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Espetáculo

“O Diário de Madalena” homenageia Manoel de Barros

19 Abr 2016 - 06h00
Em “O Diário de Madalena”  a poesia  é o fio condutor onde a dramaturgia ao mesmo tempo permeia com os personagens caminhando entre o real e o imaginário. - Crédito: Foto: DivulgaçãoEm “O Diário de Madalena” a poesia é o fio condutor onde a dramaturgia ao mesmo tempo permeia com os personagens caminhando entre o real e o imaginário. - Crédito: Foto: Divulgação
Comemorando 24 anos de trabalhos ininterruptos completados neste ano, o grupo Teatral Palco Sociedade Dramática encena hoje, às 20h no Teatro Aracy Balabanian em Campo Grande, o espetáculo "O Diário de Madalena". A apresentação com entrada gratuita integra a programação da Boca de Cena- Mostra Sul-mato-grossense de Teatro.


Escrito e dirigido por Espedito Di Montebranco, que também atua ao lado de Bruno Moser e Jurema de Castro, o grupo teatral Palco Sociedade Dramática propõe em cena o resultado de alguns estudos acerca da poesia de Manoel de Barros e que o Grupo vêm desenvolvendo desde 2003. O espetáculo que têm na sonoplastia poemas na própria voz do poeta Pantaneiro e busca de forma poética discutir o tema "violência doméstica".


Em seu contexto, a peça narra a história de uma família composta por três pessoas : Severo (o pai) e dois filhos, Sabiá e Madalena que moram no pantanal de Mato Grosso do Sul sem contato com outras pessoas e meios de comunicação. Enquanto Severo está cidade a procura de socorro médico a esposa morre e os dois filhos menores são obrigados a enterra-la próxima da casa onde moram. A partir da morte de Jurema a família sofre uma desestruturação e o pai acaba vendo na filha Madalena a figura da esposa, terminando por abusar sexualmente da mesma.


Nasce aí um conflito entre eles. O irmão Sabiá tem conhecimento das atitudes do pai, mas ao mesmo tempo em que tenta salvar a irmã, acaba também se perturbando, pois sofre a violência do mesmo.


Em "O Diário de Madalena" a poesia é o fio condutor do espetáculo onde a dramaturgia ao mesmo tempo permeia entre o poético e o brutal, com os personagens caminhando entre o real e o imaginário, despertando a sensibilidade em cada um e propondo uma reflexão maior para uma realidade mundial, a violência sexual causada à mulher e principalmente à criança.


No meio do Pantanal de Mato Grosso do Sul na região de Inhecolândia está uma casa simples isolada do mundo onde apenas o cantar dos pássaros quebra a monotonia do lugar.


Uma família desestruturada. A mãe Jurema doente e o marido Severo vai à cidade em busca de socorro médico, neste meio tempo Jurema morre e é enterrada pelos filhos Sabiá de 16 anos e Madalena de 15 anos no quintal de casa. Revoltado por não encontrar socorro Severo se torna a cada dia mais um pai autoritário e violento ao ponto de violentar a própria filha várias vezes, justificando que a filha é idêntica à mãe. Sabiá é o irmão que tenta salvá-la mas é reprimido pelo pai...


"Dois adolescentes em desespero. Um pai autoritário e violento. Um rádio, única forma possível para se ouvir outra voz humana que não a deles...Um livro chamado de "Diário" onde Madalena mergulha sua solidão e explora suas angustias...As palavras soltas voando pelos cantos da casa a procura de um abrigo para se tornarem vivas. A poesia dos pássaros, das arvores, das águas, do vento, do poeta Manoel de Barros...".

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