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Dourados fecha Maio Amarelo discutindo Plano aprovado em 2016 e que “patina” na burocracia

Cidade enfrenta o dilema de uma conta que não fecha: ruas “apertadas”, grande número de veículos e falta de respeito às leis

04 Jun 2022 - 07h30
Embora seja comum observar ofertas de planos com velocidades altíssimas em conexões excelentes, empresas nem sempre cumprem a oferta - Crédito: AssecomEmbora seja comum observar ofertas de planos com velocidades altíssimas em conexões excelentes, empresas nem sempre cumprem a oferta - Crédito: Assecom

Em plena área central, próximo à praça Antônio João, duas situações surreais: no asfalto a pintura azul com o símbolo do cadeirante e na calçada uma placa horizontal informando que o espaço é reservado ao estacionamento de veículos conduzidos ou transportando cadeirantes. O “Detalhe” (que faz toda a diferença para o cidadão cadeirante ao descer do carro e tentar acessar a calçada) é a falta de uma rampa, o que torna nula a boa e obrigatória intenção do Poder Público e da concessionária da exploração do estacionamento rotativo em reservar percentual de vagas para os cerca de 13 cadeirantes existentes na cidade segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Bem ali perto, outra situação “inusitada”: uma vaga para cadeirantes demarcada ao lado de uma banca de revistas, o que o impede de descer do veículo. Ainda em relação a essa expressiva parcela de cerca de 22% da população, em frente ao Shopping a mesma situação verificada em vários pontos da cidade: a falta de rampa ao lado da vaga especial. Nos mercados é uma farra: ignorando solenemente as placas indicativas, os consumidores, sem nenhum cadeirante nos veículos, estacionam e saem, felizes da vida, após suas compras.

Com uma frota de 167.448 veículos, segundo dados do Detran/MS, à qual deve ser acrescida milhares de bicicletas, o trânsito de Dourados é pródigo em boas intenções. Neste Maio Amarelo, além das tradicionais distribuições de panfletos, campanhas educativas, houve um ciclo de palestras no Teatro Municipal. Algumas de nome pomposa como a “Sistemas seguros e Visão Zero: conceitos e iniciativas para cidades mais ativas e humanas”, ocorrida no dia 30 (05). O problema é que no dia-a dia, no que o poeta chamaria de “chão das coisas”, o cidadão que dirige, pedala, o pedestre, o cadeirante e os demais cidadãos enfrentam o dilema de uma conta que não fecha: ruas “apertadas” e grande número de veículos.

Na farta lista de boas intenções, uma delas é emblemática: em 2018 a Câmara Municipal aprovou o Projeto de Lei Complementar nº 013/2018, que instituiu o Plano Diretor de Mobilidade Urbana no município. O Plano foi consequência da lei federal 12.587/2012, que institui a Política Nacional da Mobilidade Urbana e tornou obrigatória a elaboração de planos locais de mobilidade urbana. O Plano Diretor trata das diretrizes, estratégias, linhas de ação, projetos, programas e estabelece metas para o atendimento das necessidades de deslocamento no espaço urbano, tendo o pedestre como prioridade. Foi elaborado após cinco (05) anos de estudo por parte da equipe do conceituado arquiteto e urbanista Edson Marcchioro, contratado pela equipe do então prefeito Murilo Zauith. Seis (06) anos depois, o assunto que pela lei já deveria ser realidade é apenas pauta de palestras. Segundo especialistas, tirar do papel o Plano Diretor de Mobilidade Urbana pode ser a única saída para que a cidade tenha um trânsito condizente com o crescimento da frota em circulação e para garantir a segurança dos pedestres. Não se sabe por que cargas d›água, a Rede Cicloviária Integrada, conjunto de ciclovia incluído no aprovado em 2016, ficou fora da revitalização da Rua Hayel Bon Faker.

Especializado em questões de trânsito e estudioso do tema, o vereador Juscelino Cabral não nega a parcela de culpa da população.“Após tantas campanhas de conscientização, infelizmente, não gostaria de estar falando isso, entretanto, algumas vezes vejo o nosso trânsito de forma alarmante, uma vez que ainda existe muita imprudência, na verdade falta de noção por parte de alguns condutores de veículos, como exemplo posso citar o uso de celular ao dirigir, ultrapassagens de forma irresponsável, desrespeitos a sinalização, com isso colocando de forma real em risca vida dos pedestres e até mesmo de outros condutores de veículos”, tascou o vereador, que é servidor concursado do Detran/MS.

O vereador acha que houveram poucas mudanças e que mesmo as que aconteceram ignoraram o princípio da assimetria. “Infelizmente mudanças foram poucas. aconteceram algumas, mas que não acompanharam o crescimento da cidade. Além da fiscalização o trânsito necessita de educação e engenharia esse tripé precisa caminhar em conjunto”, avalia, concordando que dois ingredientes que impedem a tomada de decisões é a falta de vontade politica e o medo do fantasma da impopularidade, como é o caso da implantação dos sistemas binários (mão única), medida que em alguns pontos da cidade essa medida se apresenta inevitável. “é preciso ter coragem e vontade política. Não tem como fugir dos assuntos polêmicos e eles precisam ser colocados na mesa de discussão com seriedade, estatísticas, propostas viáveis e, após um consenso, colocados em prática”, defende Juscelino.

Por fim, a falta de um quadro maior de servidores na Agencia Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran) é apontado por ele como outro fator que impede a realização de algo mais além do que já está sendo feito. “Acredito que o possível está sendo feito. Sabemos que nossa estrutura está aquém das necessidades que temos. Agetran possui um efetivo muito pequeno, estrutura mínima. Deveria ter uma atenção redobrada por parte do Executivo e isso já vem de longa data, não é problema atual”, avaliou o vereador. 

O que diz a Prefeitura
A reportagem procurou a Diretora-Presidente da Agetran, Mariana de Sousa  Neto, para que se manifestasse sobre o assunto. Não obtendo sucesso, acionou o jornalista Ginez Cezar, secretário de Comunicação da Prefeitura. Ginez disse que “haverá novidades, que vamos anunciar em breve”.

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