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Vacina desenvolvida com participação da USP é pioneira no Brasil em imunização nasal contra covid-19

Maria Cássia Jacintho Mendes-Corrêa e Momtchilo Russo falam sobre a vacina desenvolvida em conjunto com institutos da USP, Universidade Federal do Rio de Janeiro e órgãos externos, como a Fiocruz

07 Dez 2023 - 08h00Por Gabriela Varão/Jornal da USP no Ar
A vacina nasal pode ser usada em pessoas que receberam doses de outros imunizantes - Crédito: PixabayA vacina nasal pode ser usada em pessoas que receberam doses de outros imunizantes - Crédito: Pixabay

Em conjunto, o Instituto de Medicina Tropical (IMT) da Faculdade de Medicina da USP, o Instituto de Ciências Biomédicas (ICB), a Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF), a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) participaram da criação e teste da primeira vacina nasal para coronavírus do País.

No IMT, foram desenvolvidos todos os experimentos virológicos, inclusive testes sorológicos para anticorpos neutralizantes. No ICB, foram realizados os testes sorológicos. Já na FCF foram realizados os experimentos em animais – nesse caso, camundongos transgênicos. 

Maria Cássia Jacintho Mendes-Corrêa, pesquisadora do Instituto de Medicina Tropical da Faculdade de Medicina da USP, e Momtchilo Russo, professor do Instituto de Ciências Biomédicas da USP, e um dos idealizadores do projeto, explicam como o imunizante foi criado e executado. 

A produção do imunizante

Momtchilo Russo – Foto: Arquivo Pessoal

Esse modelo de vacina, como explica o professor, além de evitar a questão do medo e desconforto causado pela agulha, ainda realiza a imunização da mucosa. No caso da poliomielite, a imunização é realizada via oral e a contaminação da doença acontece através do consumo de água e alimentos contaminados pelo vírus. Como explica Russo, quando o patógeno entra em contato com uma pessoa já vacinada, a mucosa – que está imunizada pela “gotinha” – neutraliza o vírus e impede que este se propague. 

Depois que a vacina foi idealizada, a Fiocruz resolveu patrocinar o projeto. Além do financiamento, o professor conta que o grupo precisava de um laboratório nível 3 e um laboratório de virologia. Russo conta que, após testar a eficiência da vacina contra a cepa original e as outras variantes, sua eficácia foi comprovada. 

De acordo com o professor, a vacina nasal pode ser usada em pessoas que receberam doses de outros imunizantes. Alguns estudos já mostraram que, no caso do coronavírus, a imunização heteróloga, em que indivíduos recebem vacinas diferentes, é mais eficiente que a homóloga, em que indivíduos recebem a mesma vacina. Além disso, esse novo imunizante pode ser adaptado para as variantes, desde que se tenha a proteína de superfície do vírus. 

Atualmente, a vacina já foi testada em animais e se mostrou segura e não tóxica. Entretanto, os ensaios clínicos ainda não foram realizados. As fases de implementação do imunizante, segundo o professor, dependem de instituições interessadas na pesquisa. 

Dificuldades

Maria Cássia Jacintho Mendes Corrêa – Foto: Sites USP

A vacina nasal, como conta Maria Cássia, é produto de uma cooperação interunidade e interdisciplinar da Universidade de São Paulo, em conjunto com órgãos externos. “Essa é a alma do desenvolvimento tecnológico, principalmente em países como nosso, onde os recursos são bastante escassos”, discorre. A colaboração uniu capacidades técnicas e estruturais de diferentes institutos, além de recursos variados, com o objetivo de desenvolver a vacina. 

Maria Cássia destaca a importância de manter, na Universidade de São Paulo, uma estrutura com capacidade para realizar avanços científicos de forma rápida e eficiente, independentemente de épocas de crises. Em outros países do mundo, como na Índia, China e Estados Unidos, existem vacinas nasais em fases mais avançadas que a vacina do Brasil. Entretanto, de acordo com Maria Cássia, isso aconteceu porque nesses locais existe mais investimento. “O desenvolvimento de uma vacina, sair do nosso protótipo para o estabelecimento de uma produção em larga escala, demanda recurso”, exemplifica. 

Por isso, a pesquisadora destaca que o interesse do governo e das instituições que estão envolvidas com produção de vacinas é fundamental, para que os projetos consigam sair da fase de teste e sejam implementados efetivamente. 

 

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