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Jeroki de erval...

12 Nov 2010 - 10h10

Outrora nas ranchadas ervateiras, em dia de jeroki (baile), as mulheres usavam seus melhores vestidos, geralmente feitos com tecidos importados do comércio argentino. Essas texturas eram vendidas por mascates árabes itinerantes, que as negociavam nos acampamentos dos ervais. Os peões solteiros gostavam desses encontros festivos, porque nessas bailantas surgiam as oportunidades dos rapazes ficarem próximos das moças. Peão ervateiro que não seguisse aquelas regras do respeito exigido, segundo os costumes da época, acabava sendo morto nas festas ou levava uma boa surra dos parentes da donzela. Porque os comportamentos libidinosos, usados com as mulheres quilomberas (prostitutas), nenhum barbacuazeiro, permitia que fossem tentados nas folias realizadas debaixo de suas ramadas.

O migrante mineiro Camilo Ermelindo da Silva, freqüentador desses barbacuás na juventude como convidado ilustre, porque era médico da Empresa Mate Laranjeira, sempre tinha sérios atritos com rapazes solteiros, viciados em consu-mir cachaça pura. Ele me contou já na idade bem avançada, com o seu olhar perdido no passa-do, que metade da peonada daqueles tempos, tinha doença venérea sendo tratada, principal-mente a terrível gonorréia. Pois mesmo tomando medicamentos receitados, nesses encontros festivos seus clientes matutos comiam carne de porco e tomavam bebidas alcoólicas. Por conse-qüência, interrompiam os efeitos dos fortes remédios prescritos nas bulas. Esse clínico pioneiro, ex-deputado estadual, às vezes chamava o pinguço eufórico numa preocupada advertência parti-cular. Porém, muitos desses peões abusados nas dietas, terminaram morrendo de sífilis. Naquele tempo, o dr. Camilo dizia que era comum ouvir da clientela, a desesperada reclamação: ‘doutor, mi gonorrêa volvio!’.

Todavia, nas ranchadas ervateiras de outrora, nos celeiros rústicos em dias de trabalho os cargadores (braçais) depositavam toda a erva-mate colhida, acondicionada como raídos (fardos enormes) amarrados. Entretanto, na ocasião marca-da para um jeroki carapé, as pessoas faziam mutirão varrendo com piaçava o chão vermelho batido. Os mais esforçados nessas limpezas, eram os homens sem mulher. Estes, quando deslo-cavam dos ranchos onde moravam, deixavam o fogo aceso. Esse braseiro fumegante funcionava como sinal de que ali residia um homem sem companheira. Todavia, os solteirões de melhor condição financeira eram os preferidos dos pais das moças solteiras, cujo noivo era escolhido pelo chefe da família.

Assim, era somente no dia de jeroki, que as moçoilas se aproximavam de um provável futuro marido, muitas vezes homens sem nenhuma beleza física, de anatomia mal tratada pelo sol escaldante. Alguns foram trabalhadores das epi-dermes marcadas de cicatrizes e manchadas por picadas de mosquitos borrachudos. Como não existiam repelentes, as mulheres usavam vestidos alongados, rentes do chão. Uma perna femini-na considerada bonita, não podia ter ferimentos provocados por insetos e as mulheres para se-rem consideradas como atraentes, segundo os padrões nos ervais, tinham que ter a pele morena e cabelos negros lisos. As loiras e as ruivas eram havidas como moças mais frágeis de saúde. As mulheres índias, devido à beleza natural, muitas desposaram peões e outras tornaram patroas, mães de fazendeiros mestiços. O importante, que a dignidade possuía nas ranchadas, um severo código de honra.

Havia também um ditado popular naquele co-meço do século vinte: ‘nunca acredite em amizade de policia e em orgasmo de prostituta’. Nesse tempo, forças da captura (policia volante) assassinavam ou batiam nos procurados pela lei. Quanto às quilomberas, não havendo preservativos, eram mulheres sem pudores, transmissoras de doenças venéreas que matavam. Ocorrendo dos fregueses possuírem dinheiro para gastar, meretrizes de corrutelas como profissionais do sexo, mostravam serem grandes atrizes no de-sempenho de alcova. Desse modo, nos violentos tempos idos do desbravamento douradense, embora os pioneiros fossem demasiadamente conservadores, desempenharam com grandeza histórica, um respeitável trabalho heróico e anônimo.

######*advogado criminalista, jornalista.

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