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Dez presos da Lava Jato devem fazer exame no IML hoje

23 Mar 2016 - 09h35
Maria Lúcia fechou acordo de delação após ser presa na
23ª fase - Crédito: Foto: Reprodução/Justiça FederalMaria Lúcia fechou acordo de delação após ser presa na 23ª fase - Crédito: Foto: Reprodução/Justiça Federal
Dez presos da 26ª fase da Operação Lava Jato, deflagrada na terça-feira (23), devem fazer exame de corpo de delito no Instituto Médico-Legal (IML), em Curitiba, na manhã desta quarta-feira (23). A ação, que mira a Odebrecht, é considerada uma das maiores já realizadas no âmbito da Lava Jato e foi batizada de 'Xepa'.
Os detentos chegaram à capital paranaense no início da noite de terça. O exame no IML é um procedimento padrão após a prisão.

O executivo da Odebrech Luiz Eduardo da Rocha Soares também teve um mandado de prisão preventiva expedido e é considerado foragido pela polícia. Ele estaria nos Estados Unidos.
Outros dois presos na atual fase devem chegar ao Paraná nesta quarta. A PF não informou o horário. São eles: Antônio Claudio Albernaz Cordeiro, detido em Porto Alegre, e Sérgio Luiz Neves, detido em Minas Gerais.

Os presos que farão o exame no IML pela manhã são: Hilberto Mascarenhas Alves da Silva Filho, Olivio Rodrigues Júnior, Marcelo Rodrigues, Antônio Pessoa de Souza Couto, Isaias Ubiraci Chaves Santos, João Alberto Lovera, Paul Elie Altit, Roberto Prisco Paraíso Ramos, Rodrigo Costa Melo e Alvaro José Galliez Novis. Eles devem sair da PF para a realização do exame por volta das 10h.
A Odebrecht informou, em nota, que "a empresa tem prestado todo o auxílio nas investigações em curso, colaborando com os esclarecimentos necessários".

Investigações
A operação teve 108 mandados expedidos e foi deflagrada nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Bahia, Piauí, Minas Gerais, Pernambuco e no Distrito Federal. A Odebrecht, uma das maiores empreiteiras do país, foi alvo da ação.

Em entrevista coletiva na manhã de terça (23), a força-tarefa da Lava Jato revelou que aOdebrecht tinha uma estrutura profissional de pagamento de propina em dinheiro no Brasil.

A empresa, ainda conforme a investigação, tinha funcionários dedicados a uma espécie de contabilidade paralela que visava pagamentos ilícitos. A área era chamada de "Setor de Operações Estruturadas".
O Ministério Público Federal (MPF) afirma que os pagamentos feitos pela empreiteira estão atrelados a diversas obras e serviços federais e também a governos estaduais e municipais. Dentre elas está a construção da Arena Corinthians, segundo o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima.

A estimativa é de, ao menos, R$ 66 milhões em propina distribuída entre 25 a 30 pessoas. Este valor, segundo a Polícia Federal (PF), estava disponível em apenas uma das contas identificada como pertecente à contabilidade paralela da empresa.

Além do estádio, a operação também investiga irregularidades no Canal do Sertão, na Supervias, no Aeroporto de Goiânia e na Trensurb, do Rio Grande do Sul.
"Se chegou a observar R$ 9 milhões de um dia para outro em dinheiro em espécie", disse a procuradora do Ministério Público Federal (MPF) Laura Gonçalves Tesser. Os pagamentos ilegais ocorreram já com mais de um ano da Lava Jato em curso.

Delação de Maria Lúcia
A ex-funcionária da Odebrecht Maria Lúcia Tavares detalhou, em depoimentos de delação premiada, o funcionamento do setor de contabilidade paralela da empresa. De acordo com a PF, as informações sobre o esquema de pagamentos ilícitos embasaram a Operação Xepa.

Maria Lúcia foi presa na 23ª fase da operação. Ela era responsável por repassar as informações das planilhas de pagamentos paralelos para os entregadores, e depois receber deles os extratos para fazer a conferência com as planilhas que recebia.

Na delação, ela contou que chegou ao "Setor de Operações Estruturadas" há seis anos, após trabalhar na empresa desde 1977. No setor, ela tinha como superiores Luiz Eduardo Soares, Fernando Migliaccio e Hilberto Silva – este era o chefe do setor –, e trabalhava ainda com Angela Palmeira, Audenira Bezerra e Alyne Borazo.

Na rotina de trabalho, as atividades de Maria Lúcia no setor consistiam em extrair de um sistema interno, semanalmente, planilhas de requisições de pagamentos paralelos. Ela disse aos investigadores que não sabe quem elaborava as planilhas ou solicitava os pagamentos, mas que sabe que Ubiraci Santos era um dos envolvidos.

A delatora relatou também que depois da entrega cabia a ela elaborar uma planilha com base nos extratos enviados pelos prestadores, verificando se estava correto de acordo com o que havia sido encaminhado por Migliaccio. Em alguns casos, contou, Migliaccio dizia que os pedidos tinham vindo por "ordem do chefe", em referência a Marcelo Odebrecht.

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