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Filhos são os maiores agressores de idosos em Dourados

17 Fev 2020 - 15h08Por Valéria Araújo
Filhos são os maiores agressores de idosos em Dourados -

Os filhos são os maiores agressores de idosos em Dourados.  É o que apontam os registros de Boletins de Ocorrência do ano passado na Delegacia de Polícia Civil do município. Segundo o levantamento, cerca de 60% dos casos, a vítima foi agredida pelo próprio filho ou filha. Em outros 40% as lesões corporais acontecem ocasionados por outros parentes próximos como nora, genro, sobrinho, vizinhos ou até mesmo o próprio cônjugue, com mais ou menos idade.

De acordo com o delegado regional da Polícia Civil em Dourados, Lupercio Degerone, os principais motivos alegados pelos agressores são impaciência com algum tipo de doença do idoso, conflitos familiares, discussões por problemas financeiros, uso de drogas ou bebida por filhos ou outros entes domésticos.

 

No caso das agressões físicas a maioria dos casos são empurrões, tapas, chutes, que causam escoriações leves. No entanto, Degerone acredita que a violência contra idosos vai além de agressões classificadas como maus tratos. Para ele, o abandono e a exclusão social dessas pessoas também focalizam a questão. Ele destaca os casos de violência financeira, como a retenção de cartões e desvios da aposentadoria, além da violência psicológica e o abandono de incapaz.

“Existe a lesão corporal, mas o idoso acaba sofrendo muitas outras formas de violência como o desprezo e o abandono. O idoso é encontrado em condições desumanas, sem atenção e cuidados com a higiene e saúde, por exemplo. Há casos em que os familiares nem se recordam quando levaram o idoso ao médico ou a última vez em que deram banho na vítima. Há situações em que deixam ele passar fome. Fatores como esses levam a vítima a quadros de angústia e depressão, o que também são formas de violência”, explica.

 Crescem casos

Os números de violência contra idosos tiveram leve aumento em Dourados. Foram 26 casos em 2019 contra 22 no ano interior. Os números mostram ainda que foram no ano passado a Polícia registrou 24 casos de lesão corporal, um caso de abandono de incapaz e um caso de maus tratos.

Denúncias aumentam

Levantamento feito pelo Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos revelou que, no ano passado, o Disque 100 registrou um aumento de 13% no número de denúncias sobre violência contra idosos, em relação ao ano anterior. De acordo com a assessoria de imprensa da pasta, o serviço de atendimento recebeu 37.454 notificações, sendo que a maioria das agressões foi cometida nas residências das vítimas (85,6%), por filhos (52,9%) e netos (7,8%).

O levantamento mostra que a suscetibilidade das mulheres idosas é maior. Elas foram vítimas em 62,6% dos casos e os homens, em 32,2%. Em 5,1% dos registros, o gênero da vítima não foi informado.

Quanto à faixa etária, os dois perfis que predominam são de pessoas com idade entre 76 e 80 anos (18,3%) e entre 66 e 70 anos (16,2%). O relatório também destaca que quase metade das vítimas (41,5%) se declarou branca, 26,6% eram pardas, 9,9% pretas e 0,7% amarelas. As vítimas de origem indígena representam 0,4% do total.

As violações mais comuns foram a negligência (38%); a violência psicológica (26,5%), configurada quando há gestos de humilhação, hostilização ou xingamentos; e a violência patrimonial, que ocorre quando o idoso tem seu salário retido ou seus bens destruídos (19,9%). A violência física figura em quarto lugar, estando presente em 12,6% dos relatos levados ao Disque 100. O ministério informa que, em alguns casos, mais de um tipo de violência foi cometido e, portanto, comunicado à central.

Crime

De acordo com o Estatuto do Idoso, no artigo 99 é crime “expor a perigo a integridade e a saúde, física ou psíquica, do idoso, submetendo-o a condições desumanas ou degradantes ou privando-o de alimentos e cuidados indispensáveis, quando obrigado a fazê-lo, ou sujeitando-o a trabalho excessivo ou inadequado. A pena é de até 1 anos de detenção e multa. Se o fato resulta em lesão corporal a penalidade é de um a quatro anos de reclusão. Se a vítima morrer a penalidade ao autor é de 4 a 12 anos de reclusão. 

Já o artigo 129, do Código Penal diz que a penalidade para quem ofender a integridade corporal ou a saúde de outrem pode chegar a reclusão, de quatro a doze anos se a lesão causar a morte da vítima. O parágrafo 9º do mesmo artigo diz que “Se a lesão for praticada contra ascendente, descendente, irmão, cônjuge ou companheiro, ou com quem conviva ou tenha convivido, ou, ainda, prevalecendo-se o agente das relações domésticas, de coabitação ou de hospitalidade: (Redação dada pela Lei nº 11.340, de 2006)”, a pena é de detenção, de três meses a três anos.

Abandono

No último dia 9, uma idosa, de 74 anos, foi encontrada abandonada em uma casa, localizada na Rua Ivinhema, no Canaã I. De acordo com o boletim de ocorrência, os policiais encontraram a senhora, que estava abandonada há dias na residência, segundo denúncias.

A polícia relatou que a casa em que a idosa foi encontrada estava em condições precárias. Também não havia comida suficiente para ela. Segundo a ocorrência, a senhora passava dias sem tomar banho e não tem condições de se locomover, por isso, acabava defecando e urinando na cama por não conseguir se levantar.

 

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