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Variedades

A mídia liberal e seus ataques organizados

20 Fev 2016 - 07h00
Wilson Valentim Biasotto


Tive a oportunidade de aprender e ensinar, o processo político brasileiro, desde o “descobrimento” até os dias atuais e nunca me defrontei com uma campanha midiática tão exacerbada contra um partido e um governo.
Após a independência foram organizados dois grandes partidos políticos: o Liberal (Luzias) e o Conservador (Saquaremas). Sobre eles disse Holanda Cavalcanti “Nada se assemelha mais a um “saquarema” do que um “luzia” no poder”, logo, não se pode dizer que houve perseguição a esses partidos. A oposição jornalística ao Império tinha como destaque o jornal “A Federação” do Rio Grande do Sul e o Aurora Fluminense, fundado por Evaristo da Veiga, que divulgavam ideias republicanas.


Com a República, de 1889 até 1930, existiram no Brasil em torno de vinte partidos políticos, a maioria de caráter regionalista, a exemplo do Partido Republicano Paulista, e do Partido Democrático do Rio de Janeiro. Não consta a existência, nesse período, de jornais incisivamente contrários aos governos do período.
Em 1930 Washington Luís foi deposto e Getúlio Vargas assumiu. Em 1937 estabeleceu o Estado Novo, um regime ditatorial que se prolongou até 1945. Nesse período o governo Vargas provocou intensa perseguição ao Partido Comunista que viveu na clandestinidade. Mais tarde, em 1965, o Partido foi extinto pela ditadura, renascendo em 1985.


Em 1951 Getúlio voltou à presidência, dessa feita eleito democraticamente. Foi quando aconteceu a primeira grande ofensiva da imprensa conservadora contra um presidente eleito. Globo, Estadão, Folha e Carlos Lacerda, por intermédio da Tribuna da Imprensa, empenhavam-se em formar opinião pública contraria a Getúlio.
Samuel Wainer com o incentivo de Getúlio criou o jornal Última Hora, que se encarregava da defesa do governo, mas não era tão poderoso quanto os demais, que contavam com o apoio de militares e civis que conspiravam para a derrubada do governo. Um atentado a Carlos Lacerda foi a gota d’água, o golpe parecia iminente, todavia, dezenove dias após esse atentado, Getúlio desfere um tiro no peito e deixa uma carta comovente. O povo saiu às ruas, os golpistas recuaram e a tomada de poder foi adiada em dez anos.


Em 1961 nova tentativa de golpe quando da renúncia do presidente Jânio Quadros, seu vice, João Goulart, estava na China e os golpistas desejavam prendê-lo quando chegasse. Leonel Brizola transferiu os transmissores da Rádio Guaíba para os porões do Palácio do Governo e, a partir daí, organizou a Rede da Legalidade, com 104 emissoras do Brasil e do exterior. Mais uma vez o golpe foi adiado.


Em 1964, Globo, Estadão, Folha entre outros deram total apoio ao golpe militar que implantou a ditadura mais cruel que o país experimentou. A opinião pública formada por esses órgãos de imprensa levou milhares de pessoas às ruas para aplaudir a deposição de João Goulart. A Rádio Mayrink Veiga, que defendia a legalidade, foi fechada.


Com a queda do regime ditatorial em 1985, iniciamos a redemocratização do país que permanece até hoje. Em 2003, pela primeira vez na história, assumiu a presidência um operário de esquerda que governou oito anos e conseguiu eleger uma mulher, sua sucessora que, por sua vez, cumpre o seu segundo mandato.


Inconformada a direita brasileira tem lançado mão da mídia conservadora para tentar fazer a opinião pública tornar-se favorável a um golpe. As boas notícias não são veiculadas e todo dia há algo de novo objetivando desconstruir o governo Dilma e, temendo a volta de Lula em 2018, ataca-o por todos os flancos. Lado a lado com essa mídia, parte da PF e o juiz Moro praticam uma espécie de terrorismo com luvas de pelica, um terrorismo psicológico, que fez com que mais de cinquenta delatores falassem o que eles queriam ouvir e escondessem o que não queriam.


O golpe está preparado, nunca se viu na história do Brasil um partido, uma presidente e um ex-presidente serem tão perseguidos. Mas nada de concreto se prova. O povo que só vê a Globo forma uma opinião distorcida, no entanto a blogosfera se encarrega de transmitir o que o PIG esconde. Até Élio Gaspari já advertiu que “Numa noite, vários presos entraram na cela onde eles (da lava a jato) estavam, urinaram, defecaram e foram-se embora. Dias depois, os prisioneiros se ofereceram para colaborar com a Justiça“.

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