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Ideias perdidas sobre boas práticas

14 Nov 2015 - 07h00Por Do Progresso



Há quem diga que são as ideias que movem o mundo, inclusive filósofos consagrados, no entanto, as coisas, desde as suas origens, não são bem assim. O homem primitivo não pensou em pegar uma pedra para transformá-la em um instrumento para a sua defesa, mas sim ele pegou uma pedra ocasionalmente, serviu-se dela e após ter essa experiência empírica é que pensou que ela poderia ser aprimorada e utilizada para a sua proteção e sustento. Sobre cada nova utilização, nova ideia.

Assim se dá com instrumentos mais sofisticados como o telefone, o rádio, a televisão. Ampère, por exemplo, é considerado o pai da eletricidade, mas Edson “inventou” a lâmpada, no entanto, nenhum motor funcionaria se não fosse Westinghouse ter “inventado” a corrente alternada.

O que quero dizer é que sempre uma operação é sucedida por uma reflexão. É o que chamamos de dialética, ou seja, você (ou a humanidade) faz algo, pensa sobre o que foi feito e a partir da reflexão do feito faz novo objeto. Esse processo é de tese, antítese e síntese. Em outras palavras, as ideias são amparadas em práticas sociais.
Em “Edificando a nossa Cidade Educadora”, citando Mazzotta, conto que certo homem e o diabo passavam por uma rua, quando viram um homem alcançar e agarrar no ar uma ideia bela e válida. O homem perguntou ao diabo se ele não tinha medo, ao que o comandante do inferno respondeu: não, eles primeiro darão nome a nova ideia, depois irão organizá-la e promovê-la, então surgirão tantas ideias sobre a forma de utilizá-la e será gerada tanta confusão que a ideia enfraquecida será destruída por si mesma.

Em 1988, quando Tetila concorreu pela primeira vez à Prefeitura e eu a vereança, tivemos a ideia de implantar centros culturais em vários distritos e bairros de Dourados. Perdemos as eleições e a ideia não frutificou. Em 2000, fui eleito vereador e Tetila prefeito. Nessa época, tínhamos um secretário de planejamento, que conheceu praticamente todo o Mundo de Leste a Oeste, de Norte a Sul e, geógrafo com doutorado, Mário Cesar Tompes contribuía substancialmente com projetos importantes para a cidade, como por exemplo, a construção dos tais centros culturais, encampados prontamente pelo Secretário de Educação Antonio Leopoldo Van Suypene que, aliás, participava dessas ideias dos centros culturais desde 1988, quando também candidato a vereador.
Pois bem, Tetila batizou esses centros de POLEM e construiu ao menos oito deles. Construídos esses Centros Culturais surgiu a ideia dentro do Projeto Cidade Educadora de criarmos um Pavilhão Cultural bem grande, no Parque Arnulfo Fioravante, onde está hoje a abandonada praça Baltazar Marques, na Rua Coronel Ponciano esquina com Teixeira Alves.

Nos Centros Culturais das Escolas Municipais (os POLEM) seriam desenvolvidas atividades artísticas e culturais, numa espécie de contra-turno escolar (uma preparação para a escola integral). Teatro, dança, coral, música instrumental, enfim, atividades diversas. Nas escolas municipais haveriam ainda pequenas piscinas e quadras para o desenvolvimento de esportes. Os alunos que se sobressaíssem nas atividades desenvolvidas nos POLEM seriam conduzidos para o Pavilhão Cultural e para piscina grande e campos para a prática de outros esportes, principalmente o futebol e daí sairiam o Coral Municipal, a Orquestra, Academia de Dança, enfim, teríamos uma educação pública diferenciada e que seria reverenciada em todo o mundo participante da Associação Internacional das Cidades Educadoras.

Mas, como me esforcei por demonstrar acima, as ideias não movem o mundo, o que existe é a reflexão sobre a prática para então surgir uma nova prática. E é assim que se dá a evolução, mas que pode sofrer rupturas quando, por exemplo, uma nova administração não toma conhecimento da prática existente, não reflete sobre ela e, por via de consequência não avança.

O consolo é que as rupturas de processos podem ser para o bem ou para o mal. A ruptura do processo de corrupção no Brasil poderá ser saneadora de males que suportamos há mais de 500 anos, evidentemente desde que o mesmo pau que bate em Chico bata também em Francisco. Por outro lado, é lamentável quando rompemos com processos que poderiam levar a nossa cidade a formar jovens mais bem preparados para a vida.

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