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'Uma nova onda de censura começou no Irã', diz editor de Paulo Coelho

14 Jan 2011 - 14h45
Em foto divulgada em seu site, Arash Hejazi posa
com o escritor Paulo Coelho - Crédito: Foto: ReproduçãoEm foto divulgada em seu site, Arash Hejazi posa com o escritor Paulo Coelho - Crédito: Foto: Reprodução
O escritor, jornalista e editor de Paulo Coelho no Irã, Arash Hejazi afirmou ao G1 que o governo proibiu as obras do escritor brasileiro numa tentativa de controlar o “livre pensamento” e que o episódio faz parte de uma “nova onda de censura que começou recentemente” no país.

Foi Hejazi quem, segundo Coelho, o alertou sobre a decisão das autoridades iranianas em e-mail enviado no último domingo e divulgado pelo brasileiro em seu blog internacional.

“Fui informado hoje de que o Ministério da Cultura e Orientação Islâmica no Irã baniu todos os seus livros, até mesmo as versões não-autorizadas publicadas por outras editoras. Meus amigos souberam que nenhum livro que traga o nome de Paulo Coelho nele terá autorização para ser publicado mais no Irã”, explicou o editor, que atualmente vive no Reino Unido e diz temer por sua segurança em Teerã. “Seus livros foram banidos sem nenhuma explicação, e seus leitores iranianos estão ansiosos para ouvi-lo”, completou na ocasião.

O governo do Irã não se manifestou sobre o caso até agora.

Filho de um acadêmico com uma professora, Hejazi, 39, formou-se em medicina em 1996 e, no ano seguinte, ajudou a fundar a editora Caravan em Teerã, responsável por publicar a obra de Coelho no país, além de livros religiosos, místicos, poemas e romances de autores que vão de Ohmar Khayan e Milan Kundera a Gaston Leurox e Carl Gustav Jung.

A editora já teria sido vítima de censura no Irã em pelo menos outras duas ocasiões. Em 2008, a revista literária “BookFiesta” – publicada desde 2003 – foi fechada pelo Ministério da Cultura depois de divulgar um conto do italiano Primo Levi, conhecido por suas memórias sobre os anos preso no campo de concentração de Auschwitz. Em 2005, foi a vez de o romance “Zahir”, também de Paulo Coelho, ser proibido pelas autoridades locais.

Procurado pelo G1, Hejazi concordou em conceder entrevista por e-mail. Confira a seguir os principais trechos.

#####G1 – Você enviou um e-mail para o escritor Paulo Coelho no domingo falando sobre a proibição de sua obra no Irã, citando informações de amigos no país. Desde então, já houve alguma manifestação oficial do governo sobre o caso?

Arash Hejazi – Não. O governo do Irã nega que pratique qualquer tipo de censura no Irã. É bem improvável que eles divulguem quaisquer comunicados ou mesmo que neguem [a proibição aos livros de Paulo Coelho].

#####G1 – Que livros de Paulo Coelho sua editora publicou no Irã? Você já teve problemas semelhantes com a censura em relação a outros livros do brasileiro?

Hejazi – [Publicamos] todos eles, exceto “Onze minutos”. Sim, em 2005 eles baniram “Zahir”.

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