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Conceição dos Bugres é ícone da cultura sul-mato-grossense

24 Fev 2016 - 06h00
Bugrinhos de Conceição dos Bugres, em exposição permanente no Serviço Social do Comércio - Crédito: Foto: Elvio LopesBugrinhos de Conceição dos Bugres, em exposição permanente no Serviço Social do Comércio - Crédito: Foto: Elvio Lopes
Antecipando o grande êxodo de gaúchos que vieram para explorar a terra no então Mato Grosso no final da década de 60 e até meados dos anos 70, a ainda adolescente Conceição Freitas da Silva, veio de carro-de-boi de seu estado nativo, o Rio Grande do Sul, em meados do século passado, estabelecendo-se inicialmente em Ponta Porã e depois mudando-se para Campo Grande, onde se transformou em Conceição dos Bugres, um ícone da cultura sul-mato-grossense e reconhecida como uma das maiores artesãs em madeira no país. Ela é tema de exposição permanente na unidade do Serviço Social do Comércio (Sesc), na Morada dos Baís, na Capital.


Natural de Povinho de Santiago (RS), em 1914, Conceição dos Bugres casou-se em Ponta Porã com o artista Abílio Antunes e, em 1957, transfere-se para Campo Grande, onde vive de sua escultura até o seu falecimento, em 1984, aos 70 anos de idade.


Nesse período em que a gaúcha/mato-grossense e depois sul-mato-grossense, pela divisão do então Mato Grosso viveu em Campo Grande, produziu sua arte, irradiada para o conhecimento dos grandes centros culturais do país, participando de exposições em São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre e na Espanha e França, em mostras internacionais de artesanato.


Em sua lide doméstica, Conceição dos Bugres criou um dos mais fortes imaginários da cultura brasileira de fonte popular, segundo o “Pequeno Dicionário do Povo Brasileiro”, século XX, de Lélia Coelho Frota, os bugres, espalhados em museus nacionais e internacionais e coleções públicas e particulares pelo País.


Em sua historiografia, Conceição esculpiu seu primeiro “bugrinho” em uma raiz de mandioca, passando depois para a madeira, onde utilizava a técnica da cera amarela para revestir e proteger as esculturas e que afirmara ter-lhe sido revelada em um sonho.


A crítica Aline Figueiredo, em publicação de 1979, considera Conceição dos Bugres a principal escultora de Mato Grosso, com seu trabalho emblemático, brutalista e que revela uma pesquisa permanente da forma, como se o bugre fosse o ícone da indagação permanente de uma identidade própria - a dela, a nossa.


As reconhecidas historiadoras e professoras Maria da Glória Sá Rosa e Maria Adélia Menegazzo, que se especializaram em história da arte, reforçam, em seus estudos, a relevância das esculturas de Conceição, corroboradas por documentários e manifestações de artistas sul-mato-grossenses que sugerem que as caricaturas dos “bugrinhos” se transformem na marca registrada de Mato Grosso do Sul, uma vez que a artesã é reconhecida como um dos principais ícones da identidade cultural sul-mato-grossense.


O Sesc Morada dos Baís fica na Avenida Afonso Pena, esquina com Avenida Noroeste com telefones para informações (67) 3311-4300 e para agendamento de visitas às exposições permanentes – além de Conceição dos Bugres, também obras de Jorapimo e Lídia Baís – (67) 3311-4458.

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