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Não mais. Não mais!

17 Jul 2011 - 06h33
José Alberto Vasconcellos


Não mais se sentarão à mesma mesa para o jantar. Não mais guardarão as escovas de dentes no mesmo banheiro. Não mais dividirão para o banho, o mesmo sabonete. Não mais pisarão no mesmo tapete. Não mais repartirão o mesmo colchão. Não mais dividirão opiniões e tampouco guardarão seus pertences pessoais no mesmo armário.

Não mais se olharão nos olhos. Não mais trocarão juras de amor. Não mais palmilharão o mesmo caminho, à mesma hora. Não mais olharão as horas no mesmo relógio de parede. Não mais usarão a mesma caixa postal. Não mais tomarão o leite fornecidos pelo mesmo leiteiro. Não mais comerão da comida feita na mesma panela.

Não mais olharão pela mesma janela, ou abrirão a mesma porta que dá para o jardim.

Não mais ficarão de mãos dadas no dia de Natal defronte à Árvore, com os olhos brilhando de emoção. Não mais comemorarão juntos o aniversário de cada um e tampouco trocarão presentes, sorridentes e felizes. Jamais dividirão os elogios àquelas receitas que só um sabia fazer. Não mais desejarão um bom dia à mesma empregada.

Não mais fornecerão o mesmo endereço. Não mais entrarão juntos na mesma Declaração do Imposto de Renda. Não mais sairão juntos na mesma foto.

Não mais um se beneficiará da carona, que sempre desfrutou do automóvel do outro. Não mais assistirão juntos a mesma novela. Não mais brincarão juntos com o mesmo gatinho. Não mais farão cafunés entre si, enquanto conversam amenidades do dia-a-dia. Não mais terão os mesmos sogros. Não mais comerão juntos, a canja de galinha divina, que só a sogra de um deles sabia fazer.

Não mais trocarão confidências. Não mais recordarão juntos acontecimentos engraçados ou interessantes. Não mais se sentarão frente à janela, para verem a lua nascer grande, bonita e com mais claridade nos meses de maio. Não mais se lembrarão daquele lugar secreto, que só eles conheciam.

Não mais planejarão onde passar as férias. Não mais dividirão o mesmo E-mail. Não mais, juntos, falarão mal do governo ou do deputado ladrão. Não mais, um terá prazer, em ver o outro.

NÃO MAIS, juntos, cuidarão do filho que puseram no mundo. Não mais viverão em harmonia, discutirão até o dia do Juízo Final, o direito à guarda do filho e o valor da pensão. Não mais sorrirão realizados, assistindo as travessuras do bebê, de quem, irresponsavelmente, tiraram o lar.

Não mais o inocente bebê, sem entender o que aconteceu, verá os pais juntos. Não mais os pais juntos, acompanharão o crescimento e o desenvolvimento da personalidade do filho. Não mais juntos, sonharão com o dia em que teriam o primeiro neto.

Não mais caminharão juntos pela mesma estrada. Cada um decidiu tomar direção própria, em busca de espaço para respirar – a desculpa, aquela de sempre: o tédio, o desinteresse mútuo, os dias enfadonhos que se repetem...sempre o mais do mesmo! A atração e o amor tem agora outro nome: repulsa, ódio, ressentimento. Longe ficaram os elogios.

Não mais habitarão a mesma casa!

Onde estiverem, um dia certamente olharão para traz e, apuradas as desilusões, contabilizado o que se plantou e o que se colheu, aferida as sobras da vida vivida, concluirão se valeu a pena destruir o lar, liquidar um sonho de amor e tentar, por fim, dividir um filho; tudo ao custo de bobagens e de tolices, moedas que compram e pagam a intolerância entre os casais.


Longe estiveram de imaginar, que vida fora do lar é realista, cruel e irreversível. Auto comiseração ou o cultivo da injúria contra quem se amou, não aplacam o sentimento de abandono e de injustiça. A vida continua: ninguém confessa o arrependimento, a desilusão e o orgulho ferido.

Valeu a pena a longa e solitária caminhada, sobre o tapete da tolice? Valeu a pena entregar-se a sentimentos idiotas, que afastam as pessoas da missão delegada às criaturas de Deus, neste mundo.

Recapitulada a vida daqueles que dividiram a família e abandonaram o lar, tropica-se em cada curva, nas reiteradas frustrações, arrependimentos e numa solidão que parece nunca ter fim.

O tempo não permite voltar. Melhor a humildade da tolerância, que os arroubos do orgulho!

Não mais!


######*Membro da Academia Douradense de Letras.

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