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Diretor da Dior abre desfile de Galliano criticando 'declarações infelizes'

04 Mar 2011 - 13h20
Sidney Toledano, diretor da Dior, em foto de abril de
2010 - Crédito: Foto: Eric Piermont/AFPSidney Toledano, diretor da Dior, em foto de abril de 2010 - Crédito: Foto: Eric Piermont/AFP
O diretor da Maison Christian Dior, Sidney Toledano, apresentou nesta sexta-feira (4) a coleção de John Galliano nas passarelas de Paris com duras críticas às \"declarações infelizes\" do estilista, que foi demitido do grupo por antissemitismo.

\"O que aconteceu na última semana foi uma provação terrível e dolorosa para todos nós\", disse Toledano antes do início do desfile, montado para a Semana de Moda de Paris.

\"Tem sido profudamente sofrido ver o nome Dior associado às declarações infelizes atribuídas a seu estilista, independente do quão brilhante ele possa ser.\"


Em seu discurso, Toledano - que é judeu - destacou que \"a própria amada irmã de Christian Dior foi deportada para Buchenwald\", o campo de concentração nazista.

A Dior, que é a unidade mais valiosa do maior grupo de luxo do mundo, o LVMH, demitiu seu estilista chefe, John Galliano, três dias atrás por declarações antissemitas dele gravadas em vídeo, nas quais expressou admiração por Adolf Hitler.

O cancelamento do desfile teria significado a perda de uma coleção inteira, na qual a empresa investiu muito, além da perda de uma temporada inteira de encomendas de compradores enviados a Paris por lojas varejistas de todo o mundo.

O clima do desfile era sombrio e tenso. Foram apresentadas 62 criações, um número normal para um desfile do porte da Dior, o que sugere que pouco ou nada foi modificado em função do escândalo.

Depois da apresentação, cerca de 50 funcionários do ateliê Dior vestindo jalecos subiram na passarela para receber os calorosos aplausos da plateia, marcando ainda mais o choque pela ausência de John Galliano, famoso pelas poses e pelo visual excêntrico que exibia ao fim dos desfiles.

Embora a Dior tenha agido prontamente ao demitir Galliano, que passou 15 anos à frente de uma das grifes de moda mais famosas do mundo, especialistas do setor não preveem que a maison de alta-costura anuncie nesta sexta o nome de quem vai substituir o estilista britânico.

Entre os nomes possíveis aventados para tomar o lugar de Galliano está o de Riccardo Tisci, estilista da Givenchy, que também faz parte do grupo LVMH.

Não está claro o que acontecerá com a grife John Galliano, já que ela não conseguirá sobreviver sem o apoio financeiro da Dior. A Dior é dona de 92% da grife, cujos produtos são vendidos principalmente em lojas de departamentos e lojas de multimarcas. A grife só possui uma butique operada diretamente por ela, em Paris.

Esta semana alguns editores e compradores de moda anunciaram que pretendem boicotar o desfile da grife John Galliano.

Galliano enfrenta a possibilidade de ir a julgamento, acusado de fazer declarações racistas em público na semana passada e em outubro. Se for condenado por racismo, o estilista - a princípio suspenso, e em seguida demitido pela Dior - pode ser sentenciado a até seis meses de prisão e a pagar uma multa de 22,5 mil euros (US$ 31 mil).

O estilista pediu desculpas e deixou Paris. \'Ele não está mais em Paris e está sendo cuidado\', disse na sexta um porta-voz da grife John Galliano.

(G1)

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