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Lei dos 60 dias não saiu do papel para o tratamento de câncer, diz mastologista

Enquanto falta acesso na rede pública são estimados 830 novos casos de câncer de mama por ano no Estado. 60% dos diagnósticos são tardios

01 Out 2019 - 16h22Por Valéria Araújo
Dra. Ana Tereza Gusmão de Lúcia, mastologista - Crédito: divulgaçãoDra. Ana Tereza Gusmão de Lúcia, mastologista - Crédito: divulgação

O acesso ao diagnóstico e ao tratamento continuam sendo os principais desafios para pacientes com câncer de mama. Para a médica mastologista e ginecologista Ana Teresa Gusmão De Lucia, membro titular da Sociedade Brasileira de Mastologia a lei dos 60 dias não saiu do papel. Apesar da legislação prever esse prazo para início do tratamento, muitas mulheres permanecem numa fila de espera que dura, por vezes, mais de quatro meses. "É preciso entender que a lei não existe somente por existir. Há trabalhos científicos que comprovam que a demora pode afetar em muito a vida do paciente”, destaca.

A médica alerta para a doença e afirma que o diagnóstico precoce é a linha determinante entre a maior ou menor chance de cura. Segundo ela, quando detectado no início pode chegar a 95%. Além disso, este diagnóstico em fase inicial permite cirurgias mais conservadoras e tratamentos menos agressivos.

Com uma estimativa de 830 novos casos de câncer por ano, segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), Mato Grosso do Sul a tem a segunda menor cobertura mamográfica do Centro-Oeste. De acordo com a Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) 82% das mulheres na faixa etária entre 50 e 69 anos atendidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) não fizeram a mamografia no Estado. Isso quer dizer que dos 142.642 exames previstos, apenas 25.865 foram realizados, o que corresponde a uma baixa cobertura de 18,10%. Outras 116.777 mulheres não fizeram o procedimento.

O estudo realizado em parceria com a Rede Brasileira de Pesquisa em Mastologia, com base em atendimentos realizados pelo SUS, mostra ainda que no Brasil o número de exames é o menor dos últimos cinco anos. Para se ter ideia, eram esperadas 11,5 milhões de mamografias e foram realizadas apenas 2,7 milhões, bem abaixo dos 70% recomendados pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

Com taxa de 53,07 casos a cada 100 mil habitantes, o Estado de Mato Grosso do Sul é o segundo do Centro-Oeste em incidência de câncer de mama, segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca-2016). Em MS, somente no primeiro semestre de 2017, foram registrados 37 óbitos por câncer de mama. Durante todo o ano anterior (2016), 86 mulheres morreram. Em 2016, o câncer de mama matou 180 mulheres em Mato Grosso do Sul, 87 só em Campo Grande.

Em Dourados, foram atendidos 241 casos de câncer de mama em 2015, sendo 53 novos. Os dados são de uma estatística feita pelo Hospital do Câncer de Dourados, com base nos atendimentos realizados entre pacientes que estão em tratamento.

O número inclui 34 municípios da região.No Brasil, o Inca estimou mais de 59.7 mil novos casos de câncer de mama por ano. Em 2016, mais de 16 mil mulheres morreram vítimas de câncer de mama no Brasil, segundo dados do Datasus. O câncer de mama também pode acometer homens, porém é raro, representando apenas 1% do total de casos da doença.

Reconstrução mamária

Conforme a Socieade Brasileira de Mastologia, a reconstrução mamária é uma cirurgia ainda difícil de conseguir para milhares de mulheres brasileiras, principalmente aquelas que já realizaram a mastectomia há muitos anos e não tiveram suas mamas reconstruídas no mesmo ato cirúrgico.

Preocupada com dificuldade da falta de acesso, a SBM vem realizando cursos e eventos de educação continuada para qualificar mais médicos e ajudar a diminuir a fila de cirurgia do SUS. Um estudo realizado por pesquisadores da Rede Goiana de Pesquisa em Mastologia revela que das 210 mil mulheres que realizaram cirurgias de câncer de mama no Brasil entre 2008 e 2015, quase 44% (92,5 mil) fizeram cirurgia de mastectomia.

Dessas, apenas 18 mil (20%) tiveram suas mamas reconstruídas pelo SUS, um cenário alarmante, pois a maioria das mulheres vive mutilada há anos aguardando pela cirurgia, seja por falta de informação, medo, vergonha ou autoestima baixa.

Tumor mais comum entre as mulheres e também o 2º que mais mata, o câncer de mama tem em 60% dos casos um diagnóstico tardio, diminuindo as chances de cura.  

 

ATENDIMENTOS GRATUÍTOS

Durante todo o mês de outubro, a Oncoclínica realizará palestras em várias empresas, para seus funcionários e público em geral,  ministradas por mastologistas e oncologistas, versando sobre a prevenção, diagnóstico e tratamento do Câncer de Mama.

No próximo dia 5 (sábado), das 8h às 12h haverá evento na  Praça Antônio João. A Oncoclínica realizará  orientações de prevenção do câncer, exame clínico das mamas e pele, diagnóstico nutricional, aferição de Pressão Arterial e glicemia, avaliação nutricional, ultrassonografia das mamas nos casos selecionados pela equipe e triagem para coleta de exame Papanicolau.  Haverá brinquedos para as crianças e carrinho de pipoca

O evento acontece em parceria com: Lapac, Sociedade Brasileira de Mastologia, Porto Seguro, Rotary Club, Cerdil, Pax Primavera e Quality Imagens, Sicredi, AApoiadores  e ProVital.

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