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Variedades

As aves do céu, seus costumes e… sua gratidão

05 Fev 2016 - 11h01
José Alberto Vasconcellos

“Diversas espécies de rolas e pombos são encontrados (...), havendo alguma confusão quanto aos nome. O heb. Yonah é usualmente traduzido por “pomba”, mas nas passagens sacrificiais dos livros de Levítico e de Números é sempre traduzido por “pombinhos”. Nos mesmos versículos aparece o tor, que em nossa versões portuguesas também é traduzida por “pomba”, ela tem o nome científico genérico de Turtur, baseado em seu arrulho (...). O termo hebraico yonah, por conseguinte, é a pomba das rochas (Columba lívia) que era domesticada na antiguidade e que tem sido largamente usada como alimento (...).” (Novo Dicionário da Bíblia, Ed. Vida Nova, tradução João Bentes, 2006).


A fauna brasileira é riquíssima em pássaros, com uma variedade tão grande, que em número, disputa com as estrelas do céu!


Foi o que conseguimos extrair dos alfarrábios (anotações antigas) que fazem referência às aves granívoras (que se alimentam de grãos, de sementes) da família dos colombídeos (gen. Columba) com bico curto e reto, asas curtas e vôo ligeiro, que vivem em bandos e, periodicamente, migram, como a Avoante, (também conhecida como “Avoançã”), pomba campestre sul-americana (Zenaida auriculata), que forma bandos compactos no Nordeste brasileiro, durante a migração.” (Larousse, op. cit.).


Falemos agora dos nossos terreiros, habitados por rolinhas, fogos-apagô, pombinhas-do-ar, avoançãs, juritis e as gigantescas pombas (pombão) que alguns chamam de “Columbina” (pomba do mato), “Patagioenas picazuro); do Grego: “Patageo” = barulho; e “Oinas” = pomba.


Todas são comestíveis, desde as rolinhas com sua exígua carcaça, e assim tem-se aproveitado delas os brasileiros.


Desperto com os arrulhos de quase um centena de pombas, de todas as categorias e tamanhos, acostumadas que estão com o trato que lhes dou diariamente, constituído de milho e quirera, mais água fresca e limpa, elas tomam assento – todas as madrugadas – nos fios da rede pública de energia, defronte à janela do meu quarto, e começam um animado arrulho, como que dizendo: “—É hora de dar nosso trato, meu anjo!” Para resolver o impasse e não ser perturbado nas madrugadas, resolvi colocar a ração à noite, assim elas não precisam esperar e tampouco eu levantar-me.


Segue assim a ladainha, dia após dia, tendo como única novidade, o aumento constante do bando. Outras espécies agregaram-se ao bando: já podemos contar cerca de duas dúzias de canários da terra.


Vez por outra, encontro no local onde foi posta a ração, uma pena. A maior pena, que a maior pomba possui numa asa. Hoje recolhi uma dessas penas e pensei: “É quase certo, que esta pena foi deixada como sinal de agradecimento, pelo alimento que elas recebem, todos os dias. Sem poder falar, sem poder fazer um gesto de agradecimento, deixou-me parte do que lhe é mais importante: parte da sua asa!


Estando uma pomba com uma asa avariada ou desprovida das penas necessárias, assim como se estiver com uma das pernas machucada, não poderá voar, porque depende das pernas para o pulo inicial para alçar o vôo e das asas, para impelir-se no ar e voar.


Pousada no chão para alimentar-se, a pomba estará, todo o tempo, correndo perigo de vida, sujeita ao ataque de um predador, principalmente um gato. Falando em gato, a maior atração em minha casa, atualmente, não são as pombas e nem os canários, é a Joaquina, chamada na intimidade, de “Jô-jô”.


“Jô-jô” é uma gatinha de pouca idade, preta com manchas brancas, que alguém jogou no meu quintal. Um pingo de gato, de raça desconhecida: frágil, inteligente e rápida! Muito engraçada e não abandona o seu espaço. Diverte todo mundo, virando cambalhotas na sua caminha, para chamar a atenção. Explora, todos os dias, parte do quintal, sendo certo, contudo, que tem residência fixa, num canto da cozinha, onde está sua cama, e ao lado dela: leite, ração e um bandeja com areia.


São pombas pela frente (da casa) e a “Jô-jô” pelos fundos (na cozinha). No espaço entre esses dois pontos, circulam duas gatas siamesas, a Abigail e a Violeta, que nasceram e cresceram no pedaço. Elas adoram caçar pombinhas; vez por outra, conseguem!


A fauna local é constituída por inimigos tradicionais – gatos e pombas – a convivência exige renovados cuidados, para que não haja baixa. Por seu lado, a “Jô-jô” só quer mesmo é brincar e explorar as redondezas, ignorando as ameaças da Violeta, que lhe devota acintosa antipatia.


A “Jô-jô” e as pombas têm o que precisam; já as siamesas, nada há que possa aplacar-lhes a vontade de caçar uma pombinha!


Eu? Bem tenho pena (delas) e a PENA da gratidão!


Membro da Academia Douradense de Letras. e-mail: [email protected]

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