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Indígena desconhece ações do Cimi

10 Dez 2015 - 07h00
Os trabalhos da CPI do Cimi foram prorrogados por mais 60 dias; a próxima reunião será no dia 15. - Crédito: Foto: Wagner Guimarães/ALMSOs trabalhos da CPI do Cimi foram prorrogados por mais 60 dias; a próxima reunião será no dia 15. - Crédito: Foto: Wagner Guimarães/ALMS
A última oitiva deste ano da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) criada para investigar a atuação do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) junto às comunidades indígenas em Mato Grosso do Sul foi realizada na terça-feira. Os depoentes foram o professor indígena Alberto França Dias, da aldeia Buriti, localizada no município de Dois Irmãos do Buriti e a produtora rural Roseli Maria Ruiz da Silva, da Fazenda Barra que fica em Antônio João.


“Eu não sei e não tenho conhecimento” foram as respostas do professor indígena Alberto França Dias, quando questionado quais eram as ações desenvolvidas pelo Cimi nas comunidades indígenas e se o Conselho deu dinheiro para os índios. O professor declarou ainda desconhecer armas na comunidade.


Destacou também que quem participa das assembleias são os indígenas e representantes de várias entidades, e que em alguns momentos o Cimi participa, mas que a decisão não é tomada nas assembleias. “Não se decide nada. A tomada de decisões é dentro das comunidades e o Cimi não participa”, afirmou o professor.


Alberto acrescentou em seu depoimento que no caso do conflito na região de Buriti, o Cimi não orientou as comunidades indígenas a não sair do local, assim como, falou não saber o que o Cimi fazia na fazenda no momento do conflito. “Foi uma decisão dos índios de permanecer na fazenda. Eu não sei o que o Cimi fazia ali, porque havia vários movimentos sociais lá”, assegurou.


Já a produtora rural Roseli Maria Ruiz da Silva, da Fazenda Barra, localizada no município de Antônio João, fez um relato dos últimos 17 anos, contou do primeiro conflito em sua fazenda em 1998 e o último que foi em agosto deste ano. “Tudo eu tenho documento, tudo que eu falar, eu provo com documentos porque são 17 anos de investigação que nós fizemos, até onde podemos ir”, destacou a produtora.
Roseli falou que a convivência com os índios sempre foi pacífica até a chegada do Maucir Pauletti no Cimi. Afirmou que Maucir tinha conhecimento da comunicação interna expedida pela administração regional da Funai de Amambai encaminhada para a Funai de Brasília. A correspondência tratava do conflito da fazenda de Pio Silva, Pilzinho e Dácio Q. Silva e dizia que o Cimi daria todo o apoio necessário à comunidade indígena. “O Maucir faltou com a verdade em seu depoimento para esta Comissão”, assegurou Roseli.

Quando questionada pela Comissão se já ouviu de alguém que o Cimi faz ameaças, Roseli respondeu afirmativamente. “Sim, eu já ouvi dos indígenas que o Cimi mata e coloca a culpa nos fazendeiros e tenho registro disso. E também declaro que o modus operandi do Cimi é igual, é o mesmo em todas as partes do Brasil e eu tenho como mostrar isso baseado em todo o estudo que fiz até aqui”, advertiu.


Também considerou que os indígenas são os mais prejudicados. “A grande maioria dos índios são pobres e jogados a própria sorte. Os maiores prejudicados com tudo isso são os próprios indígenas”, disse Roseli. A depoente disponibilizou para a CPI todos os documentos e provas coletados por ela.


A presidente da CPI, deputada Mara Caseiro (PTdoB), fez uma análise dos trabalhos de terça-feura e destacou que os dois depoimentos foram de suma importância. “O depoimento da Roseli trouxe evidências da participação do Cimi durante as invasões, a riqueza de detalhes que ela nos apresentou, de como aconteceu, dos nomes das pessoas que estiveram dentro da sua propriedade vão ser de grande valia. Ela relatou a maneira orquestrada que o Cimi atua e age dentro das comunidades indígenas, incitando, sim, essas comunidades invadirem propriedades particulares com interesses escusos”, avaliou a parlamentar.


Já quanto ao segundo depoimento da tarde, ,a deputada falou em contrassenso. “Muita contradição porque quando a gente pergunta o que o Cimi faz dentro das aldeias, ele não sabe. Nós temos contratos onde o Cimi recebe recursos para promover melhoria na qualidade de vida dessas comunidades indígenas. Como uma grande liderança, como o professor Alberto, uma pessoa extremamente culta e preparada, não tem conhecimento das ações, nem que sejam boas ações que o Cimi pratica dentro das aldeias, porque ele disse que conhece integrantes do Cimi, mas não sabem o que eles fazem, é muito esquisito. É obscuro e é muito triste porque que a cada dia mais há um comprovação de que há o interesse dessa organização em manipular”, declarou a presidente.


A CPI do Cimi é composta ainda pelo vice-presidente, deputado Marquinhos Trad (PMDB) e os deputados Onevan de Matos (PSDB) e Pedro Kemp (PT). Os pares aprovaram a prorrogação da CPI por mais 60 dias. A próxima reunião está prevista para terça-feira (15) e os trabalhos continuam até o dia 30 de dezembro com a compilação de todos dados e a preparação para a próxima fase. A Comissão retoma as oitivas no dia 2 de fevereiro 2016.

Ameaças


O relator deputado Paulo Corrêa (PR) leu carta enviada pelo administrador rural, Ramão Aparecido Evangelista dos Santos para a Comissão. Na carta, ele declara estar recebendo ameaças de morte desde a sexta passada e pede proteção. Ramão trabalha na Fazenda Brasília do Sul, localizada no município de Juti e foi ouvido na semana passada. A fazenda sofreu conflito agrário, em 2009, e está assim até hoje.


Depoimentos


Já prestaram depoimentos para a CPI do Cimi os jornalistas Lorenzo Carrasco e Nelson Barretto, estudiosos da área, os produtores rurais Vanth Vanni Filho, Mônica Alves Corrêa, José Raul das Neves, Roseli Maria Ruiz da Silva, Jucimara e Ricardo Bacha, os indígenas Dionedson Cândido, Inocêncio Pereira, Cacilda Pereira, Abélcio Fernandes e o professor Alberto França Dias, o ex-assessor jurídico do Cimi, Maucir Pauletti, o delegado Alcídio de Souza Araújo, da Polícia Federal, o procurador da República, Emerson Kalif Siqueira, o desembargador Alcir Gursen de Miranda e o administrador rural, Ramão Aparecido Evangelista dos Santos. E foi realizada a acareação entre o ex-assessor jurídico do Cimi, Maucir Pauletti e o delegado da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, André Matsushita.

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