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Problemas de intestino?

27 Jan 2016 - 10h16
Síndrome do intestino irritável tem maior prevalência entre as mulheres, dizem especialistas. - Crédito: Foto: DivulgaçãoSíndrome do intestino irritável tem maior prevalência entre as mulheres, dizem especialistas. - Crédito: Foto: Divulgação
Dor abdominal acompanhada de alterações do hábito intestinal – diarreia, constipação ou ambos de maneira alternada. Quando ocorrem com alguma frequência, esses sintomas podem ser indicativos da síndrome do intestino irritável, um mal que, segundo as estimativas, afeta entre 10% e 20% da população, com maior prevalência entre as mulheres.


Trata-se de uma doença crônica que, ao contrário do que temem alguns pacientes, não evolui para câncer de intestino, nem oferece riscos maiores, mas pode afetar a qualidade de vida e ser muito incapacitante.


“No mundo todo, é a segunda maior causa de afastamento de trabalho. Só perde para a gripe. Estudos feitos nos Estados Unidos mostram que, entre tratamentos e perdas de dias de trabalho, a síndrome do intestino irritável custa ao país mais de US$ 30 bilhões por ano”, afirma o Dr. Gustavo Andrade de Paulo, gastroenterologista do Hospital Israelita Albert Einstein. Segundo ele, entre 30% e 50% dos pacientes que procuram o gastroenterologista têm a síndrome do intestino irritável.


As causas da doença ainda não estão estabelecidas. Mas há várias teorias, entre elas a de que o problema estaria associado à intolerância a determinados tipos de alimentos, ou a uma maior sensibilidade à distensão intestinal, a alterações na motilidade intestinal, ou, ainda, a uma modificação das bactérias da flora intestinal após infecções. O estresse ou situações em que a pessoa está emocionalmente abalada funcionam como agravantes.


O diagnóstico é clínico. Além das dores, são indicativos da síndrome do intestino irritável: alterações na frequência ou consistência nas fezes, com diarreia (pelo menos três evacuações por dia) ou constipação intestinal (menos de três evacuações por semana), ao longo de, pelo menos, três meses. Outras características frequentes são: distensão abdominal, flatulência, presença de muco nas fezes e melhora da dor após a evacuação.


“É importante estar atento também para sintomas que, geralmente, não estão associados à síndrome do intestino irritável, como emagrecimento, sangue nas fezes ou acordar no meio da noite por causa das dores”, afirma o Dr. Ophir Irony, infectologista e clínico geral do Einstein. Eventuais exames podem ser solicitados pelo médico para descartar outros problemas, alguns potencialmente mais graves, como câncer ou doenças inflamatórias.


O tratamento varia segundo os sintomas de cada paciente. O primeiro passo costuma ser verificar se o indivíduo tem intolerância à lactose ou intolerância ou sensibilidade ao glúten. Embora sejam problemas específicos, eles podem agravar o quadro de quem tem a síndrome do intestino irritável. Outros alimentos, como feijão, soja, lentilha, trigo, cebola, alho, mel, adoçantes artificiais e algumas frutas, como maçã, melancia, pera, pêssego e nectarina, entre outras, também podem estar associados ao problema.


“Em geral, prescreve-se, por um período de seis semanas, uma dieta pobre em carboidratos que são mal absorvidos no intestino e, por isso, fermentam. Se houver melhora, os alimentos são reintroduzidos gradativamente, buscando-se identificar apenas aquele ou aqueles que afetam o paciente”, explica o Dr. Ophir. Também podem ser indicados suplementos de fibras. Já em relação aos probióticos (produtos que contribuiriam para normalizar a flora intestinal) é controverso se teriam uma ação positiva entre os portadores da síndrome do intestino irritável.


Em termos de medicamentos, os de uso mais comum são remédios contra cólicas, gases, antidiarreicos ou anticonstipação. “Há, ainda, medicamentos específicos que atuam no controle da motilidade intestinal. No entanto, é importante que sejam usados apenas com estrita indicação médica, por causa dos efeitos colaterais, incluindo problemas cardiológicos”, explica o Dr. Gustavo.


O fato é que remédios, mesmo os que aparentam ser mais inofensivos, podem gerar efeitos colaterais indesejáveis. Por isso, a automedicação deve ser evitada. Em vez de ir à farmácia, o melhor é agendar consulta com o médico, que tem condições de fazer uma abordagem mais ampla e efetiva. Não há cura para a síndrome do intestino irritável. Mas um tratamento adequado fará toda a diferença para a qualidade de vida do paciente.

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