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Dia Nacional da Vacinação

Movimento antivacina cresce e preocupa governantes

17 Out 2019 - 06h30Por Valéria Araújo
Celebridades apoiam movimento nos EUA - Crédito: IG SaudeCelebridades apoiam movimento nos EUA - Crédito: IG Saude

Considerado um dos 10 maiores riscos à saúde global pela Organização Mundial da Saúde (OMS), o movimento antivacina tem crescido no Brasil e dispara alerta para a volta de doenças já eliminadas no país, como no caso do sarampo que tem feito vítimas no país desde fevereiro de 2018.


Mesmo a OMS reiterando que a vacinação evita de 2 a 3 milhões de mortes por ano, e outro 1,5 milhão poderia ser evitado se a cobertura vacinal fosse melhorada no mundo, a procura pela imunização tem declinado. Para se ter uma ideia, a vacinação de crianças atingiu o nível mais baixo no Brasil em pelo menos 16 anos. Em 2017, pela primeira vez, todas as vacinas indicadas para crianças com menos de um ano ficaram abaixo da meta (que é imunizar 95% das crianças dessa idade).


Em todo o país o movimento antivacina e as fakenews preocupam as autoridades ligadas a Saúde. Em Dourados, o gerente do Núcleo de Imunização da Secretaria Municipal de Saúde, Edvan Marcelo Morais Marques, alerta que a vacinação é uma das formas mais eficientes, para evitar doenças e salvar vidas.


Ele explica que em Dourados já crescem alguns grupos com estilos de vida diferentes que não apoiam a imunização por meio das vacinas, mas que a Vigilância tem trabalhado para levar informações aos adultos sobre os riscos do ato de não se vacinar ou de não imunizar os filhos. Conforme ele o foco principal vem sendo as crianças de até cinco anos de idade. Para isso, dentre as ações do setor, ele destaca o Programa “Saúde nas escolas”, que em parceria com a secretaria de Educação tem treinado profissionais da educação para que possam acompanhar a rotina de vacinação das crianças. “Alguns programas como o Bolsa Família, já exigem o cartão de vacinação, porém eles ficavam arquivados junto com a matrícula. Nossa intenção é que os servidores possam avaliar as carteiras de imunização e diante de qualquer falha alertar o serviço de saúde para garantir que as crianças recebam todas as vacinas”, destaca. A Vigilância também tem realizado diversos cursos internos com os profissionais de saúde para alertar gestantes sobre a importância da imunização da criança já no ventre.
Ele explica que o ato de não se vacinar cria o que ele classifica como bolsões suscetíveis. “Se dentro de um grupo de cinco pessoas uma única não for vacinada, ela pode contrair uma doença como o H1N1 por exemplo, se curar ou não da doença. No entanto os demais estão imunizados. Porém se a situação inverte e os cinco não estão imunizados são cinco pessoas doentes que podem contaminar outras cinco e disseminar a doença.


Conforme Edvan, o sucesso das ações de imunização - que teve como resultado a eliminação da poliomielite, do sarampo, da rubéola e síndrome da rubéola congênita - tem causado em parte da população, e até mesmo em alguns profissionais de saúde, a falsa sensação de que não há mais necessidade de se vacinar. No Brasil, ainda há um desconhecimento individual sobre a importância e benefícios das vacinas. Em muitos casos, pais e responsáveis não vêm mais algumas doenças como um risco, como foi o caso do sarampo. Porém, os mais de 4,5 mil casos da doença registrados em 19 estados, nos últimos 90 dias, mostram que se não mantivermos altas coberturas vacinais, doenças já eliminadas voltarão a fazer vítimas no país. Em Dourados são 10 notificações de sarampo, mas nenhum caso confirmado. No Estado são dois casos positivos para a doença registrados em Campo Grande.
 
Erradicação
No início do século XX, as doenças imunopreveníveis como poliomielite e varíola eram endêmicas no Brasil, causando elevado número de casos e mortes em todo o país. As ações de vacinação e, especialmente o trabalho desenvolvido pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI) nos seus 46 anos de existência, foram responsáveis por mudar o perfil epidemiológico das doenças imunopreveníveis no país.
 
Basta ir ao posto
Atualmente, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferta de graça 19 vacinas que protegem contra mais de 40 doenças, entre elas o sarampo. Basta ir ao posto de saúde mais perto de casa e pedir para atualizar o Calendário Nacional de Vacinação, que prevê vacinas para todas as idades, desde os recém-nascidos até os idosos. Por isso, se proteger contra doenças é uma questão de escolha e responsabilidade e deve ser tido como prioridade por todos.


Fake News
O esforço em garantir informação de qualidade à população deu origem ao canal Saúde sem Fake News, ação inovadora do Ministério da Saúde, que disponibilizou um número de WhatsApp para envio de mensagens da população. O canal é exclusivo para receber informações virais, que são apuradas pelas áreas técnicas e respondidas oficialmente se são verdade ou mentira. Qualquer cidadão pode enviar gratuitamente mensagens com imagens ou textos que tenha recebido nas redes sociais para confirmar se a informação procede, antes de continuar compartilhando. O número é (61) 99289-4640.

Movimento antivacina teme efeitos colaterais 

O movimento antivacina , ou Anti-Vaxxers, como o grupo ficou conhecido nos Estados Unidos, é contra a imunização. Para alguns, a vacinação pode causar autismo e outras doenças. Outros rejeitam a vacinação por motivos religiosos. Também existem aqueles que acham que os ingredientes das injeções não são "naturais" o suficiente. As preocupações vão de efeitos colaterais das injeções à segurança das doses; de possíveis benefícios à indústria farmacêutica ao medo de que as vacinas múltiplas exponham os bebês a uma carga excessiva de substâncias. 
Celebridades de Hollywood também têm grande responsabilidade pela força do movimento antivacina nos Estados Unidos. Conforme o Ig notícias, a mais vocal é a atriz Jenny McCarthy, que afirma que seu filho, Evan, "contraiu" autismo por conta das vacinas. O famoso ator e comediante Jim Carrey,  ex-companheiro de McCarthy e que foi padrasto de Evan, também milita contra as vacinas ao lado da ex.
A lista de famosos que se posicionaram publicamente contra as vacinas ainda conta com o comediante Charlie Sheen, as atrizes Alicia Silverstone e Selma Blair, a famosa ativista Erin Brockovich e o vencedor do Oscar Robert De Niro.

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