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Odebrecht: beneficiados de MS defendem legalidade e registro de doações

28 Mar 2016 - 10h06
As doações para o MS chegaram aos políticos através dos diretórios nacionais e empresas ligadas ao conglomerado.
Foto: Geovanni Gomes - As doações para o MS chegaram aos políticos através dos diretórios nacionais e empresas ligadas ao conglomerado. Foto: Geovanni Gomes -
As doações da empreiteira Odebrecht, investigada na Operação Lava Jato, para campanhas realizadas em Mato Grosso do Sul chegaram aos políticos locais através dos diretórios nacionais e empresas ligadas ao conglomerado.

Esta é a justificativa dos citados em planilhas apreendidas pela Polícia Federal com o presidente da Odebrecht Infraestrutura Benedicto Barbosa Silva Júnior, mais conhecido como "BJ". Segundo eles, todos os repasses foram legais e registrados no TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

Em nota, o ex-governador André Puccinelli (PMDB) justificou que a doação de R$ 400 mil, recebida em 1º de outubro de 2010 através de transferência eletrônica, foi de "responsabilidade da empresa Leyroz de Caxias Industria Comércio e Logísticas Ltda., em nome da qual foi expedido o recibo eleitoral 15000034425". Na ocasião, o peemedebista tentava a reeleição.

De acordo com os documentos apreendidos, o solicitante é identificado como ‘FR-Foz’, supostamente ligado à Odebrecht Ambiental (Foz do Brasil), que havia prometido R$ 500 mil. Puccinelli não comenta a anotação, mas reforça que "todos os recursos recebidos na campanha de 2010 foram devidamente declarados em minhas contas já aprovadas pela Justiça Eleitoral".

O governador Reinaldo Azambuja (PSDB) é relacionado a repasses de R$ 150 mil e R$ 350 mil, que teriam sido usados nas campanhas de 2012 e 2014, respectivamente. Segundo ele, em nota divulgada pelo Diretório Regional do PSDB, "todas as doações recebidas pelo então candidato foram feitas de forma legal e também constam na prestação de contas ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral)".

Quando concorreu à prefeitura de Campo Grande, as doações teriam sido realizadas através do Diretório Nacional do partido, "embora na prestação de contas não conste o nome da empresa, por não ser obrigatório identificar, à época, o nome dos doadores originais". Conforme consta no SPCE (Sistema de Prestação de Contas Eleitorais), ele recebeu R$ 1,8 milhão da legenda em 2012.

Em 2014, o governador recebeu R$ 50 mil a mais do que consta na planilha de Benedicto Barbosa, mas os valores estão discriminados no portal do TSE. Em nome dele, o PSDB garante que "a citação de nomes ou partidos em listas e especulações delas advindas não podem, a princípio, ser tomadas como prova de qualquer ilícito, já que os partidos recebem doações e delas prestam contas aos órgãos competentes, de acordo com a legislação vigente".

O deputado federal Luiz Henrique Mandetta (DEM) confirma o recebimento das doações pela rede social Facebook, mas também ressalva que o dinheiro chegou aos cofres de sua campanha através do Diretório Nacional. Conforme a planilha, ele receberia R$ 50 mil, sendo que o primeiro pagamento, de R$ 40 mil, foi realizado em 29 de setembro de 2010, de um solicitante identificado como ‘BB/JJ’.

"É verdade uma doação de R$ 40 mil para o diretório do Democratas, uma doação legal, prestadas contas à Justiça Eleitoral. À época, a Odebretcht me parecia uma empresa extremamente idônea. O que me deixa perplexo é essa vala comum que se constrói. Não conheço a Odebretcht e nunca estive com nenhum diretor da Odebretcht. Não tenho nenhuma ligação com essa empresa. Pelo contrário, onde mais batalhei é exatamente onde os interesses da Odebretcht são contrários que é exatamente de aumentar os gastos sociais", justificou.

Mandetta ainda garante que atua em políticas sociais que desagradam o conglomerado, que apoia o juiz Sérgio Moro e que deseja ver homologada a delação premiada de empresários da Odebretcht para "desmascarar esse projeto de financiamento do PT". Na prestação de contas do candidato não consta o valor de R$ 40 mil, mas em valores aproximados aparece uma doação do diretório nacional no valor que lhe foi prometido na planilha. O depósito, no entanto, ocorreu um mês depois do prazo designado no documento.

Também citado na planilha, o deputado federal Vander Loubet (PT) não foi encontrado para mais explicações. Conforme os documentos apreendidos nos endereços da empreiteira, ele receberia R$ 50 mil, sendo que o primeiro pagamento, de R$ 40 mil, foi realizado em 29 de setembro de 2010.

O solicitante é identificado como ‘BB/JJ’, mesmo benfeitor que repassou valores de igual valor a Mandetta, em 1º de outubro de 2010. Na prestação de contas do então candidato, a única doação de valor aproximado, R$ 50 mil em cheque, foi disponibilizada pelo diretório estadual do PT um dia depois do definido na lista da Odebretcht.


Documentos
Os nomes dos políticos sul-mato-grossenses foram relacionados em documentos apreendidos pela Polícia Federal durante a 23ª fase da Operação Lava Jato, batizada de "Acarajé". O acervo, que contém o nome de mais de 200 políticos e 18 partidos, foi recolhido em 22 de fevereiro, em dois endereços ligados a Benedicto Barbosa, nos bairros do Leblon e Copacabana, no Rio de Janeiro.

São relacionados nomes, cargos, siglas partidárias, cidades e estados que cada pessoa representa, valores recebidos e até apelidos atribuídos aos mencionados. Também são detalhados números de contas correntes e CNPJs usados para a campanha eleitoral. Além das planilhas, anotações, textos impressos e notas fiscais foram recolhidas pela Polícia Federal.

Apesar de não significar que as pessoas citadas receberam recursos de propinas, o famoso ‘caixa dois’, a Operação Lava Jato investiga esquema de corrupção em que empresas ligadas à Petrobras oficializavam pagamento de benefícios ilegais a políticos através de doações oficiais, durante as campanhas eleitorais.

Entre os 200 nomes relacionados, estão políticos que fazem oposição ao Governo Federal como, por exemplo, Aécio Neves (PSDB-MG) e Romero Jucá (PMDB-RR). Curioso citar apelido de alguns parlamentares e ministros como Jaques Wagner (Passivo), Eduardo Cunha (Caranguejo), Renan Calheiros (Atleta), José Sarney (Escritor), Eduardo Paes (Nervosinho), Humberto Costa (Drácula), Lindbergh Farias (Lindinho) e Manuela D’Ávila (Avião).

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