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Saúde

Surto da 'E.coli' alemã não oferece riscos ao Brasil

09 Jun 2011 - 20h35
Água contaminada em assentamento de Corumbá - Crédito: Foto: Divulgação/MPFÁgua contaminada em assentamento de Corumbá - Crédito: Foto: Divulgação/MPF
Quem mora no Brasil não tem motivos para se preocupar com o surto da bactéria Escherichia coli, que vem causando mortes na Europa, principalmente no norte da Alemanha, segundo a médica Ana Escobar, do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas e professora de medicina na USP, que pesquisa as infecções causadas pela bactéria.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) reforça que não há nenhum indício de que a bactéria tenha chegado ao Brasil e não pretende restringir a importação de produtos alemães. Alimentos em conserva podem ser consumidos normalmente, pois passam por processos que eliminam as bactérias – acidificação, pasteurização, refrigeração ou adição de conservantes.

A E. coli tem várias cepas, ou sorotipos, que nada mais são que subtipos, variações dentro da espécie. Na maior parte das vezes, esses subtipos são inofensivos. A bactéria normalmente é encontrada no intestino dos seres humanos e dos animais.

Há, no entanto, cepas que provocam problemas de saúde, inclusive no Brasil. A mais conhecida é a O157:H7, que pode causar complicações em crianças.

A variação que está causando mortes na Europa se chama O104:H4. Ela causa os mesmos males que a cepa que já era conhecida, mas é bem mais agressiva. Por isso, está atacando também adultos e provocando problemas tão sérios.

A bactéria provoca lesões na parte de dentro do intestino que fazem com que saia muito sangue nas fezes. Por isso, essa variação também é conhecida como E.coli entero-hemorrágica (Ehec, na sigla em inglês).

Ela pode produzir ainda uma toxina chamada Shiga ou verotoxina, o que justifica suas outras nomenclaturas: E.coli produtora de verotoxina (VTEC) e E.coli produtora de toxina Shiga (STEC). Essa toxina provoca a quebra dos glóbulos vermelhos, o que leva à anemia, e provoca também insuficiência renal. A doença é conhecida como síndrome hemolítico-urêmica (SHU).

Um agravante da Ehec é o fato de que os antibióticos não podem combater seus efeitos. Os sintomas surgem entre três e oito dias após a transmissão. Por isso, quando se descobre a doença, a toxina já se espalhou.

“Quando uma cobra pica uma pessoa, não adianta matar a cobra, deve-se combater o veneno. Com essa bactéria, é a mesma lógica”, compara Ana Escobar.

Longe do Brasil

A especialista afirma também que a bactéria encontrada no Brasil não é transmitida pelo ar. Sua transmissão se dá pela alimentação. Entre pessoas, a única forma de transmissão é a fecal-oral: a bactéria é expelida nas fezes e, por falta de higiene, pode ficar nas mãos e, eventualmente, ser ingerida por outra pessoa.

Por isso, a principal recomendação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária é lavar bem as mãos depois de ir ao banheiro ou entrar em contato com animais e antes de tocar quaisquer alimentos. O procedimento não é específico para a bactéria, serve para evitar a contaminação por alimentos em geral.

Frutas e vegetais devem ser bem lavados, principalmente se forem consumidos crus. Para evitar a transmissão da Ehec, o único meio garantido é cozinhar os alimentos à temperatura de 70ºC.

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