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Variedades

O “Agora”, o passado e nossas vias carroçáveis

13 Fev 2016 - 07h00
Wilson Valentim Biasotto


Estou lendo uma obra de concepção budista, da qual sou leigo, “O Poder do Agora”, de Eckhart Tolla. Como não terminei a leitura não posso, ainda, tirar conclusões precipitadas, mas como sou historiador por formação, começo a relutar em reconhecer o Poder do Agora desprestigiando o poder do passado, meu campo de estudos. Claro que o passado já foi um Agora e o futuro também o será, mas enquanto não me inteiro plenamente de até onde o autor quer chegar, vou continuar prestigiando o passado como forma de se compreender o presente. Restrinjo-me ao estado lastimável em que se encontram nossas vias urbanas e rurais, em época de escoamento de safra agrícola, uma das mais promissoras de nossa história.


Abro um parêntese para trazer ao conhecimento público um projeto de lei de autoria do vereador Paulo Falcão, aprovado pela Câmara Municipal no ano de 2001. A Lei obrigava a prefeitura a não realizar obras de asfalto sem que houvesse antes realizado os trabalhos de infraestrutura, especialmente a implantação de galerias de águas pluviais. Ora, ninguém poderia, em sã consciência, votar contra um projeto dessa natureza, mas Dourados já tinha então sessenta e seis anos e nunca alguém havia tomado uma providência nesse sentido. Não sei se é lenda ou verdade, mas na administração João da Câmara (Totó Câmara), em 1972, ou 1973, teria havido o compromisso de o governo federal repassar uma verba para o recapeamento da Avenida Marcelino Pires, a qual, segundo diziam, tinha tantos buracos que alguns estavam dependurados nas árvores esperando vagas.

Detalhe: a verba só viria se houvesse as galerias de águas pluviais. Como não havia, Totó teria aberto as bocas de lobo e posto as grades de ferro por cima, como se galerias houvesse. Mas isso, como diria o Dr. Moro em relação às delações que atingem o PSDB, não vem ao caso. Importa mesmo é saber que Dourados não possuía galerias e crescia, crescia aceleradamente nos anos de 1970, em virtude da expansão do cultivo da soja na região. Os loteamentos novos eram autorizados sem que houvesse quaisquer exigências, nem água, nem luz, muito menos asfalto e galerias que captassem as águas pluviais eram exigidos.


Por via de consequência, a Enersul e a Sanesul sobrecarregavam-se para promover a expansão de suas respectivas redes. Quanto às galerias e asfalto, a prefeitura ficava à espera de verbas federais, sobrecarregando-se também porque para receber essas verbas ela tinha que arcar, no mínimo, com dez por cento do valor das obras. Como os bairros para serem asfaltados eram muitos e não existiam, nem existe até hoje, verbas federais para recapeamentos, ocorreu a deterioração da nossa malha asfáltica sem que prefeito algum nos últimos quarenta anos conseguisse sanar esse problema, com recapeamento, restringindo-se às operações de tapa-buracos. Recapeamentos que impermeabilizem o asfalto existente somente em algumas ruas privilegiadas.


Para agravar a situação, não podemos nos esquecer que algumas vezes a prefeitura cai em mãos de prefeitos de ânimo fraco e, então, especialmente em épocas de grande densidade pluviométrica, a situação se agrava.



Nas estradas vicinais, tanto municipais quanto estaduais, principalmente em anos chuvosos, é um verdadeiro “Deus nos acuda”. Algumas chegam a ficar intransitáveis. Zeca, com o Fundersul, havia montado uma estrutura eficiente para a Agesul, com caminhões, moto niveladoras, pás carregadeiras, enfim, cada regional tinha seu pátio abarrotado de máquinas. Entrou o governo André e desmontou essa estrutura. Consequência, só se vê trator desatolando carros, moto-niveladoras arrastando caminhões carregados com soja, enfim, a infraestrutura para o escoamento da soja está caótica. Se quando do “patrolamento” das vias vicinais houvesse a preocupação de se construir caixas de retenção de águas nas estradas, os prejuízos seriam menores. Ah, mas em algumas estradas elas foram feitas, parabéns, mas não houve conservação. O caos impera, caminhões lotados tombam, o prejuízo é grande.


Quer dizer que os erros de planejamento e execução de obras no passado estão agravando a situação presente.
Estou ansioso para terminar a leitura de “O Poder do Agora”. Minha esperança é que o autor me faça ver que o Agora do passado influiu terminantemente para as situações expostas.


Membro da Academia Douradense de Letras. e-mail: [email protected]

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