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'Eles testaram a força do Twitter', diz diretor de colégio que sofreu protesto

16 Fev 2011 - 18h40
O tópico #abaixoacalu era um dos termos mais
comentados nesta quarta-feira - Crédito: Foto: ReproduçãoO tópico #abaixoacalu era um dos termos mais comentados nesta quarta-feira - Crédito: Foto: Reprodução
Um protesto contra o aumento nos preços dos alimentos em uma cantina de um colégio em São Paulo tomou proporções nacionais graças ao Twitter. Na terça-feira (15) à noite, alunos do Colégio Marista Arquidiocesano, na zona sul da capital paulista, começaram uma manifestação ao espalhar pelo microblog o tópico #abaixoacalu.

“Desde o primeiro dia de aula, ficamos indignados com os altos preços da cantina”, explicou Gabriela Meyer Torres, de 17 anos, estudante da 3ª série do Ensino Médio. A Cantina Calu é terceirizada pela escola há cerca de 14 anos.

Nesta quarta-feira (16) pela manhã, o tópico apareceu na terceira posição entre os termos mais comentados no Twitter, o que chamou a atenção de usuários de fora do colégio. \"Não imaginávamos que uma rede social traria tanta repercussão”, disse a aluna Paula Ragazzi Pauli. Segundo ela, a intenção dos jovens era fazer um protesto silencioso. \"Eles testaram a força das redes sociais e viram que dá certo”, disse Chico Sedrez, diretor educacional do Colégio Arquidiocesano.

Como parte da manifestação, os alunos levaram lanche de casa nesta quarta-feira (16) para que a cantina ficasse vazia na hora do intervalo. \"Os preços, que já eram caros em 2010, ficaram ainda \'piores\'. O pão de queijo está muito caro. Hoje, ele é vendido a R$ 2,30. Se eu vou em uma padaria, eu consigo comprar por R$ 1\", disse Beatriz Falcão, de 15 anos.

“O universo de comparação deles são botecos. Mesmo assim, acredito que o movimento é legítimo”, disse Sedrez. Ele contou que a cantina praticou o aumento sofrido pelos alimentos na inflação. \"No entanto, pedimos para que eles checassem a planilha de preços para ver se não há nenhuma discrepância”, completou.

O diretor afirmou que as pichações feitas antigamente nos banheiros dos colégios estão migrando para as redes sociais. “Mas tanto a pichação como o Twitter exigem que a gente tenha consciência das consequências\", disse Sedrez.

Para ele, esse episódio servirá para que o colégio e as famílias aprendam a lidar com as redes sociais. \"Hoje, uma aluna me disse que não podemos esquecer do direito de expressão. Porém, temos que nos expressar com responsabilidade, e é isso que vamos tentar passar para eles agora\", completou.

O G1 entrou em contato com a Cantina Calu, que não quis divulgar nenhuma declaração sobre o caso.

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