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Depressão atinge cada vez mais mulheres

03 Abr 2011 - 11h14
Depressão atinge cada vez mais mulheres -
Segundo a ONU, as estatísticas apontam para perfis diferentes de causas para doenças psiquiátricas em homens e mulheres. O sofrimento psíquico feminino é causado sobretudo por questões circunstanciais da vida das mulheres, como dependência econômica, exaustão, medo, sobrecarga de trabalho e violência doméstica e civil.

“Mas o que mais pesa é o valor social do homem, que a mulher não tem. Ela ainda é desvalorizada”, afirma. “Especialmente para as criadas com uma dependência afetiva de um companheiro, a violência doméstica é um grande fator de depressão da mulher. A violência psicológica é uma desvalorização construída socialmente”, diz. Não precisa ir longe: brincadeiras como “lugar de mulher é na cozinha” interferem na autoestima feminina.

Embora mulheres sejam mais abertas para falar de seus sintomas e isso facilite diagnósticos, faltam treinamento e preparo aos profissionais de saúde da mulher. “Ser bem tratada no parto, por exemplo, faz toda a diferença”, afirma a pesquisadora. “É comum uma depressão pós-parto ser ‘diagnosticada’ como uma má mãe, que não gosta do seu filho”, diz.

O esforço contra a depressão deve ser contínuo. “Toda política pública que atenda a saúde da mulher de forma integral de alguma forma ataca a depressão também.”

Muita gente confunde depressão com tristeza. “A tristeza faz parte da condição humana, todos nós sentimos”, diz o psiquiatra Marcos Pacheco Ferraz, professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). E tristeza geralmente tem uma causa definida – uma perda, uma decepção, um problema familiar -, tem duração limitada e não afeta a auto-estima e os hábitos cotidianos.

“Depressão é doença, cujo agente causador não conhecemos com clareza”, reforça o especialista. É um estado emocional de negatividade que se prolonga por meses, no qual se destacam sentimentos pessimistas diante da vida (culpa, desesperança, pensamentos ligados à morte), perda de interesse em atividades que antes eram prazerosas, assim como queda de autoestima e autoconfiança.

Podem aparecer também dificuldades de concentração e de tomada de decisões, distúrbios do sono, falta de energia (cansaço permanente), desleixo com aparência, desajustes alimentares (diminuição ou aumento do apetite), confusão mental, irritabilidade e agressividade.

Com tudo isso, o comportamento do deprimido pode se alterar ainda mais. E as reações no dia a dia acabam variando de acordo com a personalidade prévia da pessoa, que vai reagir segundo seu temperamento. Por exemplo: se você é tímida e apresenta um quadro depressivo, a tendência é fugir ainda mais do convívio social; se é explosiva, pode se manifestar agressivamente diante de uma cobrança pelo baixo rendimento no trabalho. É bom lembrar que os quadros podem ser leves, moderados ou graves.

“Quando uma pessoa tem febre, não adianta você apenas querer que a temperatura baixe. Com a depressão é a mesma coisa”, compara Marcos Ferraz. Ou seja, as batidas frases de “estímulo” do tipo “tenha um pouco de força de vontade”, “vamos passear no shopping que melhora”, “você tem uma vida tão boa, está com depressão por quê?” ou “se ocupe com outras coisas que você não terá tempo de pensar em bobagens” não resolvem.

“Muitas vezes o cônjuge do paciente me procura e sugere fazer uma viagem para tirar o parceiro daquele estado. Costumo dizer que a depressão também compra passagem. Não é assim que se resolve o problema”, diz o psiquiatra Marcos Ferraz.

O tratamento da depressão geralmente envolve remédios e terapias. É preciso ter paciência tanto por parte do doente quanto de seus familiares e amigos. Afinal, os medicamentos costumam começar a fazer efeito após 15 ou 20 dias. E quanto antes se iniciar o tratamento, melhor. “Se você não afasta o paciente com alguma rapidez desse quadro, pode acabar gerando outros problemas nos relacionamentos e na vida profissional”, completa o professor da Unifesp.

#####FAMÍLIA


- É importante que a família fique atenta ainda ao comportamento do deprimido e se envolva no tratamento. E fique alerta em relação à sua segurança, especialmente em casos mais extremos, quando o paciente começa a dizer que não vê sentido na vida ou tem pensamentos relacionados à morte. “Em se tratando de depressão, cão que ladra, morde”, avisa o especialista.


A boa notícia é que depressão tem tratamento. Ao notar sinais da doença – especialmente apatia, perda de energia e de prazer em atividades antes apreciadas -, procure ajuda. O ombro amigo dos familiares e conhecidos pode ajudar, mas só uma intervenção especializada – com indicação inclusive do medicamento mais adequado ao seu caso – a ajudará a enfrentar e vencer o problema

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