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“Para Encontrar o Azul Eu Uso Pássaros”

09 Mar 2016 - 06h00
Manoel de Barros não só atribui um sentido literário aos pássaros, ao sol, às águas e aos seres, como também humaniza as paisagens pantaneiras. - Crédito: Foto: Marcelo Silva de OliveiraManoel de Barros não só atribui um sentido literário aos pássaros, ao sol, às águas e aos seres, como também humaniza as paisagens pantaneiras. - Crédito: Foto: Marcelo Silva de Oliveira
"Para Encontrar o Azul Eu Uso Pássaros" é para os amantes da poesia, natureza e fotografia: uma obra de arte. A obra bilíngue da Editora Alvorada de Campo Grande está em sua terceira edição e une a indescritível maneira de Manoel de Barros apresentar a natureza, com o olhar detalhista do fotógrafo Marcelo Silva de Oliveira. O livro conta com o apoio da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul.


Tendo como cenário o Pantanal, Manoel e Marcelo proporcionam a aproximação do leitor com essa paisagem tão exuberante. Com textos já publicados e outros inéditos, Manoel de Barros não só atribui um sentido literário aos pássaros, ao sol, às águas e aos seres, como também humaniza as paisagens pantaneiras. Por exemplo,imagens de garças vem acompanhadas de impressões do poeta como: "A elegância e o branco devem muito ás garças. Elas chegam de onde a beleza nasceu?"/"As garças dormem na beira da cor"/"A elegância da garça desabrochada no brejo"/"Têm estes pernaltas a incumbência de enfeitar os brejos".


Manoel Wenceslau Leite de Barros nasceu em Cuiabá, Mato Grosso, no dia 19 de dezembro de 1916. Ainda novo, foi morar em Corumbá e mais tarde foi para o Rio de Janeiro, estudar na faculdade de Direito. Viajou para Bolívia e Peru, morou em Nova York, captou em cada um dos lugares por onde passava um pouco da essência da liberdade, que aplicaria em suas poesias.


Apesar de ter publicado o primeiro livro em 1937, o "Poemas Concebidos Sem Pecado", o primeiro livro que escreveu acabou nas mãos de um policial. O jovem Manoel fez a pichação "Viva o comunismo", em um monumento, e a polícia foi em busca do autor da ousadia. Para defendê-lo, a dona da pensão em que vivia disse ao policial que o "criminoso" em questão era autor de um livro. O policial pediu para ver e levou o livro. Chamava-se "Nossa Senhora de Minha Escuridão" e Manoel nunca o teve de volta.


Formou-se em Direito, em 1941, na cidade do Rio de Janeiro. E já no ano seguinte publicou "Face Imóvel" e em 1946, "Poesias". Na década de 1960 foi para Campo Grande. Manoel consagrou-se como poeta nas décadas de 1980 e 1990, quando Millôr Fernandes publicava suas poesias nos maiores jornais do país.


Manoel de Barros é classificado na Geração de 45 da literatura. Trabalhou bastante com a temática da natureza, mais especificamente, o Pantanal. Mistura estilos e aborda o tema regional com originalidade.
Os livros do autor são: "Compêndio Para Uso dos Pássaros" (1961), "Gramática Expositiva do Chão" (1969), "Matéria de Poesia" (1974), "O Guardador de Águas" (1989), "Retrato do Artista Quando Coisa" (1998), "O Fazedor de Amanhecer" (2001), entre outros. Dentre as premiações que recebeu destacam-se: "Prêmio Orlando Dantas" (1960), "Prêmio da Fundação Cultural do Distrito Federal" (1969). "Prêmio Nestlé" (1997) e o "Prêmio Cecília Meireles" (literatura/poesia, 1998).


Manoel de Barros morreu em Campo Grande, Mato Grosso, no dia 13 de novembro de 2014.

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