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Tecnologia de choque térmico pode restaurar a função cerebral de pacientes com doenças neurológicas?

Método desenvolvido pelo médico brasileiro Marc Abreu funciona a partir da indução de proteínas que atuam na proteção do cérebro

14 Ago 2022 - 17h00Por CNN
Tecnologia de choque térmico pode restaurar a função cerebral de pacientes com doenças neurológicas? -

Uma nova tecnologia de tratamento, focada na indução de proteínas de choque térmico, tem o potencial de restaurar a função cerebral de pacientes afetados por doenças neurológicas como esclerose múltipla, Alzheimer e Parkinson.

O método foi desenvolvido pelo médico brasileiro Marc Abreu, especialista em termodinâmica cerebral e frequências termorregulatórias formado pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). “Acreditamos que a nossa tecnologia, baseada na termodinâmica do cérebro, tem um potencial único de prevenir e tratar inúmeras doenças a nível molecular”, afirma Abreu.

O chamado túnel térmico cerebral (BTT, na sigla em inglês) foi desenvolvido pelo médico na Universidade de Yale, nos Estados Unidos. A descoberta levou à invenção e patente do sistema Abreu BTT 700, aprovado pela Food and Drug Administration (FDA), órgão regulador norte-americano semelhante à Anvisa.

A importância das proteínas de choque térmico

A médica psiquiatra Jéssica Martani explica que diversas doenças neurodegenerativas ocorrem devido ao depósito de proteínas danificadas no cérebro. Esse acúmulo pode levar a alterações na comunicação entre os neurônios e ao comprometimento das funções cerebrais.

“A doença de Alzheimer, por exemplo, constitui-se de alterações em proteínas chamadas beta-amiloide e Tau. Na doença de Parkinson, observa-se os corpos proteicos de Lewy que se espalham de forma lenta e progressiva e causam danos e morte das células do tecido nervoso, acarretando o desaparecimento de neurônios dopaminérgicos e proporcionando alterações nos movimentos”, explica.

Por outro lado, as proteínas de choque térmico – encontradas em praticamente todos os organismos vivos, apresentam diversas funções complexas, incluindo a capacidade de proteção do cérebro em momentos de estresse.

“Quando o corpo passa por alguma injúria, estresse, mudança de temperatura, isquemia ou doenças autoimunes, para se proteger, ocorre o aumento das proteínas de choque térmico. A elevação dessas proteínas frente a um dano auxilia no reparo de proteínas tóxicas e ajuda a inibir a morte celular, chamada apoptose. Ou seja, são mecanismos que ajudam a proteger e ‘limpar’ o cérebro de substancias potencialmente tóxicas”, afirma a psiquiatra.

Como funciona a tecnologia

O envelhecimento e fatores genéticos podem levar à redução da expressão das proteínas de choque térmico no organismo. Essa queda pode favorecer o desenvolvimento de quadros neurodegenerativos, incluindo Alzheimer, Parkinson, ataxia, esclerose múltipla, doença de Huntington, esclerose lateral amiotrófica (ELA), epilepsia e outras doenças neurológicas.

“As pessoas que hoje estão saudáveis mas têm uma alteração a nível molecular estariam como que predispostas a desenvolver essas doenças, tanto neurológicas como o câncer. Acontece uma diminuição gradativa da expressão dessas proteínas com a idade, algumas pessoas, por fatores genéticos ou exposição à radiação, perdem essa proteção – qualquer um de nós que perdêssemos estaríamos em risco de desenvolver essas doenças”, afirma Abreu.

O médico explica que, diferentemente de tratamentos convencionais medicamentosos, que consistem combate às doenças a partir de fatores químicos, a inovação não invasiva tem como base aspectos da física, como a modulação da termodinâmica cerebral e de frequências termorregulatórias.

“O que nós fazemos, o nome já indica: é uma proteína de choque térmico, que é ativada basicamente através de um choque térmico, existem outros fatores, mas este é aquele que podemos controlar pois ele é baseado na física”, explica o médico.

O tratamento consiste no uso de um aparelho, em ambiente hospitalar, que induz o cérebro dos pacientes a altas temperaturas de maneira extremamente controlada. “É um equipamento que recebe informações do cérebro e, com base nesse dado, faz uma ‘entrega’ – tudo de forma não invasiva, ao prover calor em uma certa velocidade e certa oscilação”, afirma Abreu.

“Nosso cérebro conhece padrões, temperatura é um número e a termodinâmica são os padrões e oscilações. Essa é a linguagem do cérebro, uma vez que você consegue entender essa linguagem, consegue ativar essas proteínas através de uma indução que vai a altíssima temperatura, mas sem nenhum risco. A máquina é feita para essa altíssima temperatura e o paciente pode ficar exposto por horas até”, completa o especialista.

A técnica, desenvolvida ao longo dos últimos 15 anos, tem sido aplicada em centenas de pacientes nos Estados Unidos, tanto no contexto de ensaios clínicos como em tratamento hospitalar.

Segundo o médico, a indução das proteínas de choque térmico que estavam inativadas nos pacientes tem trazido benefícios como a recuperação de capacidades motoras e cognitivas que haviam sido impactadas pela evolução dos quadros neurodegenerativos.

“Os pacientes em tratamento tiveram recuperação total das funções perdidas. Não é o tratamento simplesmente para impedir a progressão, é uma terapia para reverter o processo, restaurar a função cerebral. Recentemente, um paciente brasileiro de 88 anos com Alzheimer e Parkinson, voltou a andar e a falar. É possível restaurar as funções do cérebro que foram perdidas uma vez que haja essa indução da proteína de choque térmico”, afirma Abreu

Lílian Borba, 34, foi diagnosticada com esclerose múltipla em 2013. “Eu vinha combatendo essa doença há muitos anos. Depois que tive minha primeira filha, a situação agravou bastante, comecei a ter vários relapsos de uma hora pra outra. Chegou ao ponto que eu não conseguia caminhar normalmente, perdi o movimento das minhas pernas”, conta.

Lílian, que hoje mora nos Estados Unidos, descobriu a técnica a partir de uma reportagem e decidiu buscar o atendimento especializado. “Foi a melhor coisa que eu fiz, depois do tratamento consegui retomar o movimento das pernas, caminhar melhor, andar de bicicleta que era algo que eu tinha muita dificuldade antes”, afirma.

Ela conta que, desde a realização do procedimento, não houve novos indícios de perda de movimentos. “Nunca mais tive relapsos e nem perdi os movimentos da perna, sempre caminho bem. Já tive outra filha depois do tratamento, que já vai fazer um ano e continuo bem, com muita energia”, celebra.

Investimento

Os direitos sobre as diferentes tecnologias baseadas no túnel térmico cerebral (BTT), desenvolvidas pelo médico Marc Abreu, pertencem à empresa btt Corp.

A empresa de tecnologia médica tem como foco no desenvolvimento de inovações para monitoramento, diagnóstico e tratamentos baseados na termodinâmica cerebral e frequências termorregulatórias.

A Oklahoma Rock Holdings, LLC (Oklahoma Rock) e o Trust Group investiram um total de US$ 34,3 milhões (R$ 185 milhões) na companhia. A rodada de investimento foi liderada pelo banqueiro norte-americano G. Jeffrey Records, Jr., o proprietário do MidFirst Bank, o maior banco privado dos Estados Unidos, com o aporte de US$ 29,3 milhões (R$ 158,2 milhões) por meio da Oklahoma Rock, e US$ 5 milhões (R$ 27 milhões) do investidor brasileiro Juliano Victorino, o proprietário do Trust Group, conglomerado brasileiro de comércio exterior.

Com os novos investimentos, a empresa atingiu um valor de mercado superior a US$ 1,7 bilhão (R$ 9,2 bilhões).

“Temos uma capacidade única de desenvolver tecnologias exclusivas baseadas na termodinâmica cerebral, temperatura do cérebro e frequências termorregulatórias. Como exemplo, nossa tecnologia de tratamento focada na indução de proteínas de choque térmico que tem o potencial inédito de restaurar a função cerebral por meio do processo de redobramento de proteínas mal dobradas e degradação de agregados tóxicos”, afirma Robert Mogel, presidente e CEO da btt Corp.

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