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Em depoimento, Delcídio nega tentativa de obstruir Justiça

28 Nov 2015 - 07h00
Advogado Maurício Silva Leite, diz que Delcídio não tentou obstruir a investigação da Operação Lava Jato. - Crédito: Foto: Valter Campanato/Agência BrasilAdvogado Maurício Silva Leite, diz que Delcídio não tentou obstruir a investigação da Operação Lava Jato. - Crédito: Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
Em depoimento prestado na quinta-feira (26), na Superintendência da Polícia Federal (PF), em Brasília, o senador Delcídio do Amaral (PT-MS) negou ter tentado obstruir as investigações da Operação Lava Jato. A oitiva durou quase quatro horas e, segundo a defesa do senador, ele respondeu a todas as perguntas e esclareceu o episódio no qual é acusado de obstruir a Justiça.

“Ele não tentou obstruir a investigação. Foi tudo esclarecido no depoimento que ele prestou”, disse o advogado de Delcídio, Maurício Leite, durante entrevista a jornalistas que aguardavam o resultado do depoimento.
O depoimento foi conduzido pelo delegado Thiago De Lamare, que atua na força-tarefa da Lava Jato e foi acompanhada por dois procuradores da República e dois advogados do senador. Durante o depoimento, o delegado mostrou as gravações feitas pelo filho de Nestor Cerveró, Bernardo Cerveró e que serviram de embasamento para o pedido de prisão do parlamentar.

As gravações foram feitas durante uma reunião com a presença do advogado de Cerveró, Edson Ribeiro, do petista e do seu chefe de gabinete, Diogo Ferreira. No material encaminhado à Procuradoria-Geral da República (PGR), Delcídio discute um plano para evitar que o ex-diretor da Área Internacional da Petrobras, Nestor Cerveró, pai de Bernardo, assinasse um acordo de delação premiada.

Confrontado com as gravações, Delcídio reconheceu que estava presente na reunião, mas, segundo o advogado, negou que tenha tentado dissuadir Cerveró de firmar um acordo de delação premiada. “Isso não ocorreu. Amanhã vamos soltar uma nota explicando essa situação, mas já está esclarecido no depoimento dele”, disse Leite.
Após o depoimento, Delcídio conversou por quase duas horas com seus advogados para traçar a estratégia de defesa. “Estou muito confiante e confortável com o depoimento que foi prestado. Ele [Delcídio] conseguiu esclarecer todos os questionamentos das autoridades”, afirmou Leite.

De acordo com a defesa, outro depoimento, ainda sem data marcada, deverá ocorrer para que o senador preste mais esclarecimentos. A data ficará a cargo do delegado da PF. “Eu acredito que seja o mais rápido possível porque estamos tratando com um senador que está preso”.

Após os depoimentos, a defesa do senador estuda pedir a revogação da prisão. Ainda de acordo com o advogado, Delcídio mostrou-se chateado com a prisão, mas que aguarda “sereno” o desenrolar das investigações.

O senador está preso na carceragem da Polícia Federal (PF) em Brasília após decisão unânime da segunda turma do Supremo Tribunal Federal (STF). Após a decisão do STF, o plenário do Senado decidiu manter a prisão de Delcídio. Em votação aberta, os senadores decidiram que o petista deverá ser mantido preso por 59 votos contra 13 e 1 abstenção.

Delcídio foi levado para a PF na manhã de quarta-feira, na 21ª fase da Operação Lava Jato, quando também foram presos seu chefe de gabinete Diogo Ferreira e o presidente do banco BTG Pactual, André Esteves. O senador passou a noite em uma sala administrativa adaptada, na superintendência. De acordo com o assessor do senador, Eduardo Marzagão, Delcídio amanheceu “menos assustado” do que estava após ter a prisão decretada.

Cassação

O pedido de cassação do mandato do senador Delcídio por quebra de decoro parlamentar será apresentado pela Rede ao Conselho de Ética do Senado na próxima terça-feira (1º). Segundo o líder do partido na Casa, senador Randolfe Rodrigues (AP), a Executiva Nacional da legenda autorizou que a peça fosse preparada para ser protocolada na semana que vem.

“É um tipo de situação que não cabe meio termo, não cabe mediação”, disse o senador, que considerou o momento “lamentável”. “Todos nós temos apreço pelo senador Delcídio, é lamentável”, disse.
Segundo o senador, outros partidos de oposição podem acompanhar a representação, conforme expressado por líderes. “Eu conversei com o senador Cássio [Cunha Lima] (PSDB) e com o DEM, eles têm interesse em também entrar com a representação. Vamos falar ainda com o PPS”, disse.

Mais cedo, o líder do PSDB, Cássio Cunha Lima disse que o seu partido aguarda que a Mesa Diretora faça a provocação ao Conselho de Ética “de ofício”, no mesmo momento em que comunicar ao Supremo Tribunal Federal a decisão do plenário do Senado de manter Delcídio Amaral preso. Para Randolfe, “se a Mesa fizer, ótimo, senão a Rede fará na terça-feira”.

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