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Benê Cantelli

A mais difícil luta é aquela que travamos contra nós mesmos

14 Mar 2016 - 09h14
A mais difícil luta é aquela que travamos contra nós mesmos -
Benê Cantelli

Esta afirmação que divido com meus amigos leitores, é de Pedro, "o grande", da Rússia: "Eu conquistei um império, mas, eu não pude conquistar a mim mesmo".


Esta frase dita por um dos maiores czares da Rússia faz a gente pensar que pode até ser fácil dar conselhos e mostrar novos rumos àqueles que são nossos próximos, amigos, parentes, etc. Contudo, quando se trata de nosso comportamento, de nossa vida em sua forma de existir, nada há de mais constrangedor ao percebermos que nossa fraqueza e indolência nos sufocam e nos tornam sumamente frágeis.


Nortear o presente tem como princípio conhecermos e nos aprofundarmos sobre nosso passado. Nada que exista hoje em nossa vida pode estar alijado ou alienado ao que nos aconteceu no passado. Tenho, constantemente, esta frase: "Somos o que fomos". Às vezes, nos surpreendemos porque esse tal passado pode estar circunscrito a alguma coisa que nos afetou estando ainda no ventre materno. E, neste caso, apenas uma profícua e delicada hipnose pode fazer nos reencontrar com esse passado, sem memória consciente.


Somos, naturalmente, carentes. Uns mais e outros, um pouco menos, mas, somos. Nosso temperamento é moldado desde o surgimento do ovo. Ali começa nossa vida, principalmente, a emocional. A inteligência pode vir depois e ampliada através do estudo e do constante querer aprender mais. O caráter se molda através da junção ou envolvimento desse emocional, com o viver social e a moldura intelectual. Pode-se mudar ou melhorar o caráter de uma pessoa, num meio social onde a ideia objetiva de ser melhor, está circunscrita. No entanto, o temperamento, fator gerado por nossos sentimentos, aliado aos sentimentos passados a nós por nossos pais, é um amálgama tão emaranhado que nos conduz a ser, principalmente, através de nossas carências, um ser assim ou assado. Por isso, muda-se ou molda-se um caráter, mas o temperamento continuará tendo as mesmas raízes.


Pitágoras, um dos maiores matemáticos e filosofo grego, conhecendo bem as virtudes e vícios do próprio ego, disse: "Purifica o teu coração antes de permitires que o amor entre nele, pois até o mel mais doce azeda num recipiente sujo".


Quando nosso interior não está totalmente limpo das impurezas que nos levaram a ser o que somos, muitas vezes somos derrubados e amordaçados por tudo aquilo que vivenciamos de nosso interior, sem saber por que e, como fizemos isso ou aquilo. Aceitamos que alguém nos ensine, mas, dificilmente aceitamos que alguém nos corrija. Dá-nos a impressão de que somos despidos de nosso ego e fica a impressão de que estão vendo o que nós mesmos não enxergamos.


O apóstolo Paulo, a quem devoto a mais elevada estima por saber o quanto lutou e venceu seus próprios defeitos, dizendo-se afortunado por não ser ele quem vivia e sim que Jesus vivia por ele, conheceu suas próprias carências a ponto de incomodar-se com algo que não sustentava suportar, o tal "espinho na carne", dando ideia de que era algo próprio de sua intimidade, mas que sozinho não o vencia e nem o eliminava.


Pior cenário vive aquele que tenta imitar o que outros fazem. Em nenhuma circunstância isso é válido, nem mesmo quando se trata de alguém proeminente. Ninguém é igual a ninguém e muito menos afeto a ser clonado. Deus nos fez, eminentemente, diferentes para que somente ele fosse capaz de ser mira e alvo, quando disse: "Façamos o homem à nossa imagem e semelhança", isto é, somente a Ele devemos ter como modelo e paradigma.


Reconhecer nossas fragilidades é um ato de grandeza e força. Aceitar-nos como somos, dizendo: nasci assim e sou assim, é um ato de covardia e pequenez.


Sozinhos, dificilmente venceremos. Com Deus, podemos ser como Davi diante de Golias.


Bom dia. Melhor semana.


Professor e Campista. e-mail: [email protected]

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