesma natureza, deixa a sociedade impregnada com esse tipo de pensamento, visto como ele como equivocado.
Ele também criticou o governo federal por permitir a guerra no campo.

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