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'Lixo extraordinário' mostra Vik Muniz com catadores

20 Jan 2011 - 21h45


Vencedor de prêmios de público nos festivais de Sundance e Berlim em 2010, e integrante da pré-lista de 15 documentários da qual sairão os cinco indicados ao Oscar da categoria (no próximo dia 25), \"Lixo extraordinário\", de Lucy Walker, João Jardim e Karen Harley, é um filme marcado pela polêmica.

Filmada ao longo de três anos, a obra acompanha um projeto social do consagrado artista plástico brasileiro Vik Muniz com catadores do lixão de Gramacho, em Duque de Caxias (RJ) - considerado o maior da América Latina e cenário de outro documentário premiado, \'Estamira\', de Marcos Prado, de 2004.

Animado com os resultados de um projeto anterior, \"Sugar children\", em 1996, em que fotografou crianças de famílias que cultivavam cana-de-açúcar no Caribe, proporcionando um retorno para essa comunidade, Muniz quis repetir a experiência no Brasil. A câmera revela as montanhas de lixo e o ambiente desolador, em que seres humanos dividem a cena com urubus. Só de olhar, pode-se imaginar a extrema dificuldade da vida de quem arranca dali objetos destinados à reciclagem, gerando renda para aproximadamente 3 mil catadores.

O projeto evolui com a decisiva participação da cooperativa dos catadores, liderada pelo jovem Sebastião Santos. Ele será um dos personagens das obras criadas pelos catadores, a partir de fotografias de Muniz, usando objetos de seu dia a dia, como latas, embalagens e outros itens colhidos diariamente no lixão.

A polêmica, que ocorreu, por exemplo, em debates no Festival de Paulínia 2010 - onde o filme, mais uma vez, obteve um prêmio de público, além de um especial do júri - está no que alguns críticos enxergaram como uma intenção de promoção pessoal do artista nestes projetos com comunidades carentes.

Embora essa possa ser, realmente, uma impressão causada pelo filme, é inegável que o projeto teve um impacto positivo na vida dos catadores - como se depreende nos rumos que cada um tomou a partir dele, informação concedida nos letreiros finais.

O que há de mais consistente a criticar em \"Lixo extraordinário\" está num certo desequilíbrio, provocado pela intervenção de três diretores diferentes, ao longo dos três anos da produção - a inglesa Lucy Walker e os brasileiros João Jardim (\"Janela da alma\") e Karen Harley, uma respeitada montadora.

Quando entram em cena os catadores, o filme cresce. São personagens de extrema grandeza humana e não há como negar que a câmera capta um processo de crescimento pessoal deles, ao serem expostos à arte e novas oportunidades - ainda que não se conheça completamente o que o futuro lhes reserva.

O grande problema, ao que tudo indica, foi que os produtores ingleses insistiram demais em ter um produto de circulação internacional - e a eles podem ser creditadas decisões equivocadas, que trabalham contra o filme, como deixar uma conversa em inglês entre Vik Muniz, sua mulher e um assessor, que faz o artista parecer pedante, assim como abrir e fechar o filme com trechos de um programa de Jô Soares, que entrevista Muniz e Tião.

(Por Neusa Barbosa, do Cineweb)

* As opiniões expressas são responsabilidade do Cineweb
(G1.com)

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