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Aniversário: Júlio Capilé é história viva do jornal

21 Abr 2011 - 05h57
Júlio Capilé em início da carreira de médico no Rio de Janeiro - Crédito: Foto : DivulgaçãoJúlio Capilé em início da carreira de médico no Rio de Janeiro - Crédito: Foto : Divulgação
Dourados – Uma viagem no tempo por relíquias e memórias dos pioneiros e seus descendentes. Este é o convite que o médico aposentado Júlio Capilé, de 94 anos, um dos mais antigos articulistas de O PROGRESSO, propõe aos leitores desde a década de 80. Os artigos começaram a ser publicados em 1988, de forma esporádica. Mais a partir de julho de 1999, os textos de Júlio passaram a ter espaço na página “Opinião”, todas as quartas-feiras.

“Durante muito tempo escrevi lembranças de tudo que vivera em Mato Grosso e principalmente sobre os costumes do sertão onde morava e sobre Dourados e sua gente. Do conjunto desses artigos resultou o livro “História, Fatos e Coisas Douradenses” (1995), em parceria com meu irmão Sinjão Capilé e a professora Maria de Lourdes Cruz e Souza”, lembra Júlio.

A empolgação com a experiência de coletar as histórias dos antepassados para chegar as novas gerações, fez com que Capilé passasse a registrar em seus artigos os causos dos locais por onde viveu temporadas: Rio de Janeiro, São Paulo, Cuiabá, Ponta Porã, além de Dourados. “Desta fase decidi lançar em 2004, o livro “Antigamente Era Assim”, composto de crônicas”.

Com uma invejável lucidez de pesquisador nato, Júlio relembra fatos que provocaram discussões entre os leitores de seus artigos. Ele cita as abordagens feitas quanto as relações empregado/patrão e o poder de influência da Companhia Mate Laranjeira perante ao governo estadual e sobre os índios Caá y iúva, conhecidos como “tomadores de mate”.


“O Conselho Indigenista Missionário (Cimi) mandou resposta sobre o artigo “Os Índios Precisam ser Gente”, ao que disse-ram que eles já eram gente. Mas o que me referia é que não deixavam os índios saírem da condição de não gente, isto é, de apartados quando deveriam integrá-los na sociedade desde a mais tenra infância. Ficaram separados para deleite de turistas. Nenhum índio de Mato Grosso do Sul sabe mais das tradições que tinham de quando os conheci, isto é, lá vão 90 anos”, opina.

Atualmente Júlio Capilé vem propondo em seus textos, repensar a doutrina espírita, através de pesquisas e exemplos. “Isto já fez com que em 2006, fosse lançado o livro “Meditações e Experiências com o Espírito – Um Dia Seremos Anjos”. “Como continuo escrevendo sobre o tema já tenho material para publicar outra obra, cujo título ainda não foi escolhido”, adianta.

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