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Bombeiros e correios: algumas reflexões

14 Jul 2011 - 07h45
José carlos de oliveira robaldo *




É comum e bom ouvir que as coisas evoluem positivamente, sobretudo as coisas boas. O estarrecedor, entretanto, é ouvir e presenciar a involução das coisas boas, como as relacionadas com o serviço público, sobretudo pela forma ou metodologia como são tratadas ou geridas por quem tem a obrigação de administrá-las e preservá-las.


O pior disso tudo é que o maior sofredor acaba sendo o cidadão, destinatário mor desses serviços. Quem está olhando de cima, na maioria das vezes, não percebe essa realidade e, se observa, não se preocupa. Infelizmente o quadro real é esse. As promessas das campanhas políticas, para muitos, são efêmeras. “Vende-se a mercadoria” para angariar votos e atingir a finalidade que é a eleição e, uma vez eleito, esquece-se de cumprir as promessas (entregar a mercadoria). A verdade é essa (com raras exceções). Ou está-se falando asneiras?


O quadro desenhado pelos serviços dos correios e pontualmente referente aos Bombeiros do Estado do Rio de Janeiro, reflete, com muita clareza e desolação, a involução desses dois serviços públicos e, ao que parece, por culpa exclusiva e pela indiferença de quem traça e conduz as políticas de gestão desses órgãos.


Ouvi e li por diversas vezes que, se haviam dois serviços públicos no Brasil que efetivamente funcionavam, a ponto de merecer destaques, eram os Bombeiros e os serviços dos Correios.


Os Bombeiros (que no dia 02/07/11 comemoraram 155 anos de sua criação), conquanto nem sempre dotados de meios materiais adequados, seja em situações de incêndio, de calamidade pública, de salvamento ou de atendimento em caso de acidentes (trânsito etc), ou seja, em situações mais adversas possíveis, sempre estiveram prontamente preparados para atender a população, até mesmo com sacrifício pessoal. Sem considerar o excelente serviço preventivo que prestam à sociedade, seja por meio de vistorias, de licenciamento etc.

Quantos e quantos acidentes, calamidades públicas, catástrofes e desgraças essa corporação tem evitado e, com isso, preservado a saúde e a vida do ser humano e até mesmo de animais irracionais? Contudo, em relação a esta instituição, pode-se ainda continuar utilizando o verbo no presente. Apesar dos pesares, ainda presta excelente serviço à sociedade.

Daí o acerto da firmação do cientista político Ricardo Ismael, quando diz que “Os bombeiros são uma das poucas instituições que têm o apreço da população...” (Folha de S. Paulo, 12.06.211, p. C3). Ou ainda, na visão do jornalista Claudio Humberto, “a corporação mais admirada no Rio” (Correio do Estado/MS, 20.6. 2011, p. 3ª) e em todo o País.


A propósito, sem entrar no mérito (se a invasão no Quartel Central/RJ foi justa ou não, isto é, a metodologia utilizada), a questão envolvendo os integrantes do Corpo de Bombeiros do Estado do Rio de Janeiro, visando melhoria nos seus salários, revela com muita clareza a maneira de descaso como eles são tratados pelo governo daquela unidade da federação.


Um profissional, com a responsabilidade que tem um integrante do Corpo de Bombeiros, não pode receber um salário de R$ 950,00 ou R$ 1031,38 como foi amplamente noticiado pela imprensa nacional.

Sobretudo em cidades do porte do Rio de Janeiro e de Niterói, onde o custo de vida é enorme. Isso sem considerar o tamanho da arrecadação tributária aquinhoada pelo Estado como um todo. O turismo, Petrobras etc, que o digam.


Aliás, pelo que se tem noticiado, no Rio de Janeiro, ganhar pouco não é “privilégio” apenas dos bombeiros, a polícia de modo geral (civil e militar) recebe uma ninharia de salário. O que dá margem (lógico que sem a intenção de se fazer qualquer comparação) a afirmação popular de que “cão com fome, pode abocanhar o seu próprio dono”. Devemos cuidar bem de quem cuida de nós.


Em relação aos Correios, é lamentável ouvir e ler cada vez mais notícias de atrasos e até mesmo da não entrega de correspondências. Está-se sucateando uma instituição que, com muita presteza, ao longo de muitos anos, sempre levou aos locais mais longínquos dos rincões do nosso País, bem como também trouxe, com segurança e certeza, boas e más notícias.

Com efeito, ainda é tempo de fazer com que essas instituições voltem ao seu lugar de destaque. É provável que com uma pequena fatia de vontade política se consiga esse objetivo, para felicidade geral da nação.

Vamos olhar com mais cuidado essas duas instituições. Repito, ainda é tempo.

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