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Análise em uma fria manhã

07 Jul 2011 - 10h43
Itaciana Santiago *


Abro os olhos em uma fria manhã Douradense, o dia está chuvoso e parece que o sol nos abandonou... Um calafrio percorre meu corpo. Da janela do meu quarto, onde me espreguiço, não querendo sair da minha confortável e quente cama, aprecio as gotas da chuva que insiste em cair e finalmente: levanto-me. Faço a higiene matinal, vou até a caixa de cartas, pego as correspondências, o jornal... faço meu café e passo os olhos pela página principal do jornal onde leio em letras garrafais: FAMÍLIAS PASSAM FOME E FRIO EM DOURADOS, e eu tomando o meu quente café.

Uma lágrima insiste em rolar pela minha face. São tantas lutas tantos anseios, tantas esperanças depositadas nas urnas, em todas as eleições, nacional, estadual e municipal, que não entendemos o absurdo de campanhas de agasalho, campanhas essas emergenciais e paliativas. Fotos centrais de famílias se aquecendo em fogo na lata, onde a fumaça paira pelo humilde barraco, denunciando o pouco caso do poder executivo, do legislativo e de toda uma sociedade que se diz acordada para a solidariedade, mas é muito pouco um prato de sopa, uma cesta básica de alimento, um cobertor.

Você se sente feliz? Quer fazer a caridade? Tudo bem é o que você sabe como ser humano, é o que aprendeu durante toda uma vida: “amar o próximo como a si mesmo”, mas que amor é esse que segrega, que exclui, que escraviza? Você dirá: e as políticas públicas, que garante os direitos do cidadão? Que provê as necessidades básicas das famílias? E os recursos oriundos das três esferas de governo, devolutiva dos impostos que pagamos?

O que fazer diante de situações tão drásticas como a que presenciamos aqui em nossa querida Dourados? Campanhas de agasalho? Doação de alimentos? O povo merece mais. Merece a efetivação de uma política que foi implantada para garantir o seu direito, de uma vida digna de cidadão brasileiro.

Estamos em uma zona de conforto e dela não queremos sair, não conseguimos olhar verdadeiramente para o “lado de lá” e o mais incrível é que não percebemos e nos sentimos o máximo! E o mais incrível ainda são as falácias dos políticos, governantes e os que se dizem defensores dos fracos e oprimidos, o que fazem? Será que é necessário manter o povo miserável, para nas próximas eleições baterem em suas humildes casas oferecendo-se para comprar os seus sonhos?

É preciso ter governantes e governados, admito, mas o que precisamos é hombridade, probidade, honestidade e o principal de tudo: vontade política dos que se habilitam a defender um povo. É preciso que nos acordemos para a realidade, quem paga aquele que se diz o mandante? Quem o colocou no lugar em que está? Precisamos pensar politicamente, já sofremos tempo suficiente demais para amadurecermos e analisar friamente a situação em que nos encontramos e se queremos permanecer assim mesmo. Pense nisso.

######*Pedagoga, Psicopedagoga, Especialista em Família e Políticas Públicas, Membro do Comitê de Governança Unicef Opas, [email protected], www.itacianasantiago.blogspot.com

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