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Literatura

“Triste fim de Policarpo Quaresma” tem edição comentada

16 Mai 2016 - 06h00
“Triste Fim de Policarpo Quaresma” é considerado um dos grandes clássicos da literatura brasileira. - Crédito: Foto: Divulgação“Triste Fim de Policarpo Quaresma” é considerado um dos grandes clássicos da literatura brasileira. - Crédito: Foto: Divulgação
Representante do pré-modernismo brasileiro, Afonso Henriques de Lima Barreto, mais conhecido como Lima Barreto, nasceu no Rio de Janeiro em 13 de maio de 1881. O escritor divulgou seu primeiro romance em 1909, e dois anos depois, o Jornal do Commercio iniciou a publicação, em folhetins, de "Triste fim de Policarpo Quaresma", um clássico literário, que completou 100 anos em 2015.Pela Editora Moderna, o título ganhou uma edição comentada à margem do texto pelo professor Douglas Tufano.


Faz parte da coleção "Travessias", que traz grandes obras da literatura com notas que facilitam a leitura e auxiliam o jovem a compreender e valorizar renomados escritores do passado. O livro fornece informações históricas e culturais, notas de vocabulário e esclarecimentos sobre suas características literárias.


"Triste fim de Policarpo Quaresma" (Editora Moderna) traz a história que se passa no final do século XIX, época da chamada Primeira República, e a figura central do romance é o major reformado Policarpo Quaresma, um nacionalista fanático que, conhecendo o Brasil apenas por intermédio dos livros, sonha em poder ajudar o país a se transformar numa grande potência. Seu patriotismo exagerado leva-o a envolver-se em três projetos, que constituem o conteúdo das três partes em que se divide o livro.


Inicialmente, Quaresma mergulha no estudo das tradições brasileiras. Estuda violão, compõe modinhas populares, dedica-se à pesquisa do nosso folclore, ao estudo da língua tupi e dos costumes dos nossos indígenas. Obcecado por essas ideias, chega a fazer um requerimento à Câmara pedindo a oficialização do tupi como língua nacional. Tal ato o torna objeto de chacota e Quaresma fica tão abalado por essas ofensas que acaba sendo internado num hospital para doentes mentais, de onde sai para dedicar-se a outro projeto nacionalista: o trabalho agrícola.


Depois desse fato, o personagem compra o Sítio Sossego e resolve pôr em prática as orientações científicas que encontrava nos livros. Mas as terras não se revelam tão férteis, as pragas são terríveis e há muitas dificuldades na comercialização dos produtos.


Apesar da enorme extensão territorial, o Brasil não se desenvolve como potência agrícola e Quaresma começa a perceber que o problema, na verdade, está na corrupção dos políticos, que não fazem leis que ajudem esse desenvolvimento. Dedica-se, então, a seu terceiro projeto: a reforma política.


A oportunidade para isso surge por ocasião da Revolta da Armada. Quaresma vai ao Rio de Janeiro, engaja-se voluntariamente nas tropas do marechal Floriano Peixoto e luta pelos ideais republicanos. Vê em Floriano o reformador enérgico e patriota que sonhara e entrega-lhe um documento em que expõe seus planos de salvação do país. Mas o marechal responde-lhe secamente: "Você, Quaresma, é um visionário...". Desilude-se mais uma vez. Compreende então que não há patriotismo, e que os governantes só estão preocupados com seus interesses pessoais. Ao denunciar as atrocidades cometidas contra os prisioneiros, acaba sendo preso pelo mesmo governo ao qual se aliou voluntariamente.

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