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Falecimento

Morre a atriz Tereza Rachel, aos 82 anos

05 Abr 2016 - 06h00
Terezinha Brandwain, nome de batismo da atriz, interpretou na TV personagens marcantes. - Crédito: Foto: DivulgaçãoTerezinha Brandwain, nome de batismo da atriz, interpretou na TV personagens marcantes. - Crédito: Foto: Divulgação
Conhecida do grande público por papéis em novelas como "A Próxima Vítima" e "Que Rei Sou Eu?", a atriz Tereza Rachel morreu na tarde do último sábado, no Rio de Janeiro, aos 82 anos. Ela estava internada desde o dia 30 de dezembro do ano passado no Centro de Tratamento Intensivo (CTI) do Hospital São Lucas, em Copacabana, na Zona Sul do Rio, em decorrência de um quadro agudo de obstrução intestinal.


Terezinha Brandwain, nome de batismo da atriz, interpretou na TV personagens marcantes como Clô Hayalla em "O Astro" (1978), Marta Gama em "Baila Comigo" (1981), Renata Dumont em "Louco Amor" (1983), a Rainha Valentine em "Que Rei Sou Eu?" (1989) e Francesca Ferreto em "A Próxima Vitima" (1995).


Na década de 1960, participou de peças históricas. Em 1965, esteve na primeira montagem de "Liberdade, Liberdade", de Flávio Rangel e Millôr Fernandes, com o Grupo Opinião, um marco do teatro de protesto. Dois anos depois, interpretou Jocasta em "Édipo Rei", com Paulo Autran e direção também de Flavio Rangel. Em 1969, integrou o elenco da primeira — e histórica — montagem brasileira de "O Balcão" (1969), de Jean Genet, dirigida pelo argentino Victor Garcia.


Ao longo da carreira, Tereza trouxe vários textos de vanguarda para serem montados no Brasil pela primeira vez. Foi o caso de "A Mãe" (1971), do polonês Stanislaw Witkiewicz, que ela conheceu ao assistir a uma montagem em Paris. De tão empolgada, convenceu o diretor francês Claude Régy a vir cuidar da versão brasileira. Com ela, Tereza levou o prêmio Molière de melhor atriz. Em 1972, Tereza produziu e atuou em "Tango" (1972), do polonês Slawomir Mrozek, dividindo o palco com Sérgio Britto, sob direção de Amir Haddad.
"Ela tem uma dimensão estelar absoluta. Uma grande atriz que tem uma história de vitória, comunidade judaica pobre e conseguiu se projetar de uma forma absoluta. É uma atriz muito intensa, com grande força dramática", disse a crítica de teatro Tânia Brandão.


Naquela época, início dos anos 1970, sentiu que seu compromisso com o teatro ia além do que levava aos palcos. Foi atrás de um financiamento e empenhou-se em criar um teatro propriamente dito, em Copacabana, com o seu nome. Aberto provisoriamente em 1971 e inaugurado em 1972, o Teatro Tereza Rachel foi um importante polo cultural durante a década. No mesmo palco em que Gal Costa fez o cultuado show "Gal Fatal" (1971), Luiz Gonzaga, Clementina de Jesus e Dalva de Oliveira realizaram suas últimas apresentações.


Entre 2001 e 2008, o espaço foi alugado para a Igreja Universal do Reino de Deus e deixou de receber produções culturais. Em 2004, depois de ver uma entrevista na qual Tereza lamentava o fato de não ocupar mais aquele espaço com espetáculos, Miguel Falabella, na época gestor da Rede Municipal de Teatros, iniciou negociações para que a prefeitura alugasse o equipamento, o que resultou no tombamento do local. Entretanto, ele só voltou a funcionar regularmente como sala de espetáculos em 4 de abril de 2012, depois de ser arrendado por Frederico e Juliana Reder e passar se chamar Net Rio.

Saudades


Para os amigos mais próximos e atores, Tereza teve um papel fundamental para a cultura do país. "A importância dela, só de ter um grande teatro com o nome dela, foi muito importante. Ela é uma atriz genial. As peças que montou foram de grande importância política. Ela estava sempre à frente. Um exemplo é o musical Gota D’água. Aquele lugar é sagrado para todos os atores. Infelizmente eu não trabalhei com ela. Mas sempre a admirei. É como se eu tivesse perdido uma pessoa da família", afirmou ao portal G 1, o amigo Ney Latorraca.


Segundo a amiga Rosamaria Murtinho, que completa 60 anos de carreira esse ano, é uma perda lamentável. "Era uma atriz excelente. Houve uma época que ela estava tão brilhante no teatro brasileiro de comédia, de São Paulo, que tudo o que ela fazia era sensacional. Era uma muito boa atriz. É uma perda para o teatro que não tem como ser reparada. Ficamos todos mais tristes", lamentou Rosamaria.

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