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'Ele tem que dar ao povo o que ele quer', diz rapper egípcio anti-Mubarak

10 Fev 2011 - 17h20
Os rappers do Arabian Knightz - Crédito: Foto: Divulgação/Myspace do artistaOs rappers do Arabian Knightz - Crédito: Foto: Divulgação/Myspace do artista
Por cima de um suave dedilhado de violão, tirado de uma música da cantora americana Lauryn Hill, os rappers egípcios do Arabian Knightz cantam em “Rebel”: “Açoitados em opressão; as correntes da recessão domesticam nossa agressão” e “a verdade é minha munição, deixe explodir, como granadas em seu cérebro. Para reconquistar nosso terreno e nos ver livres desta gaiola”.

O trio de MCs vive no Cairo, onde protestos contra o ditador Hosni Mubarak ocorrem desde janeiro. “Rebel” tem versos escritos em árabe e em inglês e foi lançada quando as manifestações se intensificaram. Pode ser ouvida no MySpace da banda e estimula o povo egípcio a continuar seu levante contra o governo.

“Acreditamos que o mandato de Hosni Mubarak durou muito tempo. Ele retirou a maior parte da liberdade das pessoas e não fez nada para resolver o problema da pobreza no Egito”, disse Hesham “Sphinx” (“esfinge” em inglês), um dos membros do trio, em entrevista ao G1.

“Ele tem que dar ao povo o que ele quer. Se ele realmente se importa, fará uma transição rápida, suave e segura.”

A banda foi criada em 2005 por Hesham, Karim “Rush” e Ehab “E-money”. Ela faz parte de uma cena de rap que surgiu no Cairo em meados dos anos 2000. Hesham diz que o movimento não começou para fazer oposição específica a Mubarak: “Acontece que somos contra injustiça e, quando a percebemos, falamos sobre ela. Seja no Egito, na Palestina, Uganda, América, ou qualquer outro lugar.”

Quando não estão sobre o palco, Ehab trabalha como designer gráfico e seus colegas vivem do setor exportador. Escrevem e falam com fluência em inglês.

Além de músicas soltas, o trio já lançou uma mixtape pela internet e planeja um álbum para 2011, chamado “Uknighted state of Arabia”.

Durante seus shows, já foram ameaçados por oficiais do governo por tocar algumas de suas músicas mais polêmicas. Depois que lançaram “Rebel”, foram convidados para se apresentar na praça Tahir, principal palco das manifestações, mas negaram o convite. “Não queremos desviar a atenção da revolução que está acontecendo lá. A revolução é para o povo”, diz Hesham.

Do governo sucessor ao de Mubarak, o rapper diz que espera “muitas mudanças”. “Podemos começar com liberdades democráticas e benefícios para as pessoas. Mas a maior mudança seria se aqueles que estão no poder há muito tempo deixassem seus cargos. Os poderosos têm que dar lugar ao povo.”

(G1)

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