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Acervos e Administradores

15 Jul 2011 - 08h00
Isaac de Barros


Muitos objetos não tombados como parte dos componentes históricos douradenses, porém patrimônios culturais do município ou acervos da memória, a maioria desapareceu. Mas, os nativos deveriam preservá-los melhor. Entretanto, em decorrência dessas negligencias, vários documentos e construções do século dezenove, sumiram simplesmente, desmantelandose. E isso tudo aconteceu, graças ao desinteresse dos descendentes de pioneiros, não os doando para integrarem o acervo municipal. Desapegados, indiferentes como alguns migrantes atuais, hoje totalizando a maioria dos habitantes, parte dessa culpa debito-a aos omissos douradenses natos.

Sendo Dourados uma cidade formada na evolução populacional, pela multiplicidade dos migrantes aqui radicados, poucos destes sabem onde se localizava o primeiro prédio da prefeitura municipal. Aliás, esse imóvel concluído nos anos 30 do século passado na Rua Joaquim Teixeira Alves, antes chamada de Paraná, de-pois que reformaram virou uma loja comercial. Pois, os próceres políticos transferiram o primeiro paço municipal para a Rua João Rosa Goes, onde agora é o museu. Esse prédio, os moradores pioneiros conheceram como “Casarão” da Rua Goiás.

Quanto ao destino do cruzeiro trabalhado em ma-deira, plainado na fazenda do Marcelino Pires, fincado num lugar onde deveriam instalar o futuro vilarejo, segundo fiquei sabendo, esse lenho apodreceu. Todavia, o Instituto histó-rico douradense, tombou na Vila São Pedro, uma das residências erguidas pelos colonos na BR-163. Casas estas, construídas na época em que os colonos nordestinos chegaram à colônia federal em 1943. Entretanto, nenhuma dessas habitações de alvenaria ou as feitas com madeiras, erguidas na fase do pioneirismo, sobreviveu na zona urbana.

Também, o histórico marco de cimento erguido na zona leste da cidade, delimitando parte da área rural agrícola destinada a CAND, criada no mês de outubro daquele ano, separando-a da sede urbana douradense, alguém mudou essa baliza de lugar. Quanto ao único escritório padrão da estrada de ferro Noroeste do Brasil construído no município, mesmo sem receber os cuidados que ele merecia ter, essa obra da antiga estação ferroviária de embarque e desembarque na região, ainda existe no Distrito douradense do Itahum.



Por sua vez, nos escombros da Usina Velha, outrora geradora de energia elétrica urbana, para a qual o senador Filinto Muller emprestou seu nome, dizem que sendo reformada, converter-se-á no museu histórico local. Já, numa nes-ga da Praça Central, colocaram o primeiro transformador geral de energia elétrica. Abri-gando-o num pequeno prédio pintado de amarelo, com uma porta estreita na entrada, essa construção resistiu ao tempo, até um prefeito demoli-la. Fazendo isto, sequer consultou os vereadores.

Havia uma fonte luminosa nesse mesmo jardim público central, inaugurada na gestão de Antônio Morais dos Santos. Todavia, apesar do empreendimento ter custado caro aos cofres da municipalidade, um dos prefeitos anteces-sores do desastrado renunciante no cargo executivo municipal, autoritariamente demoliu essa fonte. Não bastasse isso, outro alcaide da época, derrubou a marretadas os bancos de cimento, oferecidos gentilmente pelos comerciantes. Dessa forma, ele aborreceu os enamo-rados que sentavam neles, fazendo românticas juras de amor ao luar. Ocorria que naquele tempo distante, a nossa energia elétrica urbana, era desligada exatamente a meia noite.

Finalmente, recordo das velhas figueiras, arranca-das. Dizem que elas foram tiradas por motivos políticos. Contam os antigos, que petebistas e udenistas, agremiações partidárias extintas no século vinte, viviam se enfrentando ideo-logicamente. E quem pagou pelas discórdias, foram justamente às figueiras plantadas pelo prefeito udenista Antonio de Carvalho. Porque anos depois, quando as frondosas árvores foram atacadas por um inseto apelidado de “lacerdinha”, um prefeito petebista derrubou-as. Assim, ao invés de matar os insetos, ele quase as trucidou na totalidade. Penso parti-cularmente, que esses métodos insensatos, ajudam é exterminar outros acervos históricos douradenses...

advogado criminalista e jornalista

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